Congonhenses e turistas se emocionaram com as celebrações e encenações do Domingo de Páscoa
21 de abril de 2025Foto em destaque: Inclusão é a mensagem transmitida pelos atores Amaury Lorenzo e Diego Paula Santos.
Missas, procissões e encenações recriaram os momentos cruciais da vida, morte e ressurreição de Cristo durante a Semana Santa 2025.

Uma das mais belas e fervorosas Semanas Santas do Brasil terminou em grande estilo, com a Ressurreição de Cristo no Domingo de Páscoa sendo manifestada pela proclamação do Evangelho durante as missas e encenações do Grupo Teatral “Dez Pras Oito”. Como sempre ocorre, um grande público formado por congonhenses e turistas acompanhou tudo, expressando sua fé e se emocionando com a beleza das imagens apresentadas. Visitantes ainda se maravilhavam com as obras arquitetônicas, artísticas, culturais e religiosas dos mestres do Barroco, presentes no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos e em outros templos católicos da cidade, como as Igrejas Matriz de Nossa Senhora da Conceição e Matriz de São José Operário. As celebrações se encerraram horas antes do falecimento do Papa Francisco, que transmitiu e vivenciou as palavras de Cristo na Terra.
A Semana Santa de Congonhas é organizada pelas paróquias Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Matriz de São José Operário, Paróquia Mãe da Igreja, Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos e apoio da Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Cultura. O grupo teatral “Dez Pras Oito” foi novamente responsável pelas encenações e figurado bíblico, contando com mais de 300 atores, figurantes e técnicos.
O Domingo de Páscoa começou com a Santa Missa concelebrada em frente à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, por padres das paróquias de Congonhas. Durante a celebração, os fieis ouviram atentos o Evangelho de Jesus Cristo, segundo João, que faz este relato: “No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra já havia sido retirada do túmulo. Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhe disse: tiraram o Senhor do túmulo e já não sabemos onde o puseram. Saíram então Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Chegou também Simão Pedro que vinha correndo atrás e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus. Não posto com as faixas, mas enrolado em um lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou. De fato, eles ainda não tinham compreendido a escritura, segundo a qual Ele devia ressuscitar dos mortos”.
Também na primeira missa do dia, a Igreja Católica apresentou ao público a Carta à Páscoa, escrita pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com base na Campanha da Fraternidade de 2025. O documento convida à reflexão sobre a Ecologia Integral – o cuidado com a nossa casa comum e será entregue às autoridades constituídas de Congonhas. Dela constam propostas para a preservação do meio ambiente e conselhos para que o cidadão viva em harmonia com seus semelhantes e produzindo bons exemplos de vida.
Ao final desta celebração, Rosilene Moreira, moradora do bairro Vila Andreza, se preparava para acompanhar a procissão. “A Semana Santa e a Missa da Páscoa representam tudo: a ressurreição de Cristo, a paz, o desejo de perdoar as pessoas. Esta é uma emoção muito grande participar. Muito bom poder ouvir sermões tão elevados e encenações tão emocionantes. Congonhas pode contar até com o Amaury Lorenzo [ator congonhense, que atua em novelas da Rede Globo], que eu valorizo pela humildade. Ele mostra que gosta desta cidade onde ele nasceu”.
Instantes depois, a Procissão com o Santíssimo Sacramento deslocou-se pelo eixo histórico. Após nova exposição do Santíssimo Sacramento de São José Operário, na Ladeira Bom Jesus, o cortejo subiu em direção à Basílica, onde o seu reitor, o monsenhor Nedson Pereira de Assis, recebeu a todos com uma bela mensagem:
“Esta é a principal procissão da Semana Santa. Nela conduzimos, não uma imagem, que representa o retrato do Cristo, mas sim o próprio Cristo Eucarístico, que nós recebemos e que nos fortalece nesta vida, para enfrentarmos as dificuldades e viver na esperança de que um dia todos nós seremos alimentados na mesa celestial, no Céu, junto de Jesus”.
Encenação da Crucificação e Ressurreição de Cristo
Após a missa das 10h da Basílica, o Grupo de Teatro “Dez pras Oito” emocionou a moradores de Congonhas e turistas, ao apresentar um resumo da Encenação da Crucificação, que havia comovido a um multidão na Sexta-Feira da Paixão, seguida da cena da Ressurreição. Desta vez, foram utilizados dois dos quatro palcos montados para a Semana Santa entre as capelas e à frente da Basílica do Bom Jesus, para proporcionar ao público uma experiência imersiva.
Este ano, pela terceira vez, Amaury Lorenzo, viveu o papel de Jesus Cristo, dirigido por Zezeca Junqueira e João Sabará. Zezeca, ao lado de Edilson Ribeiro, Patrícia Vidal e Daniella Junqueira são fundadores do Dez Pras Oito, grupo em que o ator iniciou sua experiência teatral quando ainda morava em Congonhas.
