DESTAQUE EM CONGONHAS

Antecipação das atrações do Carnaval de Congonhas para o dia é aprovado por foliões, músicos e agentes da segurança pública

26 de fevereiro de 2020

A Beija-Flor de Ninópolis, campeã oito vezes do Carnaval carioca nos anos 2000 até 2019, encerrou o Carnafolia 2020 de Congonhas, com um show que lotou e sacudiu o Palco Quarteirão do Samba. Além de sambas-enredo da escola, o intérprete Bacané e a bateria nota 10 do Carnaval Carioca ofereceu ao público o melhor repertório que já passou pela Marquês de Sapucaí e outros sucessos da MPB.

 

 

Durante cinco dias, congonhenses e turistas brincaram o Carnaval mais cedo, já que as atrações começavam às 14h30 e se encerravam à meia noite. O que concorreu para a maior segurança das pessoas. Segundo a Polícia Militar, foram registradas poucas e insignificantes ocorrências no período. Pelos dois postos de saúde e o de atendimento a casos relacionados à criança e ao adolescente também não passaram casos graves.

O Carnafolia 2020 é realizado pela Prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura, com apoio da Educativa FM 97.5, da Polícia Militar e de outras secretarias municipais. Para garantir o espaço ideal para a festa, O Governo Municipal e seus parceiros montaram uma verdadeira força-tarefa, que ofereceu ainda segurança alimentar, organização e preservação do espaço público, orientação de trânsito, limpeza de todo o circuito da festa, divulgação do evento, entre outros.

Sucesso na estreia

O Circuito do Samba e Pagode foi idealizado pela Comissão Organizadora do Carnafolia 2020 para atrair os foliões mais cedo para a festa, que, assim, termina mais cedo e faz cair o já baixíssimo índice de violência da festa em Congonhas. A Prefeitura preparou tablado e sistema de som para cada dia. Sábado, o samba rolou perto do Empório da Baviera e do antigo Restaurante do Múcio na av. Marechal com a Banda Pagode do Queixinho. No domingo, foi a vez do trecho da av. JK entre a esquina da rua da Saudade e esquina da rua Padre Alcides, onde se apresentou a Banda Junto e Misturado. Na segunda-feira, a Banda Alphalux driblou a chuva e levou bastante gente à praça JK. E nesta terça, centenas de foliões, muitos deles fantasiados, curtiram muito a novidade e o Grupo Nó na Madeira, em frente a outra pracinha da Marechal, que fica na altura do Beira Rio.

Amante de Carnaval, Maria Lúcia Cardoso, do Centro, compareceu a todos os pontos do Circuito do Samba e Pagode e deu seu depoimento enquanto o Grupo Nó na Madeira oferecia vários bis ao público nesta terça. “Eu achei maravilhoso esse Carnaval durante o dia, que dá tranquilidade e segurança para as famílias virem para a rua. Tem muita banda boa em Congonhas e região e esse circuito valoriza a ‘prata da casa’. Parabéns ao prefeito Zelinho e a sua equipe pela iniciativa”, disse. A chuva também colaborou, porque só caiu no final da apresentação.

Renato Santos, que forma a Banda Alphalux com outros professores e ex-alunos da escola de música IMRS, aprovou a iniciativa da Prefeitura. Após já ter tocado nos carnavais de Jeceaba e Entre Rios de Minas, eles estrearam no Carnafolia.  “Esse Circuito do Samba abre mais espaço e mais cedo para o público do Quarteirão do Samba, que gosta de apreciar samba, pagode, Funk Soul e Samba Rock. A galera está precisando ouvir música boa, do seio do Brasil, e mais cedo vêm mais criança, jovens e famílias, sem nem pensar em violência”, testemunha.

“Criamos o Circuito do Samba e Pagode para que as famílias tivessem atração durante o dia. Deu certo, tanto que as pessoa chegavam até a gente para dizer que a antecipação está aprovada. Nós o lançamos para que novos circuitos surjam, artistas e foliões não faltam. Isto está fazendo com que as pessoas se concentrem em suas ruas, o que acontece em BH durante o ano, até que chega o Carnaval e eles vão para a avenida. Em Congonhas, o Bloco das Raimundas se concentrou na Praia e na segunda foi a vez o Bloquinho da Ladeira. É isto que sempre incentivamos. Assim vai mudando para ainda melhor o Carnaval de Congonhas”, considera a secretária de Cultura da Prefeitura de Congonhas, Míriam Palhares.

Outra novidade do Carnafolia 2020 foi a decoração da av. JK, praça JK e Quarteirão Aço Minas, palcos e os pontos do Circuito Samba e Pagode. Só não possível enfeitar a avenida Marechal Floriano e a rua Pacífico Homem Jr, porque a fiação elétrica é baixa.

Recorde de componentes

As Mimosas desfilaram pela 38ª vez, na segunda-feira, arrastando, segundo a organização da festa, cerca de 5 mil pessoas. Segundo o presidente Anecio Tozzi, da concentração participam atualmente cerca de 100 pessoas. “Mas milhares de homens e mulheres nos acompanham na avenida. A multidão é tão grande que nem conseguimos transmitir adequadamente orientações a todos”, diz. O bloco é formado por homens que se vestem de mulher e distribuem beijos. “No início do bloco, criado em 1982, os componentes beijavam homens que estavam no público para causar constrangimento. Hoje, aumentou muito o número de pessoas, muitos jovens e alguns acabam roubando beijos das garotas, e isso muitas vezes não termina bem”.

