DESTAQUE EM CONGONHAS

1º Seminário de Saúde Bucal de Congonhas demonstrou que a detecção precoce de câncer de boca pode salvar vidas

11 de novembro de 2025

 

Durante o evento, representantes do estado e do CRO destacaram o atendimento odontológico ofertado à população na Atenção Primária e no Centro de Especialidades Odontológicas de Congonhas

 

 Com participação de profissionais da saúde, autoridades, alunos de odontologia, convidados e a comunidade em geral, o 1º Seminário da Saúde Bucal do Município de Congonhas promoveu aprendizado, reflexão e troca de experiências. O evento, realizado no último sábado (08/11), no Cine Teatro Leon, integrou as ações da Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal, uma campanha instituída pela Lei nº 13.230 de 2015. Esta tem como objetivos estimular ações preventivas e campanhas educativas sobre o câncer bucal; promover debates e eventos voltados às políticas públicas de atenção integral aos portadores da doença; apoiar as iniciativas da sociedade civil em favor do controle do câncer bucal e difundir os avanços técnico-científicos relacionados ao tema.

Sob o tema “Prevenção do Câncer de Boca”, o seminário reforçou o compromisso dos profissionais da área e da sociedade com a promoção à saúde, a conscientização e o diagnóstico precoce.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), entre 2023 e 2025, surgiram cerca de 15,1 mil novos casos por ano, sendo 72% em homens. Os diagnósticos ocorrem de forma tardia, o que reduz as chances de cura e aumenta a complexidade dos tratamentos.

Palestras

Dr. Fabrício Tinôco Alvim de Souza, professor adjunto no Departamento de Clínica Odontológica da Faculdade de Odontologia da UFJF, apresentou o tema “Câncer de Boca e o Sistema Único de Saúde (SUS)”. Segundo ele, “o cidadão precisa fazer o autocuidado, principalmente o usuário de tabaco, para reduzir e, se possível, cessar a doença, porque este é o hábito deletério principal do desenvolvimento do câncer de boca. Se identificar qualquer alteração na boca, ele deve procurar uma UBS para ser avaliado por um profissional”.

 

 

Dra. Jôice Dias Corrêa, especialista em Periodontia, mestre em Estomatologia e doutora em Biologia Celular, pós-doutora em Odontologia e professora na graduação e pós-graduação do curso de Odontologia da PUC Minas, abordou o “Câncer de Boca: da prevenção ao tratamento – o que todos devemos saber?”. “Falamos para os dentistas da rede SUS sobre a importância do acompanhamento do paciente que faz o tratamento do câncer. Ele é feito pelo clínico geral no posto de saúde. Trouxemos formas de fazer isso pelo SUS mesmo com quem faz radioterapia, quimioterapia, que realizou uma cirurgia muito invasiva. Indicamos inclusive o uso de coisas baratas, como é o caso do própolis, para melhorar a vida do paciente e ter uma reabilitação total após o tratamento do câncer”.

Renata Gonçalves de Resende, especialista em Odontologia Hospitalar – CFO, especialista e mestre em Patologia Bucal, doutora em Medicina Molecular, professora do curso de Graduação e pós-graduada em Odontologia da Faculdade Arnaldo, cirurgiã-dentista do corpo clínico do Hospital Regional de Betim, estomatologista do Hospital Metropolitano Odilon Behrens e presidente da Câmara Técnica de Odontologia Hospitalar do CRO/MG, ministrou a palestra “Consumo de cigarro eletrônico e o câncer de boca: o que sabemos?”.

“Os cigarros eletrônicos têm se tornado cada vez mais comuns na rotina das pessoas. Principalmente os mais jovens, cada vez mais, têm tido contato com os cigarros eletrônicos, também chamados de vape ou pod, o que serve de entrada para o cigarro convencional”. Como é ainda uma situação recente, pouco se sabe sobre as consequências dele sobre a mucosa oral, mas sinais de alerta já devem ser observados. Estudos conduzidos neste momento apontam que eles são capazes de induzir transformações tóxicas ao DNA do indivíduo que faz uso do cigarro eletrônico, quando possuem nicotina na sua formulação. A maior parte das pessoas que o utilizam, o fazem com nicotina”, informou.

