Prefeito apresenta na Câmara plano de governo e condições de obras e equipamentos
26 de março de 2025O prefeito de Congonhas, Anderson Cabido, participou da 8ª Reunião Ordinária de 2025 da Câmara Municipal, nessa terça-feira (25/03). Conforme reza a Lei Orgânica Municipal, o chefe do Poder Executivo deve comparecer à sede do Poder Legislativo no início de cada exercício, para apresentar as propostas para o ano e esclarecer dúvidas dos vereadores e da população. Após assumir o mandato 2025-2028 em 1º de janeiro, o novo prefeito reafirmou o compromisso de recolocar a cidade em “um caminho de crescimento e de prosperidade”. Anderson também apresentou o diagnóstico e infraestrutura de prédios públicos, que evidencia qual era o estado de precariedade de diversos equipamentos do serviço público. Estes equipamentos públicos estão sendo reformados e reestruturados.

Escolas municipais estavam com telhados caídos, mobiliário e outros equipamentos amontoados e/ou quebrados, mato alto, paredes sujas e/ou descascadas.

Uma obra de construção da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Primavera e a ampliação da unidade do Jardim Profeta, que utilizam containers, foram abandonadas meses antes do final do último mandato. Elas serão retomadas, apesar do método construtivo escolhido à época não ser considerado pela nova gestão como o ideal. Existe um contrato em vigor com cerca de 70 containers já pagos pelo Município e que terão de ser utilizados pelo atual Governo.

Parte do aterro do Conjunto Habitacional do Campinho está cedendo.
O Conjunto Habitacional do Campinho, que criou grande expectativa entre a parcela da população a que ele se destinará, configura-se em um grande desafio para a atual Administração Municipal. Os problemas estão relacionados à concepção, arquitetura, estabilidade do solo, infraestrutura, segurança e até com relação ao aspecto socioeconômico. “Chegamos com a expectativa de poder entregar ainda este ano essas casas para a nossa população, especialmente para quem ainda depende do aluguel social. Mas o terreno não recebeu a estrutura adequada antes da edificação. Estamos fazendo um estudo para saber a real condição do solo, porque parte dele está cedendo e, após perfurar 6 metros, não encontramos solo firme. Tivemos diversos problemas de projeto, assim como mudar a concepção de condomínio para bairro aberto, em virtude da condição socioeconômica de quem vai morar lá. Nem estudo de impacto de vizinhança chegou até nós. Então muito dinheiro foi desperdiçado”, explica Anderson Cabido.

O Parque Natural da Romaria (uma das ações do PAC Cidades Históricas aprovadas pelo Iphan e executadas em Congonhas), que teve sua primeira etapa de obras concluída pelo governo Zelinho e a segunda licitada no mesmo período, não ficou pronto nos últimos quatro anos e, por isso, terá de passar por uma requalificação completa.
O Terminal Rodoviário foi recebido pela atual gestão em obras e segue em curso com adequações.
No bairro Lucas Monteiro, a construção de uma praça também foi abandonada e será retomada.
No Zé Arigó, o terreno onde se pretendia construir o prédio da Fisioterapia receberá nova destinação, porque encontra-se em área de inundação.
A Quadra do Wilson, desapropriada pela antigo governo, e a quadra do Casa de Pedra, também foram recebidas sem a mínima condição de uso. Na Quadra do Wilson, atualmente acontecem as aulas de ginástica artística
A obra do Cine Teatro Leon, que estava em estado adiantado no final do governo do prefeito Zelinho em 2020, foi inaugurada somente no Jubileu de 2024 e também não recebeu os cuidados necessários. Assim, terá de passar por uma grande reforma.

As estradas vicinais calçadas com piso intertravado, muitas delas feitas às pressas no ano passado, não receberam a preparação necessária e estão se desmanchando. Ao contrário do que ocorreu durante a obra de pavimentação das estradas da Cachoeira e do Alto Maranhão, construídas entre 2005 e 2020.

Foi encontrado também um almoxarifado clandestino, localizado no bairro Joaquim Murtinho, com uma série de itens, como equipamentos, entre estes os de uso hospitalar, odontológico e de assistência social, como também material de limpeza, todos com data de validade vencida. Somente a água sanitária tem sido possível aproveitar na higienização de praças e outros espaços públicos.
“Isso nos entristeceu e preocupou, tomo muito do esforço e do tempo do nosso governo. Vivemos um período muito ruim nos últimos anos, de retrocesso, de muito atraso, de muita irresponsabilidade com o gasto público. Temos a prioridade que precisa estar acima de qualquer outra, que é o zelo com o uso do recurso público, que nos é sagrado. Nos últimos anos, ele foi tratado como se fosse inesgotável e como se pudesse ser gasto de qualquer maneira e como se as coisas pudessem ser feitas de qualquer forma e porcamente. Mas a cidade acaba pagando por isso”, lamenta o atual prefeito de Congonhas.

