Congonhas oficializa a criação do Monumento Natural da Serra do Pires para proteger espécies, águas e paisagem
27 de outubro de 2026A Prefeitura de Congonhas instituiu oficialmente o Monumento Natural Municipal da Serra do Pires (MONA Serra do Pires), uma Unidade de Conservação de Proteção Integral criada para preservar espécies, nascentes, paisagens e o patrimônio natural e científico da região. A medida foi formalizada pelo Decreto nº 8.426, de 26 de outubro de 2026.
A criação busca proteger uma área que enfrenta pressões da mineração e do crescimento urbano do bairro Pires, mas abriga ambientes naturais raros e espécies ameaçadas de extinção. A área delimitada inclui campos rupestres ferruginosos, campos rupestres quartzíticos, cavernas, vegetação de Cerrado, matas e áreas úmidas.
Entre as espécies encontradas na serra estão as três espécies de Congonha conhecidas, as plantas que deram nome ao município. Além disso espécies que, em todo mundo, só existem na serra do Pire como a Cattleya milleri, conhecida como “orquídea vermelha do ferro”, e a Hoplocryptanthus serrapiresensis, uma bromélia menor que uma moeda, descoberta na própria região. Ambas são consideradas criticamente ameaçadas de extinção.
A preservação desses ambientes também ajuda a proteger animais, como tamanduás, veados, onças pardas e tucanos pois mantém locais onde diferentes espécies encontram alimento, abrigo e condições para se reproduzir. A serra também possui nascentes, cursos d’água e áreas que favorecem a absorção da água da chuva pelo solo, contribuindo para a manutenção das reservas subterrâneas.
Áreas ao norte e ao sul também entram no planejamento
O decreto reconhece ainda duas Áreas de Especial Proteção Ambiental (AEPAs), uma ao norte e outra ao sul da serra, que somam aproximadamente 157,72 hectares.
Essas áreas não fazem parte automaticamente do MONA e não recebem as mesmas regras de proteção da unidade. O reconhecimento permite, porém, fortalecer o diálogo com as comunidades que vivem nos bairros do Pires e Barnabé, além de realizar estudos sobre plantas, animais e recursos hídricos para reunir informações para orientar futuras medidas de conservação e recuperação ambiental. O reconhecimento das AEPAs, por si só, não altera a propriedade dos imóveis nem cria novas restrições de uso além das já previstas na legislação.
Pesquisa, educação ambiental e visitação controlada
O monumento também poderá receber pesquisas científicas, atividades de educação ambiental e visitas controladas, além de turismo de natureza de baixo impacto, desde que respeitadas as regras de proteção.
O decreto permite avaliar a instalação de estruturas de apoio à pesquisa e ao acompanhamento das condições ambientais. Também prevê a possibilidade de um observatório astronômico para observação do céu, divulgação científica e atividades educativas com estudantes e visitantes. Essas iniciativas dependerão de avaliação técnica e das autorizações necessárias.
A gestão ficará sob responsabilidade do órgão municipal de meio ambiente. O decreto prevê a criação de um Conselho Consultivo, com participação de diferentes setores, e estabelece prazo de até cinco anos para a elaboração do Plano de Manejo, documento que definirá as regras de uso, as áreas que exigem maior proteção e as ações de conservação e monitoramento.
Para o secretário municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, João Luís Lobo Monteiro de Castro, a medida representa um passo importante diante dos desafios de proteger a região. “Fazer proteção ambiental em um território como a Serra do Pires não é simples. Estamos falando de uma área pressionada pela mineração e pelo crescimento urbano, mas que ao mesmo tempo guarda espécies únicas, água, paisagem e uma riqueza científica extraordinária. O MONA protege agora uma parte representativa desses ambientes e as AEPAs permitem que a discussão sobre o restante da Serra continue avançando com ciência, diálogo e participação social”, afirma.
A próxima etapa será organizar a gestão da unidade, com planejamento, fiscalização, estudos científicos e participação da comunidade.


Por Secretaria de Comunicação/Prefeitura de Congonhas
