DESTAQUE EM CONGONHAS

Brincadeira, arte, cultura e inclusão marcaram o fim de semana de celebração às crianças em Congonhas

14 de outubro de 2025

O fim de semana em Congonhas foi recheado de atividades culturais e inclusivas. De sexta a domingo, o Festival Palácio Para Todos Itinerante reuniu diversas ações no Museu de Congonhas, no Teatro Dom Silvério e na Romaria. A iniciativa trouxe o diferencial da acessibilidade total, com atividades adaptadas para crianças atípicas, neurodivergentes e pessoas com deficiência.

Na sexta, o destaque foi a abertura da exposição Tocar e Sentir de Eni D’ Carvalho. Uma Exposição Sensorial de Obras Táteis, cujas peças são do acervo de obras que fizeram parte da exposição da artista no Lowe Midtown East, Hall de Entrada da Sede das Nações Unidas e sede social da ONU, em Nova York.

No sábado, FIOTIM – Museu em Movimento trouxe arte, cultura e sensibilidade para crianças de todas as idades. Além da instalação que mescla elementos de circo e parque de diversões, Jorge Nascimento, idealizador do projeto, convidou ainda outros artistas para abrilhantar a noite. Palhaços e malabares encantaram o público com uma performance repleta de bom humor. Mais tarde, no Teatro Dom Silvério, Geraldo Magela apresentou o stand-up Ceguinho é a Mãe. Prestes a completar 30 anos de sucesso, o comediante contagiou o público com uma abordagem muito bem humorada sobre o dia a dia dos deficientes visuais. De uma forma leve, Magela levantou questionamentos e provocou no público uma reflexão importante sobre empatia e respeito.

No domingo, o dia foi todinho das crianças. Das 10h às 18h, a Romaria foi o palco de atividades culturais e educativas, todas amparadas com recursos específicos de acessibilidade, permitindo a participação de todas as crianças, inclusive as atípicas, neurodivergentes e com qualquer tipo de deficiência. Entre as várias atividades oferecidas ao longo do dia, destacaram-se as oficinas de musicoterapia, culinária e sensorial, oferecidas por profissionais que já possuem vasta experiência no atendimento a crianças atípicas e pessoas com deficiência. “Foi muito boa essa oportunidade, esse espaço oferecido para as crianças nessa data tão especial. Nós que somos pais de autistas muitas vezes não conseguimos proporcionar a eles esse momento de alegria e diversão, justamente porque os eventos não são adaptados para as necessidades deles. E aqui, além de toda acessibilidade, tivemos o apoio de profissionais que sabem exatamente como acolher nossos filhos”, destacou Fernanda Souza Ferreira, mãe de Lara Vitória, uma menina autista de 6 anos de idade.

Cerca de 50 crianças participaram da oficina sensorial com Aline Coelho, Terapeuta Ocupacional especialista em Integração Sensorial. “Achei super interessante trazer essa oficina para o evento, porque é uma oportunidade para crianças típicas e atípicas de experimentar um espaço sensorial, que é um local adaptado e apropriado para a regulação das crianças em meio aos diversos estímulos, principalmente os sonoros, que um evento costuma oferecer e pode sobrecarregar a criança; e na oficina nós trabalhamos também o sensorial, ela foi voltada para a descoberta dos sentidos, de uma forma prazerosa e lúdica, em formato de brincadeiras e foi um sucesso!”, destaca Aline.

A oficina de culinária também foi um sucesso! As crianças experimentaram alimentos diferentes e colocaram a mão na massa literalmente. Virginia Machado, nutricionista especialista em seletividade alimentar, proporcionou aos pequenos um encontro leve e prazeroso com os alimentos, despertando o interesse das crianças por meio dos 5 sentidos. Virgínia comentou que a iniciativa “foi uma oportunidade imensa de mostrar o meu trabalho, que é voltado para crianças que têm algum tipo de dificuldade de se alimentar e se relacionar com os alimentos de forma ampla e inclusiva. Então eu considero a participação em oficinas culinárias como essa, em eventos grandes como esse, como um primeiro passo de um grande sonho que eu tenho, que é poder levar essa forma de nutrição leve e gentil e acolhedora para várias crianças”.

