Em entrevista à Comunicação da Prefeitura Municipal de Congonhas, a Secretaria Municipal de Saúde responde às dúvidas sobre a vacinação da Covid-19
19 de fevereiro de 2021A Prefeitura Municipal de Congonhas, por meio da Secretaria de Saúde do Município, preocupada com toda a população e, principalmente, manter a transparência de todos os atos, realizou uma entrevista com o responsável pelo setor de imunização e recebimento das doses da vacina da Covid-19 para sanar as dúvidas existentes sobre a vacinação dos munícipes.
Juscelino Ribas é enfermeiro da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e é ele que busca, fiscaliza e organiza, juntamente com os profissionais de saúde das UBS (Unidades Básicas de Saúde), a vacinação não só da Covid-19, mas de todas as vacinas do município.
Entrevista:
Como está ocorrendo a vacinação da Covid-19?
Juscelino Ribas:
A vacinação da Covid-19, tanto a vacina Coronavac, do Butantã, quanto a vacina da AstraZeneca, da Oxford, ela está ocorrendo de acordo com os parâmetros e com o cronograma entregue pelo Ministério da Saúde, pela Secretaria de Estado da saúde, uma vez que nós dependemos integralmente dessas instâncias superiores para a entrega das vacinas, e então seguimos todas as normatizações trazidas por eles. A vacinação nesse momento inicial, ela foi destinada, para os profissionais da linha de frente da Covid, expandindo, logo em seguida, para os profissionais de assistência direta da doença, inclusive os profissionais que ficam nas recepções das instituições de saúde, ou os profissionais que fazem assistência direta ao paciente, e também profissionais que estão ligados ao apoio ao diagnóstico ao paciente de Covid, como raio-x, ultrassom, laboratórios… Foram disponibilizadas também para os profissionais que fazem apoio logístico para óbito de Covid, como, os coveiros, os agentes funerários, e logo em seguida, uma nova entrega de vacina já foi expandida para outros profissionais de saúde, como agentes comunitários de saúde, profissionais de apoio a estratégia de saúde da família, e outros profissionais que fazem apoio e assistência aos pacientes. Numa nova entrega, com mais 6% das doses de vacina, foi destinada também a vacinação dos profissionais de saúde dos consultórios e estabelecimentos comerciais relacionados a saúde como farmácia, consultórios odontológicos, clínicas médicas. No caso dos idosos, já chegaram vacinas suficientes para os idosos acima de 89 anos de idade, e aguardamos novas doses para fazer a estratégia de vacinação, de acordo com os critérios determinados pelo Ministério da Saúde, pois essa definição não é minha, não é do Prefeito, não é da Secretaria de Saúde, é uma determinação do Ministério da Saúde.
Quantas pessoas já foram vacinadas?
Juscelino Ribas:
Até o momento nós realizamos a vacinação de 1225 pessoas, com a primeira dose das vacinas, tanto Coronavac quanto AstraZeneca. Já fizemos 565 doses para pessoas com a segunda dose da vacina. Lembrando que a segunda dose para Coronavac é realizada entre 15 e 28 dias, depois da primeira dose. A AstraZeneca é realizada 12 semanas após a primeira dose, então ainda vai demorar bastante para fazer essa segunda dose. E também já fizemos a vacinação de 197 idosos com idade maior ou igual a 89 anos, e estamos aguardando novas doses para continuar essa vacinação e expandir esse quadro de pessoas vacinadas.
Juscelino, você explicou essa questão sobre a vacinação da Covid-19 em relação às pessoas que já tomaram ou vão tomar as doses de acordo com o que é passado pelo Ministério da Saúde. Muitas pessoas têm dúvidas do porquê que algumas delas têm prioridade em relação às outras. Por exemplo, o que nós podemos entender por linha de frente?
