DESTAQUE EM CONGONHAS

Festival de Inverno de Congonhas evidencia a riqueza dos talentos locais e encerra sua programação nesse sábado

2 de agosto de 2026

Em Congonhas, cada casa tem um artista, e o Festival de Inverno é prova disso

O frio característico de julho, o riso das crianças em férias, os encontros entre amigos e famílias, a juventude dividindo espaço com quem acompanha o evento há décadas. Em Congonhas, o Festival de Inverno vai além da programação artística, ele faz parte da memória afetiva da cidade. Durante 13 dias, teatro, museu, praças e ruas foram ocupados por música, dança, cinema, exposições, oficinas e manifestações culturais que confirmaram a vocação artística do município.

Encerrado neste sábado (1º de agosto), com os shows de Carpiah e Jota Quest, o 31º Festival de Inverno consolidou mais uma edição marcada pelo encontro entre tradição e contemporaneidade. Com o tema “Mapas Urbanos, as culturas do nosso território”, o festival propôs um olhar sobre as diferentes formas de produzir, ocupar e compartilhar cultura, valorizando tanto os grandes nomes da cena nacional quanto os artistas que fazem da arte parte do cotidiano congonhense.

Além de receber atrações, Congonhas mostrou aquilo que sempre fez parte de sua identidade, uma cidade onde a arte nasce em diferentes espaços. Como resume um dos princípios que nortearam esta edição, em Congonhas há um artista em cada casa. O festival tornou visível essa riqueza cultural e ofereceu inspiração para novas gerações ao aproximar artistas locais de grandes referências da música brasileira.

Cultura que movimenta a cidade

Além da dimensão artística, o evento impulsionou a economia e diversos setores da cidade. A circulação de milhares de pessoas refletiu diretamente no comércio, na gastronomia, entre ambulantes e prestadores de serviços.

Entre os beneficiados pela movimentação do público esteve o ambulante João Bonifácio, que trabalhou durante toda a programação. Para ele, o festival representa uma importante oportunidade de complementar a renda. Segundo o vendedor, as bebidas tiveram boa procura durante os dias de evento, demonstrando como a programação cultural também fortalece o trabalho de quem atua de forma autônoma. “É uma renda extra muito importante para a gente. O movimento foi muito bom e as bebidas venderam bem durante o festival.”

Os salões de beleza também sentiram os efeitos positivos da programação. A manicure Gabriela Moreira destacou que o período representa um dos momentos de maior movimento do ano.

“Quando o Festival de Inverno se aproxima, a agenda fica praticamente toda preenchida. As pessoas querem se preparar para aproveitar os shows e os eventos. O festival movimenta não só o comércio, mas também os pequenos empreendedores, e isso faz muita diferença para quem vive desse trabalho.”

Por trás de cada apresentação, centenas de profissionais contribuíram para que a programação acontecesse com segurança e qualidade. Equipes de sonorização, iluminação e telões, produtores, técnicos, seguranças, brigadistas, Guarda Municipal, Polícia Militar, equipes de limpeza e servidores públicos atuaram diariamente para garantir o funcionamento de um dos maiores eventos culturais de Minas Gerais.

Uma programação para todos os públicos

Do rap ao pop-rock, passando pela MPB, reggae, samba, sertanejo e forró, o Festival de Inverno apresentou uma programação plural, reunindo artistas nacionais e talentos de Congonhas.

Entre os momentos mais aguardados esteve o show de Chico Chico, que apresentou o espetáculo *Let It Burn, Deixa Arder*. Em uma apresentação intimista, o cantor percorreu composições que revelam a maturidade de sua trajetória artística e dialogam com diferentes influências musicais.

Uma das grandes novidades desta edição foi o Dia da Cultura Urbana, incorporado pela primeira vez à programação principal do festival. A iniciativa colocou em evidência as manifestações culturais das ruas e dialogou diretamente com o tema da edição.

A noite começou ao som dos DJs congonhenses Juruna e Paulo Vitor, seguidos pelo Baile Charme da União das Culturas de Rua (UCR), que reuniu dança, música e expressões do universo hip-hop.

Na sequência, o rapper congonhense MC V3ll lançou o álbum *V3, Vida, Vivência e Visão*, projeto contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Nascido no bairro Campinho, o artista apresentou seu novo trabalho diante do público de sua cidade e dividiu a programação com um dos nomes que influenciaram sua trajetória musical.

O encerramento da noite ficou por conta de Djonga, que levou ao palco a turnê *Quanto Mais Eu Como, Mais Fome Eu Sinto*. Em uma apresentação marcada por música, performance e reflexões sobre identidade, ancestralidade, desigualdade e resistência, o rapper reafirmou o hip-hop como linguagem artística e instrumento de diálogo social.

Na noite de encerramento, a banda Carpiah abriu os trabalhos com um espetáculo dedicado à música mineira, revisitando sucessos de 14 Bis, Milton Nascimento, Lô Borges e outros grandes nomes que marcaram a história da música brasileira. O repertório criou um ambiente de celebração da identidade cultural de Minas Gerais e deu o tom para uma edição dedicada aos diferentes territórios da cultura.

Na sequência, milhares de pessoas acompanharam o show do Jota Quest, cantando sucessos como Dias Melhores, Fácil, Só Hoje e Do Seu Lado. A banda mineira fechou a programação em clima de muita animação, reunindo diferentes gerações na Praça de Eventos.

Entre o público estava o jovem Gabriel Bartolomeu, de 15 anos, que veio de Belo Horizonte acompanhado da família especialmente para assistir ao show. “Somos fãs da banda desde que eu era pequeno. Ficamos sabendo que eles estariam no Festival de Inverno pelas redes sociais da Prefeitura e resolvemos vir. É a primeira vez que participamos do festival e estamos gostando muito da cidade e da programação.”

Um legado que permanece

Embora os espetáculos tenham reunido milhares de pessoas, um dos acontecimentos importantes para o futuro cultural de Congonhas aconteceu dentro do Museu de Congonhas.

Durante o festival foi assinado o Termo de Fomento entre a FUMCULT e o Giramundo Teatro de Bonecos, oficializando a implantação do Museu Giramundo e da Escola Giramundo de Marionetistas em Congonhas.

A parceria prevê ainda cursos, oficinas, apresentações e ações educativas permanentes, fortalecendo o patrimônio cultural do município, ampliando a formação artística e criando novas oportunidades para futuras gerações.

Entre artistas consagrados e talentos locais, entre quem sobe ao palco e quem trabalha nos bastidores, o festival mostrou que sua maior riqueza continua sendo a própria cidade. Em Congonhas, a cultura não se limita aos palcos. Ela está nas ruas, nas comunidades, nas famílias e em cada artista que encontra inspiração para criar e compartilhar sua arte. É esse encontro entre tradição, diversidade e pertencimento que faz do Festival de Inverno um dos maiores patrimônios culturais do município.

Por Secretaria de Comunicação/Prefeitura de Congonhas