Componente das Mimosas há cerca de 30 anos, Davidson, morador da cidade de São Paulo. Ao receber uma placa da organização do Carnafolia 2020 em nome do bloco, ele informou que, “a partir deste ano, serão realizados eventos que ajudarão a organizar melhor o bloco para 2021. Na concentração, somos cerca 100 componentes. Queremos que, a exemplo do que ocorreu na avenida este ano, sejamos 5 mil também na concentração. Com a participação de tanta gente, temos planos de realizar um trabalho social também”.

Também passaram pela avenida Marechal Floriano os blocos do Pirulito, que também arrastou uma multidão, neste caso de crianças acompanhadas dos pais e outros responsáveis, Grupo Pop Poente Prateado Rapozama, Império da Paz, Arrastão da Melhor idade, Romper da Alvorada, Banhistas Libertárias, Iluminados da Fonte, Beira Galo, Profeta, Tequila e Unidos do Brejão, que apresentou uma bateria de tirar o fôlego.

Além desses, há os blocos que concentram, mas não saem, portanto não utilizam o circuito do Carnafolia de Congonhas, como é o caso do Pé na Cova, Bloco das Raimundas e o Bloquinho da Ladeira.

Shows infantis

Os Baianinhas Ozadas, seguimento infantil da banda adulta do Carnaval de BH apresentou músicas com temas infantis como “História de uma Gata” (Os Saltimbancos) e Sítio do Pica-Pau Amarelo (Gilberto Gil), fazendo o público dançar e se divertir.

A primeira atração do Carnafolia Infantil de Congonhas, sempre no Palco Quarteirão do Samba, foi o Show do Pirulito, no sábado e a última, o Grupo Pé de Sonho, na segunda-feira.

“É necessário ter show infantil para as crianças aproveitarem o carnaval. Estamos gostando muito”, afirmou Renyelle Leite, mãe de Benício, 6, e Bento, 8, que aproveitaram a folia.

Para Fernanda Dutra, mãe de Isadora e Letícia, este ano a programação esteve mais interessante para crianças e adultos. “As crianças estão tendo a oportunidade de participar mais. O horário dos shows está mais acessível para trazermos nossos filhos. O Carnaval faz parte da cultura brasileira e eles poderem entender o que realmente é o carnaval é gratificante e bacana”, destacou.

Prata da casa

Como acontece todo ano, o Carnafolia 2020 prestigiou músicos de Congonhas. As atrações congonhenses compuseram a grade de apresentações, entre bandas e DJs. Axé, samba, pagode e as tradicionais marchinhas carnavalescas são alguns dos ritmos que passaram pelo Palco Marechal e pelo Quarteirão do Samba nestes dias de festa.

Participaram do Carnafolia as bandas congonhenses Alphalux, Jean Lucas, Via de Fato, Manu Cândido, Soul do Bem, Beisamba, Radicais do Samba, Sambatucada, Show do Pirulito, Cadência do Samba, Junto e Misturado, Deise Lucci, Banda Bom Jesus e Samba de Casa.

Para a cantora Deise Lucci, tocar em sua cidade é emocionante. “Fico emocionada demais, porque é a minha vida. Eu fazia samba para as escolas de Congonhas, sempre gostei de carnaval e sempre estava por dentro de tudo”, conta. “O Governo faz questão que a gente participe de todos os eventos. É muito positivo para nós. O mais importante de tudo é ter valor na própria terra”, completa.

Já as bandas de fora que participaram do Carnafolia 2020 foram: Alexandre Peixe, Pagode do Queixinho, Chama o Síndico, Zé da Guiomar, Baianeiros, Grupo Pé de Sonho, Candongueiros, Grupo Tradição, Grupo Nó na Madeira, Oi de Gato, Havayanas Usadas e a Escola de Samba Beija-Flor.

 

DJs

Os DJs são um dos principais destaques do Carnaval de Congonhas e embalam a multidão que se ajeita entre a avenida Marechal Floriano Peixoto e a rua Pacífico Homem Jr. Do sábado a terça, houve sempre um DJ agitando a galera e interpretando o gosto musical e a energia da galera.

DJ Reinaldo subiu ao Palco Marechal no sábado e nesta segunda-feira à tarde e à noite.  “Associamos nosso estilo musical ao proposto pela organização do Carnafolia de Congonhas. Tocamos Axé, Anita, Ludmilla, Naldo e Léo Santana”, conta.

DJ Joca Street disse, após a apresentação de domingo que “foi excelente, debaixo de uma chuva fina, a galera se animou. Sigo a vibe dela. Dentro do repertório estabelecido, toco o que ele quer naquele momento”.

E DJ Juruna Grand Master, que fechou a participação dos DJs nesta terça-feira, garantiu que “tocar em Congonhas é sempre uma emoção. A cidade me ajudou a crescer no mundo da música. Fico feliz também com o espaço que o artista congonhense conquistou nos eventos da cidade, e esta foi uma luta da classe desde 2004”.

“Nosso Carnaval mais uma vez foi alegre, participativo e com muita segurança. O responsável maior em Congonhas é o prefeito Zelinho, que oferece apoio e incentiva a Comissão Organizadora da festa. Agradeço também aos incansáveis membros desta comissão organizadora, que já adquiriu uma expertise invejável, e à Polícia Militar, que está sempre presente, com grande contingente e muito ativa no Carnaval de Congonhas. Quando vemos o resultado positivo deste trabalho coletivo, a gente se emociona”, concluiu a secretária de Cultura, Míriam Palhares.

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