Juscelino Ribas:
Linha de frente, como determinação do Ministério da Saúde, são os profissionais que fazem atendimento direto ao paciente de Covid, ou atendimento a um local que há um grande risco de ter contato com alguém suspeito, sintomático ou mesmo assintomático de Covid. Nesse caso, a linha de frente ela é ampla, um exemplo que eu posso dar é: o recepcionista da unidade hospitalar aqui do Bom Jesus de Congonhas, ele é linha de frente? Sim, ele é linha de frente porque ele faz a ficha, ele tem o atendimento direto a aquele usuário, em alguns momentos o usuário pode chegar lá até sem máscara, porque ele pode estar com falta de ar, porque ele não consegue ficar com a máscara, e o profissional, ele tem um risco muito grande de ser contaminado pela doença. Da mesma forma, o profissional de enfermagem, um médico, o profissional do raio-x, eles podem ser considerados linha de frente, porque eles têm esse contato direto com um provável portador da doença. Lembrando que a Covid ela é um pouco inespecífica, nem sempre a pessoa é sintomática, então essa pessoa ela está se colocando em risco, ela é considerada linha de frente.
Os idosos de qual idade já foram vacinados, para deixarmos bem claro para população?
Juscelino Ribas:
Eu gostaria de explicar bem, como é que está sendo determinada, definida essa estratégia de vacinação dos idosos. Nesse momento a gente conseguiu alcançar com as doses específicas que vieram do Ministério da Saúde para o idoso, lembrando que estamos indo do mais velho para o mais novo, então conseguimos alcançar pessoas que têm 100 anos, 101 anos, até 89 anos de idade. A partir do momento que vierem novas doses, automaticamente, vamos descendo para 88, 87, 86… E essa determinação, é do Ministério da Saúde, da Nota Informativa e do Plano Nacional de Imunização para Covid-19. Não é uma determinação do município. Temos que deixar, claro porque as redes sociais estão muito movimentadas em relação a isso, e fica uma sensação estranha de que o município está criando essas ferramentas, e também fica um comparativo, vamos dizer assim, desleal com o município, porque um município já está alcançando pessoas de 80 anos, um Estado já está vacinando pessoas de 70 e poucos anos, fica aquela coisa um pouco estranha, e realmente é difícil para a população entender. O município de Congonhas recebeu doses equivalentes a um percentual de vacinas determinado pelo Estado que foi o número de 206 doses de vacina, e nós calculamos, em cima dos números que tínhamos. As listas dos pacientes levantadas pelos agentes comunitários de saúde que nós alcançaríamos com essas doses até as pessoas de 89 anos, e dessa forma nós fizemos. Nós ainda temos 9 doses reservadas, que no início eu falei que fizemos 197 doses, então tem 9 doses reservadas. Porque estão aparecendo também idosos completando 89 anos e estão sendo alcançadas mesmo após a sexta-feira, que foi o dia que fizemos a campanha de vacinação para os idosos.
As próximas doses têm data definida para chegar ao município de Congonhas?
Juscelino Ribas:
Nós temos passado por muita dificuldade em relação à determinação de prazos. O Ministério da Saúde, como estamos acompanhando pelos meios de comunicação, ele não está com muita firmeza na determinação de datas, porque ele depende de laboratório, de importação, de determinação de chegada de material da China, da Índia, também da determinação do prazo interno dos laboratórios para envase, da Anvisa para liberação de imunobiológicos, então não temos prazos muito bem definidos. Eu sei que isso gera muita angústia para população, e para nós. Eu como profissional, que faço essa organização desse processo de vacinação, a angústia que eu passo em relação a isso, uma vez que eu não consigo nem me programar previamente, porque eu não sei quando é que eu vou receber doses. Neste momento atual, nós não temos nenhuma determinação específica de data para receber as novas doses de vacina. O Ministério da Saúde não se manifestou ainda. Ele fala só sobre quantitativos que vão ser liberados em março, em abril, mas ainda não determinou. E o Estado não repassou para nós, nem a Superintendência Regional de Saúde também não repassou uma data específica de dispensação de vacinas. Imaginamos que, possivelmente num prazo de 15 dias a 20 dias devemos receber mais doses de vacina, mas não sabemos nem data, nem quantitativo, mas imaginamos também que serão determinações específicas como na última remessa: um tanto de vacinas determinadas específicas para profissionais de saúde, e outro quantitativo também determinado específico para programação de vacinação dos idosos.
