DESTAQUE EM CONGONHAS

“O acolhimento salva”: palestra emociona e reforça a luta pelo fim da violência contra a mulher

3 de dezembro de 2025

Como parte das ações da campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher, o Centro de Referência da Mulher (CRM) promoveu, nesta terça-feira (2), a palestra “A violência contra as mulheres no Brasil e os desafios da política de Assistência Social”, ministrada por Simone Maria da Penha de Oliveira, presidente do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Assistência Social. O encontro foi realizado no espaço multiuso do Museu de Congonhas.

O evento reuniu servidores da Secretaria de Desenvolvimento, Assistência Social e Cidadania — especialmente profissionais da rede CRAS, CREAS, CRI, CRM, membros do Conselho dos Direitos da Mulher, entidades, Polícia Militar (Patrulha de Prevenção a Violência Doméstica) e estudantes do Ensino Médio da Escola Estadual Barão de Paraopeba.

Simone Maria da Penha de Oliveira, mulher negra que vivenciou a violência doméstica, compartilhou sua trajetória marcada por coragem e resiliência. Ao relatar os abusos que sofreu durante 12 anos, destacou o papel essencial da Assistência Social em sua vida e como o acolhimento recebido transformou sua realidade.

“O abraço de Gabriela mudou a minha vida. Foi nesse dia que decidi me tornar outra mulher, comecei a pensar sobre a mãe que eu queria ser. Aproveitei todas as oportunidades para estudar, entender o sistema e trabalhar pela assistência social para mudar a realidade de outras mulheres, como mudaram a minha”, relatou.

Em sua fala, Simone também abordou a importância da atuação integrada da rede de atendimento no enfrentamento à violência contra a mulher, envolvendo não apenas os serviços do CRAS, mas também áreas como saúde e educação. Ressaltou a necessidade do acolhimento e da escuta ativa no processo de libertação das vítimas e apontou fatores essenciais para fortalecer sua autonomia.

“É importante que essa mulher tenha liberdade para fazer uma laqueadura, se assim desejar, porque se ela engravida, fica ainda mais presa ao relacionamento. É essencial que tenha acesso à creche e à escola para trabalhar e conquistar sua liberdade econômica”, destacou.

Os estudantes Adrian Miguel Martins de Paiva e Gabriel Henrique Andrade de Almeida, ambos de 16 anos, comentaram como foram impactados pelos relatos.

Adrian refletiu sobre a responsabilidade dos homens na mudança cultural:

“Como homem, ainda que jovem, senti minha responsabilidade de não permitir que essa violência se repita. Em um relacionamento, não quero e não posso agir dessa forma. É responsabilidade da nossa geração mudar essa realidade.”

Gabriel destacou a importância da empatia e do combate ao julgamento social:

“A Simone foi muito julgada, até mesmo por outras mulheres, e isso fez com que ela sofresse ainda mais. Acho que precisamos conhecer a história das pessoas antes de julgá-las.”

Em Congonhas, a campanha 16 Dias de Ativismo inclui palestras, rodas de conversa e a veiculação de mensagens de conscientização na rádio educativa e nas redes sociais da Prefeitura. A programação continua na próxima sexta-feira (5/12), quando o CRM promoverá uma roda de conversa com servidores da Secretaria de Obras, em alusão ao Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra a Mulher, celebrado em 6 de dezembro.