Mas este produto tem outras implicações. “Além dos efeitos bucais em relação ao vape, temos que nos preocupar com os efeitos sistêmicos. Há várias complicações que envolvem o sistema respiratório, como asma, bronquite e até câncer de pulmão. Quando uma pessoa consome um cigarro comum, ela realiza, em média, 200 tragadas por dia. Com o vape, são cerca de 500 tragadas por dia, o que representa uma carga muito maior de nicotina por dia. Vale o alerta, precisamos observar os pacientes e disseminar informações para a nossa população”, adverte Renata.

Maria Sissa Pereira, mestre em Estomatologia, doutora em Patologia Bucal, também apresentou sua palestra “Câncer de boca: diagnóstico precoce salva vidas”.

 

Alunos do curso de Odontologia da UNA/Conselheiro Lafaiete absorveram conhecimento durante o 1º Seminário da Saúde Bucal do Município de Congonhas.

 

Ana Paula Daro Cardoso, estudante do 6º período, considerou o evento como de grande relevância. “Principalmente para, nós, os alunos da graduação. Estamos iniciando o atendimento na clínica, então é muito importante ter conhecimento sobre as lesões fundamentais, principalmente sobre o câncer de boca, visto que ele é muito frequente no Brasil e o diagnóstico precoce é muito importante para o tratamento ser finalizado com sucesso”.

Na opinião de Marciane Gabriela Alves de Souza, também do 6º período, “o Seminário em torno do Novembro Vermelho, que é uma campanha de prevenção ao câncer de boca, trouxe muita informação para o público e profissionais. Porque as pessoas precisam saber que, ao aparecimento de qualquer anormalidade na boca, precisam ir ao dentista e diagnosticar o quanto antes. Nós estamos em contato com o público na clínica, onde adquirimos vivência e a associamos à teoria aprendida na faculdade e em eventos como este”.

Congonhas na vanguarda

Crédito: Luiz Faria – Comunicação do CRO-MG

 Em 2015, O CRO concedeu ao município o prêmio de 1º lugar em saúde bucal no estado entre cidades com até cem mil habitantes. Em 2019, foi a vez da conquista do 3º lugar no Prêmio Nacional CFO de Saúde Bucal.

Representantes do Governo de Minas e do Conselho Regional de Odontologia posicionam o serviço odontológico ofertado pelo município de Congonhas há décadas como referência para o estado e o Brasil.

Crédito: Luiz Faria – Comunicação do CRO-MG

De acordo com Jacqueline Santos Silva, coordenadora da Saúde Bucal e Ações Integradas da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, “a Gestão Municipal de Congonhas reafirma o compromisso com a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de lábio e cavidade bucal e a qualidade de vida da sua população ao realizar este seminário”.

A coordenadora também explica porque considera gratificante, enquanto representante da Secretaria de Estado de Saúde, participar de um evento como este. “Este ano, os 853 municípios pactuaram a grade de referência para o diagnóstico por meio dos exames anatomopatológicos [que são análises de tecidos e células do corpo para diagnosticar doenças, como câncer ou inflamações, e identificar o melhor tratamento] e das biópsias. Ou seja, em todos os municípios, as equipes já sabem onde é o ponto de atenção responsável pelas biópsias, qual é o prestador que realiza esses exames das peças biopsiadas, quais são os hospitais da Oncologia de referência, e, muito importante, a reabilitação protética bucomaxilofacial. Atualmente, os quase 22 milhões de mineiros têm acesso garantido para este serviço nos casos de sequela de cânceres, de cabeça e pescoço, em especial de boca, de lábios e de orofaringe”.