Então essas vacinas, essas doses que chegarão agora serão também para os idosos abaixo de 89 anos, mas vocês só vão conseguir delimitar a idade de acordo com as doses que irão chegar?
Juscelino Ribas:
Exatamente. Temos um quantitativo de idosos já cadastrados, com 88, 87, 86 anos e aí por diante. As equipes de saúde da família estão fazendo um levantamento minucioso de pessoas até 60 anos de idade. Então, a partir do momento que o Ministério da Saúde determinar, “ah, Juscelino, Congonhas vai receber 500 doses”. Aí assim iremos calcular quantas doses serão suficientes para cada faixa de idade dessas, e vamos determinar até quando essa vacinação pode chegar. Lembrando que esse número que eu coloquei aí, 500, é só um exemplo, não é o número que vai chegar.
Por que que o município de Congonhas não compra vacina para a população?
Juscelino Ribas:
A ideia, e a grande vontade que a gente tem, uma vez que o município tem condições financeiras para isso, é que compre vacinas para alcançar o maior público possível. Mas, como vocês também estão acompanhando os meios de comunicação, não existe essa possibilidade no momento. No final do ano passado, no início desse ano, o Instituto Butantã estava com a previsão de fazer vinculação de lotes de vacinas que eles pudessem vender aos municípios, e talvez até para iniciativa privada. Só que existe um contrato entre o Instituto Butantã e o Ministério da Saúde que prevê que toda a vacina que for normatizada pela Anvisa vai ser de prioridade para o Governo Federal. A partir do momento que o Governo Federal ganha essa prioridade e compra tudo, não sobra nada. Então, não conseguimos comprar a vacina do Butantã igual era a previsão. Outros laboratórios e outros produtores de vacina ainda não tem disponibilidade, mas a ideia do município, e isso já foi discutido no COE, que é o Centro de Operações Especiais da Covid-19, é comprarmos as vacinas quando estiver disponível e quando for viável, essa compra.
A Prefeitura Municipal, junto com a Secretaria Municipal de Saúde, é quem define quem será vacinado? Quero deixar isso bem claro para população porque tem muita gente preocupada, achando que é a Secretaria Municipal de Saúde que está definindo quem vai ser vacinado. Muitas pessoas com 60 anos que não foram vacinadas ainda, e outras da linha de frente com 30 anos que já foram vacinadas. Existe esta dúvida. Então, é o Governo Municipal que define a vacinação?
Juscelino Ribas:
Não, não é o Governo Municipal que define essa estratégia de vacinação. Nós temos que seguir as normatizações do Ministério da Saúde por meio do plano nacional de vacinação para a Covid-19. Tem que seguir as técnicas e notas informativas de Minas Gerais, que define as prioridades traçadas para o estado, e a gente só cumpre esse cronograma e essa determinação do estado. O município de Congonhas, ele é só o portador de parte de efetivação da vacinação. Quem decide quem vacina, quem não vacina, já vem escrito do estado. Se sairmos disso, podemos ser até penalizados. Infelizmente tem que seguir da forma que vem escrito. Temos que concordar que algumas coisas não estão acontecendo, estão divergentes da vacinação da Influenza, na questão dos públicos prioritários, mas infelizmente temos que seguir realmente as determinações do Ministério da Saúde e da Secretaria Nacional de Saúde, e temos que seguir como está sendo seguido. Dentro da programação, na primeira etapa de vacinação, temos os profissionais de saúde e os idosos. Essa primeira etapa, ela ainda está em seguimento. Vai demorar, realmente, a concluí-la, e depois iniciará a segunda etapa de vacinação, que está programada para começar a vacinação das pessoas que têm comorbidades, que ainda não foram vacinadas por causa de idade, e progredirmos, a partir daí, para os outros grupos, até chegar na terceira etapa, que aí progride para profissionais de educação, segurança e salvamento, e outros demais grupos. É bem tranquilo de encontrar na internet, no plano nacional de imunização para covid do ministério da saúde, a versão é de 22 de janeiro.