Durante a encenação da Crucificação, Jesus, em seus últimos instantes enquanto homem proferiu as seguintes palavras: “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz! Eu vos envio o Espírito Santo, meus irmãos e irmãs”. No ato que representa a Ressurreição, do Adro da Basílica, o Cristo bradou para o mundo: “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. Aqueles que lhes perdoarem os pecados, eles me serão perdoados, meus irmãos e irmãs. Aqueles que não lhes perdoarem os pecados, eles serão retidos. De agora em diante, todos vocês são os meus discípulos. Ide a todo o canto da Terra e levai a Boa-Nova. Que permaneça entre vocês o Espírito Santo de Deus. Amai uns aos outros como eu vos amo!”
Ao final da apresentação, após intensos aplausos, sob o sol forte, Amaury Lorenzo se voltou para seus colegas de cena e para o público para agradecer pela nova acolhida. “É uma honra estar entre esses artistas da cidade onde eu nasci. O Mestre Zezeca: ele é, inclusive, o responsável por eu estar aqui. Foi o meu primeiro professor de Teatro, José Felix Junqueira [diretor cênico da Semana Santa de Congonhas]. Quero agradecer também à Prefeitura de Congonhas, ao prefeito Anderson Cabido, ao João Sabará e ao grupo ‘Dez pras Oito’ e principalmente ao Bom Jesus. Ao querido público, formado por congonhenses e turistas, é um prazer ter vocês aqui. Curtam esta cidade. Gratidão a todos! Que Deus abençoe vocês pelo espaço!”
Aparecida Santos Ferreira, do Cinquentenário, mãe da atriz do “Dez pras Oito”, Fabíola, que fez a personagem da esposa de Pilatus, estava comovida com tanta beleza. “Gosto muito da pregação dos padres, que tocam demais às pessoas. A encenação ajuda muito também o entendimento dessa palavra. A presença do Amaury Lorenzo contribui muito, porque ele gosta de participar da nossa Semana Santa, vemos que ele sente toda esta emoção também. Já declarou até que sempre ouvia as missas com o Padre Rocha pela Rádio Congonhas entre as gravações”.
Erundina, do Centro de Congonhas, testemunhava: “a Semana Santa nos ensina muito sobre a paixão e a ressurreição de Cristo. Acompanhei desde o Domingo de Ramos ao Domingo de Páscoa”.
A médica Débora Otero Brito Passos Pinheiro, da cidade do Rio de Janeiro, veio a Congonhas pelo segundo ano consecutivo durante a Semana Santa. “Ano passado, eu fiz um pedido na Basílica, então eu quis voltar este ano para agradecer a graça alcançada”.
Ela não piscou os olhos durante a Encenação da Ressurreição. “É muito bonito, muito emocionante! O grupo que faz a encenação, você vê que está todo mundo entregue ali àquele propósito. A gente consegue sentir que tem uma energia para além da gente aqui. Ficamos sempre muito emocionadas assistindo”.
A visitante terminou fazendo um convite a quem ainda não conhece a Capital Mineira da Fé: “Venham, a cidade é muito acolhedora, a cidade é muito bonita, as obras de Aleijadinho, para além da questão religiosa, vale muito à pena conhecer”.
Entre milhares de turistas que visitaram Congonhas durante a Semana Santa esteve até mesmo o Fã Clube Acesso Amaury, que possui integrantes em vários estados. O grupo transmitiu lives e fez posts em suas redes sociais do Instagram e do X (@acessoamaury). A belo-horizontina e moradora de São Paulo, Thaís Fernandes diz porque o acompanha. “Ele é um ator maravilhoso e muito humilde. Eu, particularmente, também pela identificação, já que ele é nosso conterrâneo e por ele falar com tanto carinho da nossa terra e de Congonhas”.
Sobre a atuação como Cristo, destacou: “sou muito crítica, mas realmente o Amaury esteve esplêndido ao lado de seus brilhantes companheiros de cena. Vemos toda a emoção, mesmo quando não há falas, conseguimos sentir pelo olhar. Eles conseguem entregar tudo muito bem. O grupo de teatro cuidou de tudo, cuidou da inclusão, que é essencial, em se tratando da mensagem de Cristo”.
Às 15h, parte desta história foi novamente encenada para quem estava no Santuário. Após a missa da noite na Basílica, a Procissão do Triunfo desceu a Ladeira Bom Jesus em direção à Matriz, onde, após a última missa do Domingo de Páscoa, o Grupo “Dez Pras Oito” também realizou a derradeira encenação da Semana Santa de Congonhas 2025: “Assunção de Nossa Senhora – Maria com seu coração envolvido de alegria, porque Cristo a ressuscitou”.
Procissão do Triunfo e encenação da Assunção de Nossa Senhora
O pároco da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Padre Mauro Lúcio, expressou seu agradecimento a todas as pessoas e equipes que ajudaram a preparar as atividades da Semana Santa de Congonhas. “É momento de gratidão às equipes das Igrejas envolvidas, à Prefeitura Municipal de Congonhas, com todos os setores que nos apoiaram, aos cristãos leigos e leigas, aos nossos conselhos. Deus seja bendito pela vida e pela disponibilidade de todos os envolvidos”, concluiu.
Por Secretaria de Comunicação/Prefeitura de Congonhas





