{"id":98,"date":"2017-09-18T11:37:05","date_gmt":"2017-09-18T14:37:05","guid":{"rendered":"http:\/\/servidor.congonhas.mg.gov.br\/congonhas\/?page_id=98"},"modified":"2017-10-04T16:12:20","modified_gmt":"2017-10-04T19:12:20","slug":"o-mestre-aleijadinho","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.congonhas.mg.gov.br\/index.php\/o-mestre-aleijadinho\/","title":{"rendered":"O MESTRE ALEIJADINHO"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">\n<div id=\"attachment_711\" style=\"width: 334px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-711\" class=\"wp-image-711\" src=\"https:\/\/www.congonhas.mg.gov.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Eucl\u00e1sio_Ventura_-_Retrato_de_Aleijadinho_s\u00e9c__XIX-1-241x300.jpg\" alt=\"\" width=\"324\" height=\"358\" \/><p id=\"caption-attachment-711\" class=\"wp-caption-text\">Eucl\u00e1sio Ventura &#8211; Retrato de Aleijadinho<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esse mulato de g\u00eanio<\/em><i><br \/>\n<em>lavrou na pedra-sab\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>todos os nossos pecados,<\/em><br \/>\n<em>as nossas lux\u00farias todas,<\/em><br \/>\n<em>e esse tropel de desejos<\/em><br \/>\n<em>e essa \u00e2nsia de ir para o c\u00e9u<\/em><br \/>\n<em>e de ficar mais na terra;<\/em><br \/>\n<em>Era uma vez um Aleijadinho,<\/em><br \/>\n<em>n\u00e3o tinha dedo, n\u00e3o tinha m\u00e3o,<\/em><br \/>\n<em>raiva e cinzel l\u00e1 isso tinha,<\/em><br \/>\n<em>era uma vez um Aleijadinho,<\/em><br \/>\n<em>era uma vez muitas igrejas<\/em><br \/>\n<em>com muitos para\u00edsos e muitos infernos,<\/em><br \/>\n<em>era uma vez S\u00e3o Jo\u00e3o, Ouro Preto, Sabar\u00e1, Congonhas,<\/em><br \/>\n<em>era uma vez muitas cidades<\/em><br \/>\n<em>e um Aleijadinho era uma vez.<\/em><\/i><\/p>\n<p><em>(Carlos Drummond de Andrade )<\/em><\/p>\n<p>Aleijadinho, Ant\u00f4nio Francisco Lisboa, nasceu no dia 29 de agosto de 1.730, afirma\u00e7\u00e3o feita com base na certid\u00e3o de batismo. Mas outros autores defendem a teoria de que o mestre teria nascido em 1.738, baseada no registro de \u00f3bito do livro n\u00ba 5 tamb\u00e9m encontrado na Matriz de Ant\u00f4nio Dias. Era filho natural do arquiteto portugu\u00eas Manoel Francisco Lisboa e de uma de suas escravas.<\/p>\n<\/div>\n<div align=\"justify\">Segundo pesquisadores, a lepra nervosa \u00e9 a \u00fanica afec\u00e7\u00e3o capaz de explicar a mutila\u00e7\u00e3o (perda dos dedos dos p\u00e9s e alguns das m\u00e3os), a deformidade (atrofia e curvamento das m\u00e3os) e a desfigura\u00e7\u00e3o facial, as quais lhe valeram a alcunha de Aleijadinho. Sua imagem ficou intoler\u00e1vel: \u201cAnt\u00f4nio Francisco perdeu todos os dedos dos p\u00e9s, do que resultou n\u00e3o poder andar sen\u00e3o de joelhos; os das m\u00e3os atrofiaram-se e curvaram, e mesmo chegaram a cair, restando-lhe somente, e ainda assim quase sem movimento, os polegares e os \u00edndices. As p\u00e1lpebras inflamaram-se e, permanecendo neste estado, ofereciam \u00e0 vista sua parte; perdeu quase todos os dentes e a boca entortou-se como sucede freq\u00fcentemente ao estuporado; o queixo e o l\u00e1bio inferior abateram-se um pouco, assim o olhar do infeliz adquiriu certa express\u00e3o sinistra e de ferocidade que chegava mesmo a assustar a quem quer que o encarasse inopinadamente. Esta circunst\u00e2ncia e a tortura da boca o tornaram de aspecto asqueroso e medonho\u201d. As fort\u00edssimas dores que sofria e seu g\u00eanio