Cãominhada de Inverno bateu recorde de participantes e apoiadores
2 de setembro de 2019Mais de 200 pessoas, aproximadamente 60 cães e um número recorde de apoiadores participaram da 10ª Cãominhada de Inverno na manhã deste domingo, 1º de setembro, entre a Vila Andeza e o Poliesportivo Central. Após passarem pelo Centro da Cidade, houve distribuição de produtos de uso dos bichinhos e um desfile na praça Olímpica. Durante o evento, cuidadores fazem amizades, trocam experiências e praticam atividade física com seus bichinos, que se divertem com outros cães. Outro objetivo da Associação Protetores dos Animais de Rua de Congonhas (APARC), que organiza o evento, é conscientizar a população sobre a importância da adoção e da posse responsável de animais de estimação. O Governo Municipal, por meio da Secretaria de Esporte e Lazer, apoia o evento.
A fisioterapeuta servidora municipal de Congonhas, Soreia, o filho Danilo e a cadela Aisha, de 9 meses, da raça Chow Chow, se deslocaram de Conselheiro Lafeite especialmente para participarem da Cãominhada. “Adoro animais, sempre tive vários cães. Foi um prazer vir fazer a caminhada com o pessoal de Congonhas. Ela é adestrada e extremamente mansa, apesar de viver em apartamento, mas passeamos com ela. Está conosco há 6 meses. Foi pega abandonada em Congonhas. Tratamos dos que são abandonados na entrada de Congonhas. Esta é a primeira Cãominhada dela. Meu filho é quem mais passeia com ela”, conta Soreia.
O pai Magno, a mãe Fernanda e as Isadora e Letícia, da família Queirós Dias, do Rosa Eulália, participam desde o quinto ano do evento. “Somos voluntários que cuidamos dos cães na porta da loja e de casa. Graças a Deus, têm sempre aparecido voluntários e parceiros que doam tempo e produtos para os cães de rua. A APARC resgata muitos animais, que são cuidados com muito amor e carinho”, diz Magno.
Ele é favorável à castração dos animais de pequeno porte. “É importante porque, apesar de estar havendo um cuidado das pessoas com eles, seus filhotes ficam desprotegidos, são atropelados e até morrem de fome. Então consideramos justo que haja a castração. Há quem crie cão em casa e os abandona também, o que é completamente errado”.
A filha Isadora curtiu muito a Cãominhada. “Minha irmãzinha Letícia também. Ela participa desde quando nasceu. A Luna [a cadelinha dela] começou a brigar um pouco durante a Cãominhada, não tem muita paciência [rizos]. Mas a gente percebe que ela gosta sim”, brinca, lembrando que a mais nervosa, a Melissa, ficou em casa.
Com apoio recorde do comércio, a APARC conseguiu aumentar o número de brindes para os cães, realizar um desfile. Utilizando a Praça Olímpica e as dependências do Poliesportivo Central, na Praia, a organização pôde ainda dedicar espaço adequado para descanso dos cães à sombra e com água fresca. Vanderlei Ferreira, integrante da ONG APARC, enaltece a união de forças de todos os envolvidos com a realização do evento. “Não fazemos nada sem estabelecer parcerias comprometidas. Este ano, o que fez total diferença foi a parceria com a Secretaria de Esporte e Lazer da Prefeitura, que nos cedeu a estrutura do Poliesportivo Central e da Praça Olímpica. Este número de 200 participantes já fala por nós. O convênio [Termo de Fomento, que este ano possui valor de R$ 98 mil] que firmamos com a Prefeitura também nos ajuda muito com as tarefas diárias. Esta décima edição da Cãominhada foi um sucesso. Agradecemos também aos apoiadores do evento, do comércio de Congonhas, que também chegaram em número recorde este ano, aos amigos que estão fazendo a cobertura para sites e redes sociais e também à vereadora Carla Sassi, de Conselheiro Lafaiete, que está sempre nos auxiliando”, comenta.
Ações do dia a dia
Criada há 15 anos, a APARC Congonhas desempenha uma missão que enche de orgulho o congonhense. Mas o desafio dos membros da ONG são enormes, como explica seu presidente, Saulo Cordeiro. “Eu particularmente consigo ajudar muito pouco no dia a dia. O trabalho é muito difícil, mas a ONG conta com um grande número de voluntários. Os membros da APARC é que se desdobram, encontram espaço no meio do trabalho para dedicarem aos cães. Contam com apoio de veterinários, choram um desconto aqui e ali. Importante dizer que tivemos o aumento do valor que recebemos do Município para realizar resgates e tratamentos. Um dia de cada vez, mantemos a entidade vida”, diz.
Saulo também afirma que “a castração é a via direta para diminuirmos esta densidade populacional de cães de rua. Lutamos para orientar a população a castrar seu cãozinho, tentar formas de adoção. No dia a dia, os causos de maus tratos são recorrentes, o que nos entristece muito. Quem sabe, a longo prazo, vamos conseguir ter este controle dos cães de rua, para ficar melhor para todo mundo”.
Unidade de Vigilância de Zoonoses
Congonhas já conta com a Unidade de Vigilância de Zoonoses. Além de estrutura física moderna e bem planejada, a equipe de profissionais é composta de três médicos veterinários, agentes de combate a endemias, responsáveis pelo recolhimento e cuidado de animais de pequeno e grande porte abandonados ou em situação de risco. Segundo estimativas realizadas pelo setor, o município possui, atualmente, cerca de 2 mil animais de rua. Para evitar o crescimento desse número, além das atividades de conscientização e posse responsável, começou em março de 2019 a castração de cães e gatos de rua. Mais do que realizar o controle populacional, é feito o acompanhamento desses animais. A Zoonose também já começou a implantar microchips nos animais, para armazenar informações sobre raça, cor, vacinação, vermifugação e, no caso de cães e gatos domiciliares, registros sobre seus tutores. Tal medida visa facilitar a identificação de cães e gatos abandonados. Outra atividade realizada é o inquérito epidemiológico, cuja finalidade é a identificação de animais doentes, sobretudo, os cães portadores de leishmaniose e que, segundo critérios definidos pelo Ministério da Saúde, são propícios a serem eutanasiados.



