Museu de Congonhas lança o programa “Museu para Todos”

Espaço promoverá ações diversificadas em 2018 para abranger todos os públicos

O Museu de Congonhas, em dois anos de atividade, se tornou um dos principais exemplos no País de mobilização popular, com ações voltadas para memória, pertencimento e valorização do patrimônio material e imaterial do seu entorno. Porém a instituição percebeu que poderia ir mais longe. Para ampliar o público atendido e o alcance das ações educativas e culturais, após amplo processo de reflexão, o espaço apresenta o inédito Programa “Museu para Todos” – conceito que norteará as atividades de sua diversificada programação em 2018. São exposições, apresentações artísticas, pesquisas de recuperação de acervos, ações educativas e oficinas que pretendem atingir um horizonte mais amplo possível da sociedade. Este novo programa do Museu de Congonhas conta com o patrocínio das empresas CEMIG e CSN, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.

A reflexão sobre diversidade, pertencimento e interatividade está no foco da ampla agenda de atividades. A partir do tema, o Museu de Congonhas convidará turistas, visitantes, crianças, jovens, idosos, beneficiários de programas sociais, associações comunitárias, trabalhadores e toda a comunidade para visitar e revisitar o espaço e participar das diversas atividades a serem desenvolvidas nos próximos meses. O lançamento para imprensa do programa “Museu para Todos” e da programação de 2018 do Museu de Congonhas foi realizada na manhã desta quarta-feira, 28, no Centro de Arte Popular da CEMIG, em Belo Horizonte. Na ocasião, foi lançada uma proposta colaborativa que pretende construir com os visitantes a logomarca da campanha que marcará a divulgação do “Museu para Todos”.

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Estiveram presentes o Secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais, Angelo Oswaldo; o prefeito Zelinho; o diretor do Museu de Congonhas, Sérgio Rodrigo Reis; a vereadora Patricia Monteiro, representando a Câmara Municipal de Congonhas; o Secretário Municipal de Cultura e Patrimônio de Ouro Preto, Zaqueu Astoni; o gerente-geral do Canal Futura da Fundação Roberto Marinho e curador do projeto “Mídia Educação do Museu de Congonhas”, João Alegria; o curador do projeto “Poesia e Música no Museu”, especialista em MPB e decano da PUC-Rio, Júlio César Diniz; o presidente da Asas Produções, Marcus Ferreira; e os representantes das empresas patrocinadoras: a comunicadora social da Diretoria de Relações e Institucionais e Comunicação da CEMIG, Lurdenilde Almeida e ainda a especialista em Relações Institucionais da CSN, Camilla Fernandes.

Programa “Museu para Todos” é uma iniciativa inédita, promovida em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, que pretende unir os principais municípios em Minas, que detém o título de “Patrimônio Cultural Mundial” – Ouro Preto e Congonhas -, na promoção de circulação cultural no interior. Vários eventos artísticos serão compartilhados entre o Museu de Congonhas, o Teatro Casa da Ópera de Ouro Preto e outras instituições das duas cidades, no momento em que celebram os 280 anos de nascimento de Antônio Francisco Lisboa, artista que deixou sua obra nos dois lugares. A parceria também se estenderá em distritos dos municípios, que receberão ações de formação e educação a partir das atividades desenvolvidas pelo Museu de Congonhas.

O diretor do Museu de Congonhas, Sérgio Rodrigo Reis, apresentou a marca do programa Museu para Todos, criada pelo designer Luiz Sardá, que incorpora a caligrafia de Aleijadinho e de outros mestres que passaram por Congonhas, como Manuel da Costa Ataíde, Feliciano Mendes, Roberto Burle Marx e Carlos Drummond de Andrade. Também destacou que a programação que vai enriquecer tanto as atividades de Ouro Preto quanto as atividades de Congonhas. “O conteúdo que trabalhamos é tão caro e tem uma possibilidade transformadora tão grande, que começamos a nos perguntar como poderíamos ampliá-lo. A partir disso, estabelecemos inúmeras parcerias, possibilidades e estratégias, que vamos experimentar durante este ano. O fato é que estamos saindo da nossa zona de conforto, mantendo o atendimento do Museu de Congonhas, que é um sucesso. Estabelecemos estratégias de mediação para tentarmos nos conectar com públicos diferentes”, explicou.