impaciente e col\u00e9rico o levaram a amputar, ele mesmo, seus dedos, servindo-se para isso do form\u00e3o com que trabalhava. Mas sua doen\u00e7a n\u00e3o o impede de trabalhar. Apesar de ter-se isolado, trabalhando sempre escondido, ainda era alegre com seus amigos mais \u00edntimos, os seus escravos: Maur\u00edcio, Agostinho e Janu\u00e1rio que o ajudavam em tudo, atavam-lhe as ferramentas para que ele pudesse trabalhar, as joelheiras para arrastar-se e subir escadas, carregavam-no nas costas, quando voltada ou ia para o trabalho, fugindo dos olhares alheios, bem tarde da noite. A eles ensinou seu of\u00edcio.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Foi preparado tecnicamente para a arte barroca por quatro grandes mestres da \u00e9poca: seu pai, seu tio e dois outros profissionais portugueses de grande experi\u00eancia. Mas, a influ\u00eancia que porventura recebeu do progenitor e de outros mestres do tempo n\u00e3o teve import\u00e2ncia decisiva na sua forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Ele era um fiel aluno de si pr\u00f3prio e j\u00e1 nasceu dotado de dons excepcionais para as artes pl\u00e1sticas, como ex\u00edmio entalhador e escultor.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Foi preparado, tamb\u00e9m emocionalmente, por causa da condi\u00e7\u00e3o de escravo alforriado de mulato altivo.\u00a0 Dedicava-se freq\u00fcentemente \u00e0 leitura, lendo preferentemente a B\u00edblia, de onde tirava tamb\u00e9m inspira\u00e7\u00e3o para suas figuras, e livros de anatomia, onde procurava, al\u00e9m de li\u00e7\u00e3o para seu trabalho, pontos de refer\u00eancia para o conhecimento de sua doen\u00e7a. Era cat\u00f3lico, ia sempre \u00e0 missa na igreja de Ant\u00f4nio Dias, carregado numa cadeira ou no ombro de um escravo. Viveu, em seus \u00faltimos anos, com sua nora, a parteira Joana Lopes. Sua vida extinguiu-se em 18 de novembro de 1.814, aos 76 anos.Aleijadinho foi um homem visceralmente barroco, vivendo num cen\u00e1rio barroco, utilizando mat\u00e9ria-prima barroca, numa \u00e9poca barroca de ambiguidades barrocas: ele era o homem certo, o artista predestinado. Sua obra impressiona n\u00e3o s\u00f3 pela beleza, mas tamb\u00e9m pela quantidade.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Esse mulato de g\u00eanio lavrou na pedra-sab\u00e3o todos os nossos pecados, as nossas lux\u00farias todas, e esse tropel de desejos e essa \u00e2nsia de ir para o c\u00e9u e de ficar mais na terra; Era uma vez um Aleijadinho, n\u00e3o tinha dedo, n\u00e3o tinha m\u00e3o, raiva e cinzel l\u00e1 isso tinha, era uma vez [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-98","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.congonhas.mg.gov.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/98","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.congonhas.mg.gov.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.congonhas.mg.gov.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.congonhas.mg.gov.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.congonhas.mg.gov.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.congonhas.mg.gov.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/98\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":713,"href":"https:\/\/www.congonhas.mg.gov.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/98\/revisions\/713"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.congonhas.mg.gov.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}