{"id":57734,"date":"2026-09-19T08:00:01","date_gmt":"2026-09-19T11:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.congonhas.mg.gov.br\/?p=57734"},"modified":"2026-09-18T11:41:59","modified_gmt":"2026-09-18T14:41:59","slug":"orgulho-congonhense-walla-capelobo-leva-a-arte-de-congonhas-para-exposicoes-no-brasil-e-no-exterior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.congonhas.mg.gov.br\/index.php\/orgulho-congonhense-walla-capelobo-leva-a-arte-de-congonhas-para-exposicoes-no-brasil-e-no-exterior\/","title":{"rendered":"Orgulho congonhense: Walla Capelobo leva a arte de Congonhas para exposi\u00e7\u00f5es no Brasil e no exterior"},"content":{"rendered":"<p>Aos 34 anos, a artista visual congonhense Walla Capelobo construiu uma trajet\u00f3ria que conecta mem\u00f3ria, natureza, paisagem, minera\u00e7\u00e3o e quest\u00f5es relacionadas \u00e0 extin\u00e7\u00e3o. Nascida em Congonhas, ela hoje vive e trabalha em Berlim, na Alemanha, e j\u00e1 apresentou trabalhos em importantes espa\u00e7os de arte no Brasil e no exterior. Entre eles est\u00e3o a Bienal de Gwangju, na Coreia do Sul, e o Instituto Inhotim, em Minas Gerais.<\/p>\n<p>Apesar de viver longe da cidade onde nasceu, a cidade permanece presente em sua produ\u00e7\u00e3o. A inf\u00e2ncia passada no munic\u00edpio, as montanhas, a natureza e at\u00e9 a terra do quintal da casa dos pais aparecem como refer\u00eancias para a constru\u00e7\u00e3o de mundos e possibilidades em seus trabalhos. \u201cMeu trabalho atual continua um pouco essa l\u00f3gica de criar mundos e possibilidades de rela\u00e7\u00f5es que \u00e0 primeira vista parecem ser imposs\u00edveis\u201d, conta Walla.<\/p>\n<p>Para a artista, a rela\u00e7\u00e3o com Congonhas tamb\u00e9m passa pela tradi\u00e7\u00e3o cultural e art\u00edstica do munic\u00edpio. Uma de suas refer\u00eancias \u00e9 a Sala dos Milagres, localizada ao lado do Santu\u00e1rio do Bom Jesus de Matosinhos. A ideia de registrar um milagre como manifesta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica se relaciona, segundo ela, com a pr\u00f3pria maneira como constr\u00f3i suas obras.<\/p>\n<p>A paisagem congonhense e a presen\u00e7a da minera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m fazem parte desse percurso. Crescer pr\u00f3ximo a uma barragem de rejeitos e acompanhar as transforma\u00e7\u00f5es do territ\u00f3rio influenciaram sua percep\u00e7\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre natureza, cidade e atividade mineradora. \u201c\u00c9 imposs\u00edvel ser uma artista e crescer pr\u00f3ximo a uma barragem de rejeitos e ignorar essa realidade\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Essas quest\u00f5es aparecem em trabalhos que discutem mem\u00f3ria e extin\u00e7\u00e3o. Para ela, preservar lembran\u00e7as \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de enfrentar o medo do esquecimento. As mem\u00f3rias da inf\u00e2ncia, da fam\u00edlia, da terra e dos animais que fizeram parte de sua vida se transformam em mat\u00e9ria para a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica.<\/p>\n<p>\u201cTrabalhar com mem\u00f3ria contra a extin\u00e7\u00e3o, que significa o n\u00e3o encarnar mais, o esquecimento, \u00e9 uma maneira que encontrei de experienciar meus medos de forma simb\u00f3lica. \u00c9 um jeito de enganar o tempo feroz da vida\u201d, explica.