DESTAQUE EM CONGONHAS

Simulado feito em bairros próximos a barragem apontou necessidade de ajustes

26 de novembro de 2017

Sirene instalada nas proximidades da caixa d’água da COPASA no bairro Lucas Monteiro apresentou problema e terá de passar por teste em breve. 

O simulado realizado pelo grupo de trabalho que integra o Plano de Ação Emergencial de Barragens de Rejeito de Minério nos bairros Cristo Rei e Residencial, que ficam próximos à Barragem Casa de Pedra, da CSN, aconteceu na manhã deste domingo, 26. Este plano é uma exigência da legislação federal. Com previsão para soarem às 9h30, somente uma das sirenes, localizada na barragem funcionou por volta das 10h20. A que se localiza no bairro Lucas Monteiro apresentou problema técnico.

A partir da mensagem emitida, foram realizadas três outras atividades: escuta em diversos pontos daquela região da cidade, deslocamento pelas rotas definidas e verificação do tempo de resposta, em caso de acidentes.

O ponto de apoio e coleta de informações foi instalado na sede da APAE no Dom Oscar, onde, a exemplo do que ocorreu no Residencial e no Cristo Rei, posicionaram-se ambulâncias com equipes médicas, unidade do Corpo de Bombeiro, de Trânsito, da Guarda Municipal, da Polícia Militar, entre outras. O SAMU também estava de sobreaviso.

Enquanto isso equipes orientavam, desde às 8h30, os moradores do Residencial e do Cristo Rei. Outras estavam nos 56 pontos estratégicos de avaliação da escuta da sirene e testando as seis rotas de fuga preparadas.

A Prefeitura e a CSN são as responsáveis pela execução do Plano de Ação Emergencial de Barragens de Rejeitos de Minério em Congonhas, criado recentemente. Segundo os organizadores, o simulado foi importante, principalmente por ter apontado ajustes que precisam ser feitos.

Do ponto de apoio e coleta de informações, os secretários municipais de Meio Ambiente, Neylor Aarão, e de Gestão Urbana, Sandro Cordeiro, juntamente com a Defesa Civil, a Guarda Municipal a Diretoria de Trânsito e profissionais da Saúde, a equipe da CSN, inclusive como o gerente de Segurança e Saúde Ocupacional, Eduardo Sanches, além de representantes da Devesa Civil Estadual, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Departamento Nacional de Produção Mineral, o Ministério do Trabalho e do Núcleo de Emergência Ambiental do Governo do Estado acompanharam todo o movimento das equipes e da população via equipamento de rádio.

“Mesmo a sirene de Casa de Pedra demorou a funcionar, porque houve problema de reconfiguração do sistema, o que atrasou o teste. Este identificou esta e outras dificuldades que precisam ser eliminadas. Pode ser que haja necessidade de instalar mais sirenes e em mais locais para que toda a comunidade dos bairros próximos a barragem possam ouvi-la em som alto e claro. Com informações como esta em mãos e reunidos novamente com este grupo de trabalho na próxima terça-feira, 28, poderemos avaliar se haverá necessidade de mudança de placas de sinalização e se as rotas e o tempo de deslocamento estão adequados, por exemplo. Faremos uma análise crítica de todas as reclamações levantadas neste domingo, para que a gente possa melhorar o processo e adequá-lo para a necessidade. Cabe aqui elogiar a maturidade da comunidade, que assimilou bem o teste e ofereceu contribuições”, afirmou o gerente de Segurança e Saúde Ocupacional na CSN, Eduardo Sanches. Os moradores dos dois bairros responderam a uma pesquisa que apontará, na avaliação deles, o que deu certo e o que precisa melhorar para o segundo simulado.

Entre os dados apresentados ainda neste domingo pela organização do simulado feito nos bairros próximos à Barragem Casa de Pedra estão o tempo gasto de resposta nas rotas estipuladas: Rota 1 no Residencial: 7 minutos; Rota 2 no Dom Oscar: 7 minutos e 20 segundos; Rota 3 na Escola M. Pingo de Gente, também no Dom Oscar: 6 minutos e 15 segundos; Rota 4 no Residencial: 5 minutos e 49 segundos; Rota 5 na praça do Dom Oscar: 6 minutos e 16 segundos. Sobre os 56 pontos de escuta, ainda será feito um melhor levantamento das informações, para se saber onde a mensagem foi ouvida em sem alto e claro.

O secretário de meio ambiente da Prefeitura, Neylor Aarão, diz que a Barragem Casa de Pedra é um problema que a cidade tem de enfrentar. “Demos o primeiro passo para garantir a segurança das pessoas, com a criação e implementação deste plano na cidade. Buscamos mudar a cultura de prevenção, que não existe no nosso país. Toda cidade mineradora, principalmente as que possuem barragem, vão passar a ver isso de maneira diferente a partir dessa nossa experiência. Com relação ao simulado deste domingo, não vejo como problema o que aconteceu, o teste vale para que sejam feitos ajustes técnicos com relação à sirene, mobilidade das pessoas, utilização dos meios de comunicação”, diz.

Este grupo de trabalho pretende acompanhar e conscientizar os moradores da cidade da importância da prevenção em casos como este. “Esta é uma questão cultural com a qual a comunidade não está acostumada. Os trabalhadores da mineração sempre passam por treinamento como estes. Nossa ideia é de iniciar pelas escolas. Este trabalho irá tratar de outras eventualidades, como o período de temporais e cheias nos rios, por exemplo”, completa.

O presidente da Associação dos Moradores do Bairro Residencial, Warley Ferreira Costa Braúna, disse ao final do simulado que aguarda a resolução do problema com a sirene localizada no bairro Lucas Monteiro para que seja feito um novo teste. Ele espera também pelo detalhamento das informações do simulado, que serão apresentadas na reunião da próxima terça-feira, 28.