DESTAQUE EM CONGONHAS

Congonhas comemora seus 80 anos de Emancipação

6 de dezembro de 2018

A cidade de Congonhas chega aos 80 anos de Emancipação Política orgulhosa de seu passado, do seu povo e com os olhos voltados para o futuro. Com uma história forjada na fé e devoção ao Bom Jesus de Matosinhos – herança dos portugueses -, e ainda na extração mineral, o Município se prepara para, em breve, se tornar o primeiro do País a ter recuperado e revitalizado todo seu valioso acervo histórico, parte dele, reconhecido como “Patrimônio Cultural da Humanidade”. Até o próximo dia 17 de dezembro, data oficial da Emancipação, várias atividades culturais, institucionais e políticas acontecem em Congonhas, para exaltar a história daquela que ficou conhecida dentro e fora do Brasil, como a “Cidade dos Profetas”.

O povoamento das Congonhas do Campo pelo homem branco acontece, no final do século 17, com a chegada dos primeiros bandeirantes, faisqueiros, garimpeiros e ciganos de países da Europa Central. Eles se juntam ao índio e, no início do século 18, ao negro especialista em escavações. O território onde hoje se encontra Congonhas tem sua origem em disputas ainda no período Colonial. Com a criação de Vila Rica (atual Ouro Preto) para a exploração de ouro, o lado direito do ribeirão das Congonhas (atual rio Maranhão) fica com esta Comarca. Já o lado Matosinhos, segue com a Comarca do Rio das Mortes, capitaneada por São José Del Rei (atual Tiradentes) e por São João del-Rei. Em 1749, Manuel Monteiro de Barros recebe do rei português uma área que se estende atualmente de Joaquim Murtinho a Belo Vale.

A vida política de Congonhas também começa naqueles tempos com moradores como Lucas Antônio Monteiro de Barros, primeiro Barão e Visconde de Congonhas, e Romualdo Monteiro de Barros, o Barão de Paraopeba. O segundo Barão de Congonhas, Lucas Antônio Monteiro de Castro é outro que deixou seu nome nesta história quando interveio junto à Coroa na tentativa de unir os dois lados do Ribeirão das Congonhas formando o novo município, porém, acaba morrendo sem conseguir seu objetivo. A sonho de formar a nova cidade permanece quando o militar reformado Major Sabino de Souza Costa e o Bispo auxiliar de Mariana, o congonhense Dom Silvério, passam a trabalhar, sem sucesso,  para criar o distrito de Matosinhos. A missão só chega ao fim em 1923, quando Cornélio de Souza Costa, Cônego João Pio de Souza Reis e demais entusiastas conseguem unir as duas partes em uma só jurisdição, pertencente a Queluz de Minas (atual Conselheiro Lafaiete), formando o distrito de Congonhas.

Em pé, o primeiro prefeito de Congonhas, Alberto Teixeira dos Santos Filho.

A história da Emancipação política de Congonhas ainda guardava fortes emoções. No início dos anos 1930, Alberto Teixeira dos Santos Filho, o Dr. Albertinho, une forças com os Junqueira, Souza Costa, Cunha e Freitas, elegendo-se vereador pelo Distrito de Congonhas, em Conselheiro Lafaiete. Após o presidente Getúlio Vargas fechar as casas legislativas, com a instituição do Estado novo, em 1937, o vereador conseguiu apoio do amigo governador Benedito Valadares para preparar a emancipação de Congonhas.

A meta de formar o novo município seguia coordenada por uma comissão composta por moradores idealistas como Zico Junqueira, João Borges da Cunha, Juvenal de Freitas Ribeiro e o Pe. Redentorista João Muniz. Eles definem com representantes de Conselheiro Lafaiete e Ouro Preto, as terras que seriam cedidas a Congonhas para completar o território do novo município. O documento entregue pelos vizinhos, no entanto, é redigido diferente do que havia sido combinado verbalmente, de forma que o novo município de Congonhas perdesse tanto o maciço da Serra de Casa de Pedra de onde já se extraia minério como também a área que muito tempo depois receberia a Açominas, atua Gerdau. Ao perceber a manobra, Dom João Muniz refaz o documento de acordo com o combinado. No ato da assinatura, mesmo com a saia justa, ninguém ousa contradizer Dom João Muniz, preservando o território anteriormente combinado.