Crédito: Luiz Faria – Comunicação do CRO-MG

O presidente do Conselho Regional de Odontologia, Raphael Castro Mota, é enfático. “Congonhas tem dado exemplo. São 23 anos fazendo a campanha ativa de prevenção e busca de conscientização sobre o câncer de saúde bucal, que é um dos mais prevalentes do Brasil e dos mais letais. Este é um câncer mutilador que deixa sequela no paciente. A questão da autoestima fica muito prejudicada, porque muitas vezes lacera parte da face. A busca que é feita em Congonhas é exemplo em todo o País. Não é à toa que a cidade já ganhou o nosso prêmio como Melhor Saúde Bucal entre cidades até cem mil habitantes e também ganhou o 3º lugar no prêmio nacional [entre 2013 e 2020]. Tivemos testemunhos de pacientes no palco deste evento sobre como foram bem atendidos na cidade e como a equipe odontológica do município está preparada para estes casos”.

Raphael Castro Mota destaca que “a rede de atenção primária é muito bem estruturada com 20 equipes de atendimento de saúde bucal e ainda conta com o Centro de Especialidades Odontológicas [CEO], que possui grandes profissionais que atuam há muitos anos, prestando esta atuação especializada”.

Dr. Fabrício Tinôco Alvim de Souza, professor da UFJF, endossa as palavras do presidente do CRO. “No Brasil de uma maneira geral, é preciso que haja investimento na Atenção Primária, que é ofertada nas unidades básicas de saúde. Então Congonhas está no caminho certo, porque há equipes de saúde bucal em todas elas. Isso é de fundamental importância para as ações de prevenção e, principalmente, para o diagnóstico precoce, que traz uma chance de vida muito maior para aquelas pessoas que são portadoras do câncer de boca”.

Eventos como este seminário cumprem a função de atualizar e aprimorar conhecimentos e habilidades ao longo da vida profissional e pessoal. “O processo de educação continuada é muito importante para chegarmos efetivamente ao SUS, na Atenção Primária, para que os profissionais possam se especializar, estarem cientes da prevalência dessas lesões e levarem para a população um melhor diagnóstico e tratamento das doenças de boca”, completa o professor da UFJF.

Presente ao seminário, o vice-prefeito Zelinho lembrou que, quando foi prefeito e antes, secretário de Saúde nos primeiros governos do atual prefeito Anderson Cabido, houve grande investimento em Atenção Básica. “Por isso, atualmente existem 20 equipes de Saúde Bucal no município, inclusive no Presídio. Poucas cidades possuem esta estrutura. Este é um trabalho que fazemos ao longo dos anos, cuidando da prevenção, porque a saúde começa pela boca. O seminário também é uma forma de prevenção, ao apresentar palestras importantes de professores da UFSJ, PUC-MG, UFMG e  contar com a participação do presidente do CRO e da coordenadora de Estado de Saúde Bucal. Em Congonhas, só não é atendido quem não quer na odontologia. Fazemos até próteses nas UBSs. Temos também o CEO, para onde os profissionais dos postos de saúde encaminham o paciente para uma das sete especialidades. Então, Congonhas está na vanguarda, tanto que tivemos este trabalho reconhecido pelo CRO e o CFO. Parabenizo aos profissionais que fazem este trabalho maravilhoso de prevenção”.

 

Também estiveram presentes ao seminário Gisele Fófano, especialista em Políticas e Gestão da Saúde e Coordenação de Redes de Atenção à Saúde (C-RAS) que atua como referência técnica em Saúde Bucal e da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (RCPD) da Superintendência Regional de Saúde de Barbacena (SRS Barbacena); além de Glayson da Silva Barbosa, presidente do Conselho Municipal de Saúde.

Os organizadores do evento sortearam brindes ofertados pelo comércio local aos participantes do 1º Seminário da Saúde Bucal do Município de Congonhas.

 

A sequência da programação da 1ª Semana de Prevenção do Câncer de Boca em Congonhas pode ser conferida em https://www.congonhas.mg.gov.br/index.php/congonhas-realiza-a-1a-semana-de-prevencao-do-cancer-de-boca/

 

Por Secretaria de Comunicação/Prefeitura de Congonhas