Instituto Espinhaço apresenta projeto de reflorestamento e produção de água a parceiros

Desenvolvido no Município graças a um acordo de cooperação com a Prefeitura, através da Secretaria de Meio Ambiente, o projeto “Semeando Florestas Colhendo Águas”, do Instituto Espinhaço foi apresentado, em nessa quarta-feira, 8, a Congonhas, onde irá fornecer mudas e mão de obra especializada para o plantio mínimo de 30 mil unidades nativas e nativas frutíferas. O objetivo é recuperar áreas degradadas e contribuir para a recuperação de florestas e preservação das nascentes. Esta ação está inserida em uma iniciativa macro gerida pelo Governo do Estado, por meio da CODEMIG. O cadastro de interessados em participar está aberto (confira abaixo).

Esta ONG sem fins lucrativos tomou como causa do projeto a produção de água, unindo em torno desta os poderes públicos e privados. Além disto, esta ação visa a despertar novas oportunidades de geração de emprego e renda para as comunidades.

De acordo com o diretor financeiro do Instituto Espinhaço, Coryntho José de Oliveira Filho, “o cidadão ainda não entendeu a importância de todo este processo de recuperação e zelo com a natureza, ele precisa ter um novo níveo de comprometimento com a questão ambiental, estamos falando de brigar pela sobrevivência. A realidade de Minas, assim como de boa parte do País, é de crise hídrica. Cidades que não possuíam problema de água já estão tendo e elas não têm escolha, precisam desenvolver programas de produção de água, o que demanda um tempo, não é só o plantio, é uma ação consorciada. Emater, Copasa e Prefeitura possuem recursos para investir nisso. É momento da população rever sua consciência sobre este processo, somarmos forças”.

Segundo ele, o abastecimento público de água deve ser prioridade neste processo. Em Congonhas, a maior parte das captações de água acontece nas áreas das mineradoras. Por isso ele promete contribuir para conscientizar as empresas e fazerem elas agirem neste sentido.

Durante a apresentação, Coryntho percebeu que Congonhas recebeu muito bem o projeto. “Temos uma pluralidade de atores, como produtor, universitário, líder comunitário, Desenvolvimento Rural, Emater, Copasa e equipe técnica da Prefeitura. A cidade mostrou interesse em criar uma estrutura de geração de emprego e renda e dar sequência ao projeto.”, afirmou.

 

Qualidade de vida

Para a diretora de Gestão Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura, Diana Sena, o objetivo principal de Congonhas se engajar neste projeto está ligado ao efeito que ele causa na vida das pessoas. “A cidade possui uma grande área de mineração, com incidência de grande desmatamento. E, como o projeto prevê, no mínimo 30 mil árvores a serem plantadas em uma área de 25 hectares, alcançar essa meta vai, além de proteger nossos mananciais, melhorar a situação das nascentes, amenizar a temperatura na área urbana e ajudar a proteger a cidade da poeira. Esta arborização a tornará ainda muito mais bonita. Tudo isso contribui para o aumento da qualidade de vida maior. Este retorno acontece a médio e longo prazos com a cooperação de todos os envolvidos, principalmente nas ações contra queimadas”, afirma.

Nesta quinta-feira, 9, começou o trabalho operacional de estreitamento de relação entre Secretaria de Meio Ambiente e o Instituto, para mapear o território do Município, e com a COPASA, para entender a funcionalidade das áreas de captação de água. De 4 a 15 de dezembro, os proprietários rurais cadastrados serão visitados pelo instituto, que quer saber como pode melhor ajudar a eles e que contribuições esses produtores poderão oferecer ao projeto.

 Cadastro

Exemplo de propriedade já cadastrada no Esmeril.

Está acontecendo o cadastramento dos interessados em participarem do projeto “Semeando Florestas Colhendo Águas”, quando são colhidas informações como tamanho de área, tipo de espécie a plantar, se há cursos d’água. Com base nelas, serão definidas as áreas contempladas. Os interessados devem se cadastrar na Secretaria de Meio Ambiente, à av. JK, nº 230, 2º andar, Centro, ou pelos telefones 3731-5287 e 3731-6524, das 7h30 às 11h30, até o dia 30 de novembro.

Viveiros

De acordo com o diretor financeiro do Instituto Espinhaço, Coryntho José de Oliveira Filho, a produção de muda tem de ser pensada de forma regional, utilizando, por exemplo, um consórcio de municípios, como o CODAP, presidido pelo prefeito Zelinho. É necessário criar estruturas de viveiro, dominar o processo de produção de mudas, desde a coleta de semente ao retorno da muda para o local onde ela foi coletada, definir adequadamente as áreas, realizar o plantio e depois monitorá-las.

O Instituto Espinhaço possui viveiros, mas a Secretaria de Meio Ambiente tentará implantar um em Congonhas, utilizando recursos do Fundo Municipal de Meio Ambiente, que recolhe recursos oriundos de sanções desde 2011 aplicadas em uma conta específica destinada para projetos como este. Já existe um viveiro no Bebe-Água (área da Secretaria de Obras), porém insuficiente para produzir e acondicionar a quantidade necessária de mudas para esta ação.

Com previsão de plantio de 3 milhões de mudas, o projeto “Semeando Florestas Colhendo Águas” é o maior de recuperação ambiental em execução no Brasil, com previsão de atender a 61 municípios mineiros da “Reserva de Biosfera Serra do Espinhaço” – que é uma área de desenvolvimento e de proteção ambiental, na qual Congonhas está inserida, e para além desta.

Outras ações

“Este projeto do Instituto Espinhaço, no qual nos engajamos, irá abranger uma grande área. Mas há outros projetos pontuais que a Prefeitura sempre faz, através da nossa equipe de Meio Ambiente. O Conselho Municipal de Meio Ambiente (CODEMA) delibera compensações ambientais. Às vezes o cidadão quer cortar uma árvore, mas precisa dar sua contrapartida e definimos a recuperação de alguma área urbana com algum tipo de vegetação, bem como doação de mudas ou patrocínio de algum projeto ambiental de alguma instituição ou escola”, explica a diretora de Gestão Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente Diana.