DESTAQUE EM CONGONHAS

Congonhas participa de pesquisa que vai avaliar a prevalência da chikungunya na população

15 de setembro de 2025

Com apoio do Instituto Butantan, pesquisa visa compreender quanto a população já foi  exposta previamente ao vírus chikungunya na região para promover melhores estratégias de  prevenção e controle da doença 

 

A partir de agosto, moradores de Congonhas (MG) serão convidados a participar de um  estudo, em parceria com o Instituto Butantan, para ajudar a entender como o vírus  chikungunya circula no município e quais os fatores de risco que podem levar a população a contrair a infecção. A pesquisa tem como objetivo mensurar a prevalência da doença em  Congonhas, ou seja, vai identificar quem já teve chikungunya e tem anticorpos no organismo, e  quem nunca teve – vale lembrar que em alguns casos a doença é silenciosa e não manifesta  sintomas. 

Compreender o comportamento do vírus chikungunya no município é importante para  aprimorar o conhecimento dos líderes da saúde e para definir as melhores estratégias de  prevenção e controle da doença. 

Os domicílios serão selecionados por meio de sorteio. Poderão participar da pesquisa apenas  indivíduos que residam em Congonhas, isto é, que durmam pelo menos três noites por semana  no domicílio indicado. 

Cada casa selecionada será visitada por uma equipe de pesquisa devidamente identificada.  Os moradores serão informados sobre o estudo, e aqueles que concordarem em participar  serão avaliados para serem incluídos. Os voluntários serão convidados a preencher um termo  de consentimento eletrônico; depois, responderão a um questionário com dados demográficos  e informações sobre o estado de saúde; por último, terão uma amostra de sangue coletada da  ponta do dedo. 

A coleta é totalmente segura, simples e rápida, feita a partir de um pequeno furo na ponta do  dedo. O procedimento será realizado por um profissional capacitado e com o uso de materiais  descartáveis, abertos na frente do participante. A equipe estará disponível a todo o momento  para solucionar dúvidas. 

Por meio da análise da amostra de sangue, os pesquisadores poderão detectar a presença de  anticorpos contra chikungunya, o que indica se a pessoa já teve contato com o vírus. Os  resultados serão divulgados posteriormente para cada participante. 

Além de determinar a prevalência da chikungunya na população do município, a pesquisa  possibilitará obter mais informações sobre os fatores de risco para a infecção – dados  relevantes para construir políticas de prevenção e controle mais eficientes. 

Em 2023 e 2024, o município de Congonhas registrou 342 e 72 casos prováveis de  chikungunya, respectivamente, de acordo com o Painel de Monitoramento de Arboviroses do  Ministério da Saúde. Em 2025, até o final de julho, o município teve dois casos prováveis. 

Chikungunya em crescimento no Brasil

O vírus chikungunya foi identificado pela primeira vez em 1952, na Tanzânia, no continente  africano, e circula no Brasil desde 2014. O número de casos da doença no país teve um  aumento de 68% entre 2023 e 2024, de acordo com o Painel de Monitoramento de  Arboviroses do Ministério da Saúde, atingindo mais de 265 mil pessoas no ano passado.  

Em 2025, até o final de julho, foram registrados 113.881 casos prováveis de chikungunya, com  102 óbitos confirmados e 73 ainda em investigação. Os estados com maior incidência  atualmente são Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Minas Gerais e Paraná. 

A chikungunya é uma doença febril transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que  transmite a dengue e a Zika. Ela provoca sintomas como febre alta (39-40°C), dor intensa e  inchaço nas articulações, dor de cabeça e manchas vermelhas pelo corpo. No entanto, casos  sem sintomas também podem ocorrer.  

A dor crônica nas articulações é a principal sequela da infecção, que pode perdurar por meses  ou anos e impactar a qualidade de vida. Indivíduos acometidos pela doença crônica têm 13  vezes mais chance de desenvolver depressão e um risco 76 vezes maior de ter problemas de  locomoção, segundo estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 

Em pessoas que possuem outras comorbidades, como hipertensão, diabetes, doenças do  coração ou do rim, a infecção por chikungunya pode gerar quadros clínicos mais graves,  descompensando as enfermidades pré-existentes e podendo levar a óbito.