DESTAQUE EM CONGONHAS

Especialistas alertam sobre riscos digitais e radicalização juvenil durante Fórum Integrado de Segurança Pública e Educação

10 de outubro de 2025

Nesta sexta-feira, 10 de outubro, Congonhas sediou o Fórum Integrado de Segurança Pública e Educação, evento que reuniu autoridades municipais, representantes das redes municipal e privada de ensino, Polícias Federal e Penal, Guarda Civil Municipal e especialistas da área de segurança, no Teatro Dom Silvério Gomes Pimenta.

A secretária municipal de Educação, Marcilaine Lana, abriu o evento destacando a importância da união entre educadores, famílias e forças de segurança. “A educação é a base da transformação social. E quando aliada à segurança pública, torna-se capaz de proteger o presente e garantir o futuro das nossas crianças e jovens”, afirmou.

O secretário municipal de Segurança Pública e Trânsito, José Roberto da Costa, ressaltou o compromisso da pasta em fortalecer ações preventivas. “Este fórum é o ponto de partida para novas parcerias entre a comunidade escolar e as forças de segurança”.

O agente da Polícia Federal Carlos Frederico Felício Fagundes conduziu uma palestra de grande impacto sobre “O uso indiscriminado das redes sociais pelo público infantojuvenil: preconceito, ódio e a constituição de um potencial agressor”.

Durante sua apresentação, o especialista explicou como o uso excessivo e desorientado da internet pode gerar isolamento social, dependência emocional, distorção de valores e perda de empatia. Ele exibiu dados recentes sobre o tempo médio de exposição de crianças e adolescentes às telas e os efeitos comportamentais observados.

“As redes sociais oferecem uma vitrine de aprovação constante. Quando um jovem passa a medir seu valor pelo número de curtidas ou pela aparência idealizada de outros, cria-se um terreno fértil para frustrações e sentimentos de inadequação”, destacou.

Ele também alertou sobre os discursos de ódio e os grupos de intolerância que circulam nas plataformas digitais, muitas vezes camuflados em comunidades aparentemente inofensivas. “O que começa como uma brincadeira ou um meme pode se transformar em discurso de ódio e incitação à violência. Precisamos ensinar nossos jovens a reconhecer os limites entre a liberdade de expressão e o desrespeito.”

Ele defendeu uma atuação conjunta entre escolas e famílias no monitoramento consciente e no diálogo aberto sobre o uso da internet. “A presença dos pais e professores é essencial. Cuidar não é vigiar, é acompanhar”.

O subsecretário de Integração da Segurança Pública de Minas Gerais, Dr. Christian Vianna de Azevedo, trouxe uma abordagem ampla e sensível sobre “Os riscos da exposição de crianças e adolescentes às redes sociais, com ênfase no avanço do neonazismo no Brasil e no uso de tecnologias emergentes”.

Durante sua fala, ele destacou como a ausência de vínculos afetivos e o isolamento social podem tornar adolescentes vulneráveis a processos de manipulação e recrutamento por grupos extremistas, especialmente em ambientes virtuais de difícil rastreamento.

“A radicalização, hoje, não acontece apenas em espaços físicos. Ela nasce no ambiente digital, silenciosamente, por meio de discursos que oferecem identidade e pertencimento a quem se sente invisível. O acolhimento é o antídoto mais eficaz contra o extremismo”, pontuou.

O palestrante também apresentou casos estudados em que jovens brasileiros foram cooptados por grupos extremistas através de jogos online e fóruns anônimos, alertando sobre a necessidade de políticas públicas que incluam educação digital crítica e fortalecimento dos vínculos comunitários.

“A resposta não é o medo, e sim a informação. A escola e a família precisam trabalhar juntas para desenvolver senso crítico, empatia e responsabilidade. É preciso formar cidadãos que saibam reconhecer o perigo da intolerância e valorizar o diálogo e o respeito.”

Por Secretaria de Comunicação/Prefeitura de Congonhas