Jubileu ajuda os moradores de Congonhas a driblarem a crise
13 de setembro de 2017As barracas de venda de artigos em geral atraídas a Congonhas pelo Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos favorecem a população, que encontra grande variedade de produtos a preços baixos. A presença de centenas de ambulantes e romeiros cria a oportunidade também muito aguardada para que congonhenses saiam pelas ruas com cestas de quitanda e salgados e isopores com sucos, água e até cerveja. Em um período de crise econômica, esta costuma ser a única fonte de renda para muitas famílias ou a chance de complementar o orçamento. Mas tanta gente circulando pela cidade favorece ainda a diversos ramos do comércio.
Luiz Carlos Vieira e a esposa Lucimery Dutra, do Boa Vista, sempre compram artigos de cama, mesa e banho para eles e os dois filhos nas barracas do Jubileu. “Passamos o ano aguardando este período pra vir comprar. O preço é mais baixo e a variedade de produtos é grande. O dinheiro tá sumido, mas acho que este ano está melhor para comprar”, avalia. A filha Amanda também garante utensílios próprios dos jovens, como óculos coloridos e outros utensílios pessoais.
Sônia de Fátima Nascimento, da Vila São Vicente, compra roupas em geral nas barracas do Jubileu. “Aproveito para levar lençol, calça, meia, bermuda e camiseta para o filho que gasta muita roupa. Os preços estão mais em conta. É bom ter esta oportunidade nesta época do ano”.
Maria Ferreira de Moura, de Visconde do Rio Branco, na Zona da Mata, vem todo ano a Congonhas em excursão para a festa e sempre reserva algum dinheiro para comprar nas barracas para ela e o irmão.
Em entrevista concedida em agosto deste ano ao programaParticipovo, da Rádio Congonhas, o presidente do SindComércio de Congonhas, José Geraldo de Oliveira Motta (Totó), lembrou que o comércio de ambulantes no Jubileu está arraigado à cultura da cidade e que a festa possibilita a muitos comerciantes da cidade também boas vendas. “O Jubileu faz parte da tradição da cidade, é preciso assimilar isso, não tem jeito de acabar. O que pedimos à Prefeitura é que faça prevalecer o período de licença de funcionamento das barracas. E muitos comerciantes da cidade ganham dinheiro no Jubileu, a área de alimentação, de artesanato, por exemplo, e as próprias lojas de roupa costumam vender para os romeiros, que, às vezes não encontram o produto que querem nas barracas, e aí passam na loja e compram. Uma conquista nossa um tempo atrás foi termos conseguido levar o início das barracas para a Ladeira, em vez de começar na praça dos bancos, o que melhorou inclusive o trânsito da cidade”.
Um troco a mais
Cláudia Santos, 34 e a filha Carla, 14, sobem e descem a Ladeira várias vezes ao dia vendendo café, suco, pão com manteiga e bolo. Assim completam o orçamento da família, que é garantido também pelo o que faturam na lanchonete, onde neste período fica uma outra filha. “Estamos vendendo bem, as pessoas não deixam de comer, mesmo na crise. Estamos aqui de manhã com o café, depois servimos o marmitex e voltamos com café e suco à tarde, ou seja, trabalhamos de 8h às 17, do dia 7 até 14 de setembro”, diz a mãe ambulante, que brinca com o fato de já ter perdido 3 quilos por estes dias.
Há seis anos, Ênio Assunção aproveita as horas de folga do trabalho fixo para refrescar as pessoas com refrigerante, cerveja e água mineral. “Este dinheiro que tiro aqui com o isopor dá para salvar um presente, uma roupinha, um calçado melhor e o leite das crianças. Não tenho do que reclamar, graças a Deus. A cerveja sai mais à noite, que é quando as pessoas se sentem mais à vontade para toma-la. A quinta-feira, 7 de Setembro, foi o melhor até agora para as vendas, mas este próximo final de semana também promete [previu nessa terça, 12]”.