“Não deu no jornal”

Em 1938, depois de resolvida a questão do território suficiente para se emancipar, a população da futura cidade passa a aguardar ansiosa a notícia da emancipação. No dia combinado, o clima era de expectativa, mas, finalmente quando chegou pelo telégrafo a edição do Diário Oficial de Minas Gerais, não há nada. Inconformados e receosos sobre o que poderia estar ocorrendo, as lideranças locais se reúnem e decidem partir para a Capital para ver o que havia ocorrido. Ao chegar lá, o alívio veio com a informação: simples esquecimento de Benedito Quintino, então chefe da Divisão Geográfica do Estado. Quando o equívoco é desfeito, no dia 17 de dezembro de 1938, finalmente sai a informação da Emancipação Política de Congonhas, notícia recebida com uma grande festa pela população.

Registro da Missa de Posse do Primeiro Prefeito de Congonhas.

Surge a nova cidade, que já possuía em seu território uma história de fé e devoção simbolizada pelo acervo deixado pelo mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, no Santuário de Bom Jesus de Matosinhos. Nos anos 1940, Congonhas vive novo ciclo de desenvolvimento. Com a valorização do minério de ferro na economia mundial, em decorrência da 2ª Grande Guerra, a extração do mineral ganha força na região. A Mina Casa de Pedra torna-se, naquela época, a principal fornecedora de matéria prima da Usina Siderúrgica de Volta Redonda, a de maior porte do Brasil.

O território de Congonhas, mesmo após a Emancipação, passa por várias modificações. Em 1° de janeiro de 1944, o Distrito do Redondo (atual Alto Maranhão), que pertencia a Conselheiro Lafaiete, é anexado a Congonhas.  Já em 1978, Congonhas sofre um baque quando o Senador Murilo Badaró expede medida biônica para anexar a área da Açominas a Ouro Branco. Um ano depois, cabe ao então prefeito Altary de Souza Ferreira Júnior defender Congonhas, baseado na carta de Dom João Muniz. A estratégia dá certo, estabelecendo que a área da Açominas ficaria 86% em Congonhas e 14% em Ouro Branco. A discussão permanece até 1984, quando os dois municípios entraram em acordo. O primeiro fica com 51% dos impostos pagos pela siderúrgica e, Ouro Branco, com 49%.

Comenda Antônio Francisco Lisboa, que será entregue em 17 de Dezembro, aniversário de Congonhas, a 15 pessoas que contribuíram para o desenvolvimento do Município.

Ao longo de sua história política, Congonhas foi governada por 18 prefeitos. O atual, José de Freitas Cordeiro, o Zelinho, considera que cada um deles ofereceu valorosa contribuição para o desenvolvimento da cidade. Como parte desta história, Zelinho orgulha-se por ter participado ativamente das discussões, ainda como vereador, da negociação que evitou a perda dos 850 alqueires da área da Gerdau e a transferência das imagens em cedro das capelas dos Passos da Paixão para uma exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Na época, o Museu pegou fogo, causando a perda de todo acervo apresentado. Se Congonhas tivesse cedido as obras, a perda seria irreparável. Recentemente, já como Prefeito, a atuação de Zelinho foi decisiva, como presidente da AMIG, juntamente com o deputado federal Marcus Pestana, para a alteração do Marco Regulatório da Mineração. A aprovação da nova legislação elevou a CFEM, que é o royalty do minério, de 2% do valor líquido para 3,5% do valor bruto, trazendo um benefício enorme para as contas públicas.

Vista da cidade a partir do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, reconhecido pela UNESCO, em 1985, como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Com uma trajetória forjada na luta de seus habitantes, Congonhas se tornou a terceira cidade de Minas Gerais e quinta do País em volume de exportação de ferro. A mineração é realizada por grandes empresas como a CSN, Vale, Ferrous e Ferro+. Já a Gerdau beneficia a matéria prima em sua usina. Atualmente, busca-se transformar os recursos provenientes do minério em benefícios para a população e ainda preservar seu valioso acervo histórico, que em 1985, foi reconhecido pela UNESCO como “Patrimônio Cultural da Humanidade”. “Criamos o Museu de Congonhas, que já fortalece o turismo em nossa cidade. Construímos a UPA 24h, sete prédios de UBS e investimos no Hospital Bom Jesus. Elevamos o número de escolas de tempo integral de três para 23”, conta o prefeito.

Como o minério não dá duas safras e a tendência é, futuramente, as reservas se esgotarem, Congonhas trabalha com os olhos voltados para novas oportunidades de desenvolvimento. Diante desta perspectiva, a economia criativa surge com uma alternativa. “Estamos implementando uma política de fomento à inovação e à tecnologia, para encontrarmos soluções para os problemas atuais e criar novos negócios. Investimos em um Plano de Implementação da Política Municipal de Turismo, mas também na agroindústria”, conclui o prefeito.