As crianças também tiveram contato com a música, por meio da oficina de musicoterapia, oferecida por Josiane Dutra, que é professora de música na Apae. Em um espaço repleto de instrumentos, as crianças puderam conhecer diversos sons, tocar e sentir os efeitos terapêuticos da música, que é também uma grande aliada no desenvolvimento cognitivo e social de crianças neurodivergentes, estimulando a fala, a concentração e a socialização. “Eu achei muito importante ter essa oportunidade de mostrar o universo da musicoterapia para as crianças, uma iniciativa onde todas as famílias foram incluídas. Ter esse olhar para o outro, essa representatividade, para acolher as crianças autistas e com outras deficiências afins, é necessário em nossa cidade. É também importante para nós, para os artistas da cidade, abrir esse espaço para que os outros profissionais possam ter esse horizonte da inclusão, não só na música, mas em todas as ações culturais, promovendo a inclusão de todos nas manifestações artísticas, e assim, espero que esses eventos se propaguem por toda a cidade”, comentou.

Frederico Torres, produtor cultural da Cultura Criativa, realizadora do Festival Palácio para Todos, conta que a ideia de produzir um evento acessível e inclusivo surgiu de uma questão pessoal. Pai de um menino autista de 7 anos, Frederico começou a pesquisar sobre a condição e percebeu uma grande falha em eventos culturais, principalmente aqueles voltados para crianças: a falta de acessibilidade. Assim, surgiu o projeto Palácio para Todos Itinerante, que tem o objetivo de levar arte, cultura e entretenimento às cidades e que para isso conta com o patrocínio da Cemig. “Eu percebi uma demanda muito grande da população e das cidades por iniciativas mais inclusivas e também por parte dos governos e patrocinadores, além de uma necessidade de espaço para a classe artística; por isso a gente procura, nesse festival, trabalhar a inclusão das pessoas com deficiência não só pensando no público, com medidas de acessibilidade, mas também de outras formas, como dando oportunidades aos artistas para subirem ao palco e serem protagonistas, além de pensar a acessibilidade estrutural dos equipamentos culturais não só para o evento, mas de forma mais macro, com um olhar de longo prazo”, ressalta.

Para completar toda essa festa com muita arte e cultura, o festival Palácio Para Todos Itinerante contou com a ilustre participação do FIOTIM – Museu em Movimento, uma intervenção urbana itinerante que mistura artes visuais, teatro, circo e literatura popular. Neste espaço, crianças de todas as idades se encantaram com as brincadeiras inspiradas no circo e nos parques de diversões e com as miniaturas de obras do Inhotim, maior museu de arte contemporânea a céu aberto da América Latina. A instalação do artista mineiro Jorge Fonseca já foi apresentada em mais de 10 festivais de cultura e arte por todo o Brasil e promove, além do encantamento, uma reflexão sobre acessibilidade estrutural e social, uma vez que brinca com a questão do museu na rua, diante dos olhos do povo. “O FIOTIM tem na sua essência a inclusão total, principalmente de quem nunca frequentou um museu de arte ou uma galeria, espaços que normalmente são mais elitizados; as pessoas mais simples têm uma certa reserva, acham que esses espaços não são pra elas. Por isso, o FIOTIM vai pra rua, levar o Museu para essas pessoas e principalmente com uma cara que o torna mais agradável, que é uma cara de parque e de circo. Então, quando eu soube que o FIOTIM estaria em um evento com o tema da acessibilidade, eu fiquei muito feliz”, ressaltou Jorge Nascimento.

Congonhas mostrou que quando a cultura é acessível, ela se torna um espaço de encontro, acolhimento e pertencimento — onde toda criança pode ser, sentir e viver plenamente a magia de ser criança. A primeira edição itinerante do Festival Palácio Para Todos contou com o apoio institucional da Prefeitura de Congonhas, patrocínio da Cemig, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, e realização da Cultura Criativa e do Governo de Minas Gerais.