Então a questão da comorbidade, essas pessoas elas não terão prioridade na vacinação dessa primeira etapa. Elas terão que aguardar a segunda etapa da vacinação?
Juscelino Ribas:
Exatamente. O Governo Federal definiu, primeira, segunda e terceira etapa. O paciente ou o morador de Congonhas ou de qualquer lugar do Brasil que tiver qualquer comorbidade, exemplo, diabético: Uma pessoa tem 40 e poucos anos de idade e ele é diabético e está como grupo prioritário de vacinação da Covid-19, só que ele tem que esperar o momento que a vacina vai vir disponível do Ministério da Saúde para chegar neste público alvo e nessa etapa, no caso vai ser a segunda etapa, que vai ser iniciada após o término da primeira etapa que vai ser a vacinação dos idosos e dos profissionais de saúde.
Para deixarmos bem claro Juscelino, uma moradora da cidade, ela encaminhou para a Prefeitura Municipal a seguinte questão: minha mãe tem 85 anos e 6 stents no coração, por qual motivo ela ainda não foi vacinada?
Juscelino Ribas:
Ela não foi vacinada ainda e eu acho um exemplo bem claro da dúvida que a população tem e um exemplo que pode alcançar outras pessoas. Uma pessoa de 85 anos ela tem idade, pelo entendimento nosso, ela tem até bastante idade e é prioritária de vacinação. Ela tem uma comorbidade grave que é um problema cardíaco sério, o stent é aquela molinha que quando coloca no coração da pessoa pelo cateterismo ou pela angioplastia, quando ela tem algum infarto, uma obstrução de alguma veia do coração é uma doença coronariana grave, realmente ela tem um problema de saúde muito sério, só que o Ministério da Saúde, ele entende no calendário de vacinação que ela vai chegar primeiro na vacinação pela idade. Não está levando em consideração este problema cardíaco, neste momento para a vacinação. Então o calendário vacinal, nós entendemos que poderia ser melhorado, mas nós não temos poder para fazer outras alterações. Então, essa paciente vai ser prioridade neste momento e vai ser vacinada quando conseguirmos chegar com a vacinação do idoso na idade de 85 anos. Se eu tiver uma pessoa com esse mesmo problema cardíaco, mas não tiver 60 anos ainda, ela só vai ser alcançada pela vacinação quando chegar a segunda etapa de comorbidades.
Então, não é a Prefeitura, não é o Governo Municipal que não quer vacinar, não é a Secretaria de Saúde que está escolhendo quem ser vacinado, mas sim o Plano Nacional de Vacinação, não é isso?
Juscelino Ribas:
Exatamente. É esse esquema de vacinação, essa progressão da vacinação. Estamos seguindo os critérios do Plano Nacional de Vacinação da Covid-19, e também seguindo a orientação das notas do Governo do Estado como será determinada essa progressão. Porque o Ministério da Saúde escreveu de uma forma mais generalista, as etapas e o segmento da campanha, e a Secretaria de Estado da Saúde ela vai refinando esses critérios e nos dando as orientações mais aprimoradas de como a progrediremos em cada grupo. Nesse caso, estamos progredindo com a vacinação do idoso, e ainda não estamos liberados, não temos opção de vacinar pessoas com comorbidades, nem recebemos dose suficiente para isso, nesse momento.
Todas as dúvidas, perguntas sobre a vacinação da Covid-19, poderão ser enviadas pelo telefone 3732-2657 ou pelo email da imprensa: imprensa@congonhas.mg.gov.br.