Fiscalização dos veículos que circulam pela área da mineração
Anderson Cabido também destacou a retomada da fiscalização dos veículos que circulam pela área da mineração, pra evitar que toneladas de pó de minério cheguem à cidade desta forma. Nos dois primeiros mandatos do atual gestor, cerca de sete toneladas do material particulado eram retiradas das ruas da área central da cidade por dia, por meio de varrição, até que este número caiu para duas toneladas diárias.
O prefeito aproveitou o assunto para dizer que todos devem respeitar as leis. “Nos últimos anos, ficamos tão afrouxados com relação à fiscalização que nossa cidade virou o local onde tudo pode. Quando não se consegue alguma coisa, lança-se mão do contato com o prefeito, vereador e outros membros dos poderes constituídos para ‘dar um jeitino’, para se livrar de uma fiscalização e de uma multa, por exemplo”.
Ao concluir o assunto, ele afirmou que os desafios de Congonhas são menos estruturais do que culturais. “A cultura do privilégio está muito mais arraigada atualmente na nossa cidade do que esteve no passado. Se não mudarmos isso, alguns vão sempre estar se beneficiando e outros nunca. As pessoas querem trabalhar na Prefeitura, porque muitos acham que lá não se trabalha, o que não é verdade. As nossas entidades também ficaram mal habituadas. O instituto da emenda parlamentar é importante, mas muitas delas começaram a usar isso como muleta, e não desenvolvem outras ações para se sustentarem. O mesmo ocorre em virtude dos repasses feitos pela Prefeitura a elas. Os repasses da Prefeitura também contribuem para isso, sendo que deveriam era incentivá-las a querer tornar-se mais produtivas. Assim Congonhas seguirá na posição 4.300 em 5.570 municípios brasileiros em eficiência do gasto público, o que gera pouco avanço na melhoria de vida da nossa população. O que transforma a cidade não são as obras, e sim a mentalidade do seu povo, por meio de uma educação de qualidade e oportunidades que a permitam encontrar seu rumo na vida. Que bom que tenhamos parceria da Câmara para fazer Congonhas mudar de patamar”.
O presidente da Câmara Municipal, Averaldo Pereira da Silva, desejou sucesso ao prefeito afirmando que “o intuído da Câmara e do Poder Executivo é impactar positivamente a vida do congonhense. Nós temos muitas ferramentas para isso, sendo um deles é um bom orçamento. Congonhas precisa somente de gestão, com isso elevaremos a qualidade de vida do congonhense. Eu me coloco à disposição para fazermos um trabalho de mãos dadas, de fato, respeitando a prerrogativa de cada um dos poderes”.
Propostas de governo
A visão geral do plano de governo, apresentado pelo prefeito Anderson Cabido aos vereadores e ao público, tem como pilares o desenvolvimento humano, o tecido social e institucional, a governança e a participação, a reconfiguração econômica e o posicionamento global.
“Temos confiança plena de que nossa cidade reúne todas as condições para se transformar de forma digna e fazermos dela um local próspero, para que a vida das pessoas melhore; justa, para cuidar de todos, sem injustiças, privilégios, para combater e eliminar as desigualdades de toda a ordem; e sustentável, afinal precisamos de um processo que respeite o meio ambiente e nossas características socioculturais. Tudo isso deve ser feito com base na austeridade, integração, inovação, participação, equidade, respeito e ousadia”.
“Queremos ser uma cidade referência em gestão, como já fomos. Congonhas precisa voltar a ser vista em nossa região e em Minas Gerais como uma das mais bem administradas. Quem a administra são suas lideranças em parceria com sua população. Este é um caminho a ser trilhado a longo prazo”, lembrou.
Na parte final da 8ª Reunião Ordinária da Câmara Municipal, o prefeito de Congonhas respondeu a diversas questões apontadas pelos vereadores. Foram mais de 7 horas entre apresentações e diálogo entre os poderes Executivo e Legislativo.
Clique em conheça o Plano de Governo (2025-2028).