Para o Secretário Municipal de Cultura e Patrimônio de Ouro Preto, Zaqueu Astoni Moreira, essa parceria estreita laços entre essas duas cidades barrocas, que têm o traço e a genialidade de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. “O projeto é muito feliz porque engloba a parte educacional, pegando dois distritos de Ouro Preto, e o eixo cultural pegando a Casa da Ópera, um dos teatros mais antigos das américas. É uma honra receber esse projeto, principalmente no Ano do Patrimônio Cultural, que foi declarado em Ouro Preto, e em comemoração a várias datas de fundamental importância para a cultura e o patrimônio de Minas Gerais e do Brasil, como os 80 anos do tombamento de Ouro Preto, os 280 anos do nascimento de Aleijadinho e os 320 anos da chegada da bandeira de Antônio Dias a Ouro Preto. Parabenizo o projeto, que reinventa e faz uma nova leitura de como apresentar um acervo museológico e de como conseguir atrair o público”, completou.

O prefeito de Congonhas, José de Freitas Cordeiro, Zelinho, destacou a importância do Museu de Congonhas para a vida cultural e o turismo de Congonhas. “Agradeço ao secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, por canalizar essas verbas de incentivo cultural ao Museu de Congonhas. Congonhas tem sido outra cidade após sua inauguração. O nosso grande museu está do lado de fora, com as obras de Aleijadinho. As pessoas que vão ao Museu de Congonhas conhecem de perto cada imagem, cada detalhe dos Profetas, cada pintura que temos e que, às vezes, passam despercebidas. O Museu tem recebido visitantes de todo o Brasil e o reconhecimento de autoridades da área cultural pelo expressivo espaço que temos. Agora, passa a ser um museu vivo, com vários eventos, como tivemos no ano passado e vamos continuar tendo com o apoio do Estado e dos parceiros. Podem ter certeza que essa parceria vai continuar”, enfatizou.

O secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais, Angelo Oswaldo, destacou não só o acervo e a organização do Museu de Congonhas, mas também suas atividades culturais. “Antigamente, os museus fechavam as portas para guardar acervo, preservar patrimônio. Hoje os museus abrem as portas para compartilhar conhecimento. O Museu de Congonhas tornou-se, desde o início, um grande centro de atividades culturais, cumprindo esse papel. Ele veio para ensinar os visitantes a perceberem o patrimônio que está ali no alto da colina, com o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Hoje ele retém o público, faz o turista permanecer em Congonhas. É um dos museus mais visitados do Estado. Nós esperamos que esse número cresça. É realmente uma referência e por isso a Secretaria de Estado de Cultura tem o dever de reconhecer e de apoiá-lo”, pontuou.

DESTAQUES DA PROGRAMAÇÃO

Museu para Todos – O programa começa com uma campanha colaborativa que pretende construir, a partir das caligrafias dos usuários da instituição, a logomarca que norteará todas as peças gráficas a serem criadas e desenvolvidas no decorrer do projeto. Ao lado das letras de personalidades famosas que possuem vida e obra retratadas no Museu, estarão as de anônimos, aplicadas em cores “quentes”, retiradas da paleta presente nas obras que Aleijadinho deixou no Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas. Como desdobramento das ações será desenvolvido, em parceria com IFMG – Campus Congonhas, a coleção de “Tintas Congonhas”, a partir de pigmentos encontrados na paisagem local, que servirão para atividades educativas e até para a pintura do patrimônio edificado do entorno.

Poesia e Música no Museu – De março a julho, o Museu de Congonhas recebe a primeira temporada do projeto “Poesia e Música no Museu”. Realizado com curadoria do pesquisador de Música Popular Brasileira e professor da PUC-Rio, Júlio Diniz, o projeto trará artistas de projeção nacional, em eventos que vão aliar conhecimento, bate-papo e música. O primeiro convidado será o cantor, compositor e músico baiano Moraes Moreira, no dia 21 de março, às 20 horas. Já estão confirmados também bate-papos musicais com Alice e Danilo Caymmi (abril) e Toni Garrido (maio).

Parceria com o Canal Futura – No dia 10 de março será lançada a Temporada 2018 do “Programa de Mídia-Educação do Museu de Congonhas”. O projeto, com curadoria do João Alegria, gerente geral do Canal Futura, após primeira temporada voltada para a formação de pedagogos, agora se volta para a aplicação prática do conteúdo em novas mídias em distritos de Ouro Preto (Miguel Burnier e Mota) e Congonhas (Lobo Leite). A parceria com o Futura se desdobrará em outras atividades, como o “Maleta Futura”. A partir de 28 de março trará atividades como a exibição do documentário “Travessias de Olhares”, sobre a diversidade da juventude. A projeção do filme seguirá de um bate-papo com os personagens do filme. Ao longo do ano, a “Maleta” abrirá perspectivas para discutir ainda assuntos ligados ao universo jovem, um dos principais públicos da instituição.