<\/p>\n<h3><strong>De Congonhas para a Coreia do Sul<\/strong><\/h3>\n<p>Em 2026, a artista levou uma dessas reflex\u00f5es para a Bienal de Gwangju, na Coreia do Sul, com a obra <em>Suficientemente grande para cruzar todo o planeta<\/em>. O trabalho aborda a \u201ccongonha\u201d, planta amea\u00e7ada no Cerrado mineiro, e estabelece rela\u00e7\u00f5es entre territ\u00f3rio, min\u00e9rio de ferro, hist\u00f3rias de trabalhadores e os fluxos globais associados \u00e0 minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo da obra faz refer\u00eancia a um poema da escritor e poeta norte-americanos Audre Lorde. Para Walla, a ideia de cruzar o mundo n\u00e3o est\u00e1 necessariamente relacionada ao deslocamento f\u00edsico, mas \u00e0 capacidade de hist\u00f3rias, ideias e experi\u00eancias ultrapassarem fronteiras. A recep\u00e7\u00e3o do trabalho na Coreia do Sul, segundo a artista, mostrou que uma quest\u00e3o ligada a Congonhas tamb\u00e9m pode dialogar com p\u00fablicos de outras partes do mundo.<\/p>\n<p>\u201cMeu trabalho atravessa v\u00e1rias realidades ao expor situa\u00e7\u00f5es locais como parte da coreografia sinistra do capitalismo globalizado\u201d, afirma.<\/p>\n<h3><strong>Animais amea\u00e7ados e a mem\u00f3ria como resist\u00eancia <\/strong><\/h3>\n<p>Outro trabalho apresentado em 2026 foi <em>12 fantasmas<\/em>, no Inhotim. A obra aborda animais amea\u00e7ados pela expans\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o em Congonhas e parte da preocupa\u00e7\u00e3o da artista com a preserva\u00e7\u00e3o da vida em diferentes formas.<\/p>\n<p>Walla explica que seu objetivo \u00e9 provocar uma reflex\u00e3o sobre o valor atribu\u00eddo \u00e0s diferentes esp\u00e9cies e sobre as vidas que desaparecem sem necessariamente serem percebidas pela sociedade. \u201cGostaria de preservar o senso de valor por todas as vidas\u201d, diz.<\/p>\n<p>Para ela, a arte pode contribuir para ampliar a capacidade de imaginar outros futuros. A imagina\u00e7\u00e3o, nesse sentido, n\u00e3o aparece apenas como elemento de cria\u00e7\u00e3o, mas como possibilidade de pensar caminhos diferentes para a rela\u00e7\u00e3o entre sociedade, natureza e territ\u00f3rio. \u201cS\u00f3 experienciamos o que conseguimos imaginar antes, sem imagina\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe futuro\u201d, afirma.<\/p>\n<h3><strong>Uma trajet\u00f3ria que come\u00e7ou em Congonhas<\/strong><\/h3>\n<p>A artista reconhece que sua trajet\u00f3ria tamb\u00e9m foi constru\u00edda a partir de oportunidades e do apoio recebido ao longo da vida. Ela estudou na Universidade Federal do Rio de Janeiro e, ainda na adolesc\u00eancia, aprendeu ingl\u00eas, experi\u00eancia que considera importante para sua aproxima\u00e7\u00e3o com oportunidades no exterior.<\/p>\n<p>Mas, ao falar sobre o que possibilitou sua caminhada, Walla destaca principalmente a fam\u00edlia. \u201cMinha fam\u00edlia, n\u00e3o conseguiria nada sem eles. Tenho orgulho do ser que eles me fizeram ser. Da sensibilidade que aprendi com eles e de todo amor que recebi que me proporciona ser quem sou hoje.\u201d<\/p>\n<p>Mesmo depois de viver e trabalhar em diferentes lugares, Congonhas continua sendo, para ela, um ponto de refer\u00eancia afetiva. \u00c9 a cidade onde nasceu, onde sua fam\u00edlia vive e onde passou grande parte da vida. \u201cEnxergo com carinho e saudades. \u00c9 o lugar onde eu sei que poderei estar tranquila como nenhum outro lugar me proporciona, \u00e9 onde eu nasci, nada \u00e9 mais importante do que isso na exist\u00eancia de algu\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p>Por Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o\/Prefeitura de Congonhas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 34 anos, a artista visual congonhense Walla Capelobo construiu uma trajet\u00f3ria que conecta mem\u00f3ria, natureza, paisagem, minera\u00e7\u00e3o e quest\u00f5es relacionadas \u00e0 extin\u00e7\u00e3o. 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