DESTAQUE EM CONGONHAS

Um espetáculo de fé: Semana Santa de Congonhas une tradição e devoção

3 de abril de 2025

A Semana Santa de Congonhas é um dos eventos religiosos mais tradicionais e emocionantes de Minas e do Brasil, reunindo fé, arte e história em uma celebração que atrai milhares de fiéis e turistas todos os anos. A cidade preserva um acervo barroco inestimável, com a Basílica do Senhor Bom Jesus, os profetas de pedra-sabão esculpidos por Aleijadinho e as Capelas dos Passos da Paixão, que servem de cenário para as encenações bíblicas realizadas ao longo da Semana Santa.
O evento acontece entre os dias 13 e 20 de abril, e é organizado pelas paróquias Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Matriz de São Jose Operário, Paróquia Mãe da Igreja, Basílica do Senhor Bom Jesus e apoio da Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Cultura. O grupo teatral “Dez Pras Oito” é responsável pelas encenações e figurado bíblico contando com mais de 300 atores, figurantes e técnicos.

Entre os destaques, o ator Amaury Lorenzo, congonhense e estrela da TV Globo, interpretará Jesus Cristo pelo terceiro ano. Sua atuação vem emocionando o público e agregando ainda mais relevância ao evento.

Programação especial

Este ano, a programação trará novidades, como a encenação da Ressurreição de Cristo no Domingo de Páscoa, dia 20 de abril, às 16h, na Basílica, reunindo trechos das cenas mais marcantes da Semana Santa.

A quinta-feira, 11 de abril, que antecede as celebrações, também contará com uma programação. Às 20h, haverá apresentação Musical “Notas da Paixão”, com o coral Santa Rita e jovens da Paróquia, na Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

Além disso, no sábado, dia 12 de abril, o Coral Cidade dos Profetas fará uma apresentação especial na Igreja da Basílica do Senhor Bom Jesus, às 20h.

No Domingo de Ramos, dia 13, na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, após a celebração da missa das 19h, será apresentada a encenação das Bodas de Caná, que promete emocionar o público.

Já na Quarta-feira Santa, 16 de abril, na Basílica, às 21h, após o Sermão, será retomada a encenação da famosa dança de Salomé no Palácio de Herodes — uma cena muito apreciada pelos fiéis.

A encenação da Paixão de Cristo acontece na Sexta-feira Santa, 18 de abril, na Basílica, excepcionalmente no horário de 18h30, e será seguida pelo Sermão do Descendimento e pela Procissão do Senhor Morto.

No Domingo de Páscoa, 20 de abril, após a missa das 10h e também após a missa das 15h, na Basílica, haverá a encenação da Ressurreição.

E, após a Procissão do Triunfo de Nossa Senhora — que sai da Basílica em direção à Matriz às 18h — acontecerá a tradicional encenação da Assunção de Nossa Senhora, realizada na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, proporcionando um encerramento de grande significado para a celebração.

A força da tradição e dos seus protagonistas

A semana é um acontecimento que envolve centenas de pessoas, desde os atores no palco até os bastidores, onde há um minucioso trabalho de confecção de figurinos, cenários e adereços, como explica o diretor cênico, José Félix Junqueira, o Zezeca.

Um dos participantes destaque é Geraldo Caleffi, chef de cozinha e ator, que integra as encenações desde 2001.
“Minha trajetória começou com muita dificuldade, pois, pela idade, não me encaixava nos papéis. Até que, um dia, Zezeca me convidou para os ensaios, e desde então nunca mais parei. Já interpretei diversos personagens, como Simão Pedro, João Batista, Herodes Antipas e Simão Cirineu, além de atuar nos bastidores, ajudando na criação de cenários, maquiagem e adereços”, conta.

Atualmente, ele interpreta Herodes Antipas, o governante que interrogou Jesus antes da crucificação. “É um papel desafiador, pois Herodes representa a arrogância e a cegueira espiritual. Minha missão é transmitir ao público a tensão e a injustiça desse momento tão crucial da história de Cristo”. Para ele, a preparação vai além dos ensaios teatrais. “Cada encontro é também um momento de oração e reflexão. Como cristão evangélico, vejo esse trabalho como um chamado. Nossa missão é evangelizar através da arte, levando uma mensagem de fé para todos que acompanham as encenações.”

Outro nome fundamental na tradição da Semana Santa é Carmem Célia Gomes, que interpreta Verônica, personagem que canta o “Oh Vos Homene” ao se deparar com Cristo carregando a cruz. “Ser Verônica é uma honra e uma responsabilidade. Essa tradição está na minha família há gerações”. A cantora, em sua pesquisa de Mestrado, registrou a versão tradicionalmente cantada em Congonhas e resgatou o “Canto das Heus” — também original da cidade —, entoado por três mulheres em resposta ao canto da Verônica.

Nos bastidores, um trabalho fundamental para o espetáculo acontecer é a confecção dos figurinos e armaduras, responsabilidade de Anderson Galdino. Ele começou sua trajetória nos anos 90 como soldado romano na guarda da Matriz e, ao longo dos anos, assumiu diferentes papéis e responsabilidades. “Sempre busquei inspiração nos épicos do cinema para confeccionar as armaduras e figurinos, que considero essenciais para manter viva a tradição e tornar as apresentações mais realistas. Utilizo materiais variados, como napa, tintas e crina de cavalo reaproveitada, para criar peças que tragam autenticidade ao espetáculo”, explica.

Com um número estimado de 20 mil participantes ao longo dos dias, a Semana Santa de Congonhas é mais do que uma tradição: é um espetáculo de fé, arte e cultura que emociona e transforma a vida de todos que dela participam.

Minas Santa

Além de sua grandiosa programação local, Congonhas foi um dos destaques da programação especial Caminhos da Fé: Tradições Mineiras da Semana Santa, promovida pelo programa Minas Santa, que acontece entre os dias 2 e 6 de abril no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. O evento é uma oportunidade de levar ao público da capital a força da tradição e da devoção da Semana Santa congonhense.

Nessa quarta-feira, dia 2 de abril, o Grupo de Teatro Dez Pras Oito, de Congonhas, apresentou o espetáculo “O Cálice da Amargura. A peça retratou o encontro de Jesus com as mulheres de Jerusalém, misturando teatro e música sacra, e transmitiu a intensidade e a espiritualidade deste momento da Paixão de Cristo.
A Prefeitura de Congonhas, por meio da Secretaria de Turismo, integra o programa Minas Santa, promovido pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), da Fundação Clóvis Salgado e da Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop), e conta com o apoio da Cemig, Federação dos Circuitos Turísticos (Fecitur), Associação Mineira de Municípios (AMM), Rede Estadual de Gestores Municipais de Cultura e Turismo e Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais.

Programa Semana Santa Congonhas 2025 (1)

Por Secretaria de Comunicação/Prefeitura de Congonhas