Programa de Educação Patrimonial e Artístico – Um dos principais públicos pretendidos pelo Museu de Congonhas são os dos jovens estudantes. Para aproximar-se deste universo, o Museu passou a oferecer um conteúdo que complementa as atividades dos temas transversais desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Educação em sala de aula, especialmente nas ações de Educação Patrimonial e a Cultura. Em torno de sete mil alunos serão beneficiados pelas atividades nas escolas e em projetos específicos como “Arte na Escola”, “Semana Nacional de Educação Infantil” e a “Festa Literária de Congonhas”.

Mês dos Museus – Ampla programação foi preparada para maio: o “Mês dos Museus”. No dia 02, acontece o lançamento do projeto “Conhecer para Cuidar”, em parceria com a ASAS Produções. Dentre as atividades de educação patrimonial está a elaboração de uma maquete do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Em maio, de 14 a 20, também será celebrada a Semana dos Museus, realizada pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), que em 2018 terá como tema “Museus Hiperconectados: novas abordagens, novos públicos”. O tema casa perfeitamente com a política cultural adotada pelo Museu de Congonhas de promoção de atividades que possam atingir um público mais amplo possível. Entre os eventos já acertados estão a Gincana dos Museus, Oficina Adolescentes Online e a Batalha de Rap.

Exposições – Além da exposição “Burle Marx – Entre as Cúpulas Brancas dos Passos”, que poderá ser vista até o final de março, o Museu de Congonhas receberá importantes mostras em 2018. Em abril, a desenhista, entalhadora e gravadora mineira Lyria Palombini apresenta séries inéditas de gravuras sobre Congonhas e ainda uma coleção em homenagem a Tiradentes. Outro projeto em andamento é a exposição em homenagem à vida e obra de José Arigó, um dos maiores médiuns brasileiros. Nos últimos dois anos, foram adquiridos acervos, coletados depoimentos, publicações e filmes que serão exibidos em uma grande homenagem a este importante personagem da cultura nacional. Ainda em 2018 acontece uma exposição coletiva reunindo alguns dos melhores presépios vencedores do concurso promovido, há 40 anos, pela Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP).

Programa Educativo – As visitas de grupos agendados ganharão mais vida com intervenções lúdicas. A partir de dinâmicas, técnicas teatrais, cénicas, uso de fotografias e recursos tecnológicos, todos os meses serão oferecidos mediações diferentes a estudantes e turistas. Em março será a vez da mediação “Quem conta um conto…”; em abril: “Quem faz a história”; em maio: mediação tátil “Ver e sentir” e, em junho, mediação fotográfica “Eu no Museu”. Outra novidade é a criação de um cardápio de mediações para atender às necessidades das diferentes faixas etárias e com foco nos recortes históricos locais.

Congonhas faz Cultura – O Museu de Congonhas lança, em breve, um Chamamento Público, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo de Congonhas, para selecionar outras atrações culturais para compor a programação de 2018. Por meio de Parcerias público-privada a intenção é a de ampliar a diversidade de atrações oferecidas pela instituição, sobretudo com artistas locais, ocupando, além do Museu de Congonhas, todo circuito cultural e histórico desta cidade histórica mineira.

MUSEU DE CONGONHAS – PROGRAMAÇÃO 2018

Março
Dia 10
Abertura do Programa Mídia-Educação

Dia 21
20h: Abertura da 1ª temporada do projeto “Poesia e Música no Museu” com Moraes Moreira

Dia 28
Abertura do Programa Maleta Futura
Exibição do documentário “Estrada dos Sonhos”

Dia 31
Encerramento da Exposição “Burle Marx – Entre as Cúpulas Brancas dos Passos”

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Abril
Dia 11
Atividade do Maleta Futura

Dia 18
20h: “Poesia e Música no Museu”, com Alice e Danilo Caymmi

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Maio
Dia 02
Abertura do Mês dos Museus e Lançamento do projeto “Conhecer para Cuidar”

De 14 a 20
Semana dos Museus

Dia 23
“Poesia e Música no Museu”, com Toni Garrido

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Junho
Dia 13
“Poesia e Música no Museu”

Dia 20
Atividade do Maleta Futura

Dia 30
Encerramento do Programa de Mídia-Educação