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O Mestre Aleijadinho

por Ascom

21/09/2011 07:49

Aleijadinho e Os Profetas

Esse mulato de gênio
lavrou na pedra-sabão
todos os nossos pecados,
as nossas luxúrias todas,
e esse tropel de desejos
e essa ânsia de ir para o céu
e de ficar mais na terra;
Era uma vez um Aleijadinho,
não tinha dedo, não tinha mão,
raiva e cinzel lá isso tinha,
era uma vez um Aleijadinho,
era uma vez muitas igrejas
com muitos paraísos e muitos infernos,
era uma vez São João, Ouro Preto, Sabará, Congonhas,
era uma vez muitas cidades
e um Aleijadinho era uma vez.


( Carlos Drummond de Andrade )

“O Barroco Mineiro é um fenômeno excepcional no qual uma arte grandiosa,teatral, alcançou seu apogeu em Congonhas do Campo”.

“Em sua fantástica trajetória através de três milhões de anos, desde que surgiu neste planeta, o homem sempre perseguiu com tenacidade objetivos cada vez mais altos. E no topo desses objetivos está a arte. E desta, uma das múltiplas formas é a arte plástica que o homem criou dentro de grutas há trinta e cinco mil anos e vem aperfeiçoando desde então. Mas para que uma arte atinja seu apogeu é preciso que três fatores se conjuguem: o local certo, na época certa e com o artista certo. E assim uma certa arte de alto nível, originária da Europa, tinha um encontro marcado com um artista excepcionalmente preparado e cujas origens se situavam na África. Esse feliz encontro aconteceu a milhares de quilômetros da Europa e da África, no fundo das Américas, entre as montanhas de Minas Gerais, durante o século XVIII. E desta união nasceu uma obra que marca um estágio superior da Humanidade e que a engrandece através dos tempos: o Barroco Mineiro”.

Congonhas reúne o maior conjunto da arte barroca mundial e o apogeu da criatividade do mestre Aleijadinho3.


O ALEIJADINHO - Aleijadinho, Antônio Francisco Lisboa, nasceu no dia 29 de agosto de 1.730, afirmação feita com base na certidão de batismo. Mas, outros autores defendem a teoria de que o mestre teria nascido em 1.738, baseada no registro de óbito do livro nº 5 também encontrado na Matriz de Antônio Dias. Era filho natural do arquiteto português Manoel Francisco Lisboa e de uma de suas escravas.

 

Segundo pesquisadores, a lepra nervosa é a única afecção capaz de explicar a mutilação (perda dos dedos dos pés e alguns das mãos), a deformidade (atrofia e curvamento das mãos) e a desfiguração facial, as quais lhe valeram a alcunha de Aleijadinho. Sua imagem ficou intolerável: “Antônio Francisco perdeu todos os dedos dos pés, do que resultou não poder andar senão de joelhos; os das mãos atrofiaram-se e curvaram, e mesmo chegaram a cair, restando-lhe somente, e ainda assim quase sem movimento, os polegares e os índices. As pálpebras inflamaram-se e, permanecendo neste estado, ofereciam à vista sua parte; perdeu quase todos os dentes e a boca entortou-se como sucede freqüentemente ao estuporado; o queixo e o lábio inferior abateram-se um pouco, assim o olhar do infeliz adquiriu certa expressão sinistra e de ferocidade que chegava mesmo a assustar a quem quer que o encarasse inopinadamente. Esta circunstância e a tortura da boca o tornaram de aspecto asqueroso e medonho”. As fortíssimas dores que sofria e seu gênio impaciente e colérico o levaram a amputar, ele mesmo, seus dedos, servindo-se para isso do formão com que trabalhava. Mas sua doença não o impede de trabalhar. Apesar de ter-se isolado, trabalhando sempre escondido, ainda era alegre com seus amigos mais íntimos, os seus escravos: Maurício, Agostinho e Januário que o ajudavam em tudo, atavam-lhe as ferramentas para que ele pudesse trabalhar, as joelheiras para arrastar-se e subir escadas, carregavam-no nas costas, quando voltada ou ia para o trabalho, fugindo dos olhares alheios, bem tarde da noite. A eles ensinou seu ofício.

 

Foi preparado tecnicamente para a arte barroca por quatro grandes mestres da época: seu pai, seu tio e dois outros profissionais portugueses de grande experiência. Mas, a influência que porventura recebeu do progenitor e de outros mestres do tempo não teve importância decisiva na sua formação artística. Ele era um fiel aluno de si próprio e já nasceu dotado de dons excepcionais para as artes plásticas, como exímio entalhador e escultor.

 

Jeremias

Foi preparado, também emocionalmente, por causa da condição de escravo alforriado de mulato altivo.  Dedicava-se freqüentemente à leitura, lendo preferentemente a Bíblia, de onde tirava também inspiração para suas figuras, e livros de anatomia, onde procurava, além de lição para seu trabalho, pontos de referência para o conhecimento de sua doença. Era católico, ia sempre à missa na igreja de Antônio Dias, carregado numa cadeira ou no ombro de um escravo. Viveu, em seus últimos anos, com sua nora, a parteira Joana Lopes. Sua vida extinguiu-se em 18 de novembro de 1.814, aos 76 anos.

Aleijadinho foi um homem visceralmente barroco, vivendo num cenário barroco, utilizando matéria-prima barroca, numa época barroca de ambigüidades barrocas: ele era o homem certo, o artista predestinado. Sua obra impressiona não só pela beleza, mas também pela quantidade.

 



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