Congonhenses e turistas aderiram à luta Antimanicomial durante campanha feita em espaços públicos da cidade
25 de maio de 2019Esta semana do Mês de Luta Antimanicomial da Unidade Regional de Saúde Mental foi dedicada aos “Movimentos de Intervenção nos Espaços Públicos para Conscientização da Comunidade”. Profissionais e usuários do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) II e do Centro de Atenção Psicossocial ao Usuário de Álcool e outras Drogas (CAPS AD) levaram aos museus, a outros prédios públicos, praças, ruas e ao comércio a mensagem de que é necessário o diálogo para conscientizar instituições e cidadãos de que pessoas com transtornos mentais não representam ameaça ou risco ao círculo social. Ao contrário, que estar em sociedade é um fator imprescindível para recuperação delas. Funcionários e frequentadores dos locais visitados receberam muitos bem os participantes desta grande campanha. Todas as atividades contaram com a participação determinante da equipe do Educativo dos museus.
Na quarta-feira, o CAPS AD e o CAPS II estiveram no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, no Museu de Congonhas e no Museu de Arte e Memória onde utilizaram cartazes, produzidos pelos próprios pacientes, conversaram com turistas e congonhenses sobre o verdadeiro sentido da Luta Antimanicomial.
No mesmo dia, estiveram la Ladeira Bom Jesus. O CAPS II visitou a exposição de homenagem às mães no Museu de Imagem e Memória (Museu da Ladeira).
A equipe daquela instituição museológica, em comum acordo com a coordenação daquele serviço de saúde mental, ofereceu aos pacientes uma oficina de origami (arte tradicional e secular japonesa de dobrar o papel, criando representações de determinados seres ou objetos com as dobras geométricas de uma peça de papel). Eles aprenderam dobradura de coração, como homenagem às mães pelo mês delas, e, em seguida, a do tsuru, além de ouvirem sobre a lenda do pássaro e seu significado.
Na quinta, profissionais e usuários do CAPS II e do CAPS AD estiveram no Centro da cidade, interagindo com comerciantes, clientes, servidores da Prefeitura e outros cidadãos que passaram pela praça JK, onde houve panfletagem. A psicóloga do CAPS II, Ana Paula Oliveira, acompanhou as atividades em que os pacientes orientaram as pessoas sobre a importância da luta antimanicomial informaram onde buscar auxílio, caso necessário.
Nesta sexta, o evento se repetiu na Praça do Oscar, na Unidade Básica de Saúde do bairro e nas ruas.
Houve ainda atividade do Núcleo de Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (Nasf-AB) para usuários do Centro de Referência do Idoso com participação dos que frequentam o CAPS II.
“A ocupação destes espaços por essas pessoas mostra para toda a sociedade que elas são cidadãos e que podem exercer o direito de pertencerem a esses lugares de forma produtiva, positiva e funcional”, afirma a coordenadora do CAPS AD, Suzi Silva.
Coordenadora do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) II de Congonhas, Jamile Alves Pereira, diz que “estas ações visaram a conscientizar as pessoas à respeito da necessidade da Luta contra o estigma sofrido pelas pessoas com transtornos mentais, incluindo aqueles relacionados ao uso nocivo de álcool e outras drogas. Estas atividades se complementaram. É preciso abrir as portas dos CAPS para que essas pessoas circulem e fazer com que a comunidade abra as portas para receber essas pessoas. Para entender que elas têm o direito de ocupar os espaços públicos, de serem tratados com respeito. Outro objetivo é que esses pacientes possam usufruir dos recursos, do patrimônio da cidade, promoverem trocas sociais e obterem aprendizado”.
A coordenadora do CAPS II completa conclamando a todos a uma reflexão. “A luta antimanicomial não pode ser entendida apenas como uma luta contra os hospitais psiquiátricos, temos de rever as nossas condutas manicomiais no dia a dia, e não mais persistir no erros, que acontecem quando a população presencia uma pessoa se expondo em um momento de crise e, ao invés de prestar ajuda ou acionar os serviços adequados, filma e debocha delas nas redes sociais; a família deixa de cuidar da pessoa com problema mental ou, ao contrário, oferece tutela demais, o que retira o espaço da autonomia; quando o poder público e a iniciativa privada investem em hospitais e comunidades terapêuticas, ao invés de investir recursos nos serviços substitutivos e outros dispositivos no território. Ser manicomial também é desrespeitar o direito de ir e vir das pessoas em sofrimento mental, quando elas estão em situação de rua, solicitando a simples remoção delas”.



