DESTAQUE EM CONGONHAS

Encontro debateu ações de prevenção e atendimento a casos de gravidez entre adolescentes

27 de setembro de 2019

A gravidez na adolescência é uma questão social, econômica e de saúde pública. Em Congonhas são desenvolvidas ações integradas que buscam prevenir e diminuir este índice, entre elas, o atendimento prestado nas unidades básicas de saúde e no Hospital Bom Jesus, além do Programa de Educação, Sexualidade e Cidadania (PESC) realizado nas escolas municipais. Esse tema foi debatido em uma tarde de conversa realizada nesta sexta-feira, 27, na Câmara Municipal, durante o encerramento da 1ª Semana de Orientação e Prevenção da Gravidez Precoce.

Além das ações de prevenção da gravidez na adolescência, foram abordados os métodos contraceptivos e as infecções sexualmente transmissíveis. Foram apresentadas informações sobre o atendimento das gestantes adolescentes na maternidade do Hospital Bom Jesus, os riscos da gravidez precoce para a saúde da mulher e do bebê e suas implicações psicológicas.

Além da sociedade civil e de profissionais de áreas interessadas, participaram os secretários de Saúde, Luiz Fernando Catizane, de Desenvolvimento e Assistência Social, Ronaldo Assunção, e de Esporte e Lazer, José Lúcio de Castro, além da secretária de Educação, Maria Aparecida Resende. O evento foi promovido pela Secretaria de Saúde, em parceria com as secretarias de Educação, Esporte e Lazer, Desenvolvimento e Assistência Social e o Hospital Bom Jesus.

O evento começou com um alongamento, ministrado pela educadora física Dardânia Fidélis. Em seguida, as psicólogas da Secretaria de Educação, Myriam Piedade e Cecília Bacharel apresentaram o PESC, instituído nas escolas municipais em 2012, por meio da Lei Nº 3.193. O trabalho é intersetorial, envolvendo as áreas de educação, saúde, assistência social e esporte. Com cerca de 450 profissionais capacitados, são promovidas, continuamente, ações voltadas a estudantes do 6º ao 9º ano das instituições de ensino, abordando assuntos, como identidade, gênero, sexualidade, gravidez precoce, cidadania e protagonismo.

Para aprimorar o atendimento às adolescentes na atenção primária, o médico Fábio Araújo Gomes de Castro e a enfermeira Tatiane Fonseca, que atuam na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Cinquentenário, sugeriram diversas medidas: mudar a forma como a equipe acolhe e atende os adolescentes; facilitar o acesso às consultas; assegurar o acesso aos métodos contraceptivos; orientar os pais/responsáveis; abordar direitos, autonomia e empoderamento das adolescentes; abordar a prevenção de abuso sexual; desconstruir o machismo nas consultas; e a inserção de DIU nos centros de saúde.

Segundo o médico e a enfermeira, 66% dos casos de gravidez entre adolescentes são indesejados, sendo que, no Brasil, uma em cada cinco mulheres são mães antes do fim da adolescência. Em Congonhas, entre 2007 e 2017, 15% de todos os nascimentos foram de mães adolescentes, mas houve redução significativa nos últimos anos, o que os profissionais atribuíram à expansão das atividades do PESC e às melhorias do acesso às UBSs.

A enfermeira obstetra do Hospital Bom Jesus, Luana Miranda da Silveira, falou sobre o atendimento hospitalar das gestantes adolescentes. Além do apoio durante o trabalho de parto, parto e pós-parto, os profissionais incentivam o direito do acompanhante, o contato pele a pele na hora do nascimento, o clampeamento oportuno, o aleitamento materno e o alojamento conjunto, onde também é dado o primeiro banho do recém-nascido. A instituição trabalha em parceria com a atenção básica de saúde e com o Conselho Tutelar e cumpre as normativas do Estatuto da Criança e do Adolescente e o cadastro de transferência via SUS Fácil.

Já a psicóloga Regina de Moura Salles falou sobre os aspectos psicológicos da gravidez na adolescência. Entre suas consequências estão os riscos reprodutivos aumentados para o binômio mãe-bebê; aumento da vulnerabilidade social; abandono ou atraso escolar; falta ou mudanças no projeto de vida; riscos de morbidade psíquica aumentadas; aumento do risco de reincidência de gravidez; e baixa qualificação profissional.

Orientação e prevenção da gravidez precoce

Durante toda a semana foram desenvolvidas atividades sobre o tema nas UBSs. A orientação e prevenção da gravidez precoce envolve ações que contribuem para a prevenção e diminuição do índice desta condição na adolescência. Também fazem parte o incentivo ao planejamento familiar e reprodutivo, prevenção das infecções sexualmente transmissíveis e diminuição das situações de exclusão social, decorrentes da gravidez precoce.

Além disso, a Prefeitura informa, sensibiliza e envolve a sociedade em torno da situação da maternidade e paternidade precoces, resgata as adolescentes para a cidadania, por meio de suporte de assistentes sociais e agentes de saúde e incentiva seu ingresso em programas sociais.

A Semana de Orientação e Prevenção da Gravidez Precoce foi instituída em Congonhas por meio da Lei Nº 3.786, de 15 de outubro de 2018, que é comemorada próximo ao “Dia Mundial da Prevenção da Gravidez na Adolescência”, em 26 de setembro.

Para o secretário de Saúde, Luiz Fernando Catizane, é importante a equipe estar alinhada e as secretarias funcionarem em conjunto, desenvolvendo ações “para que nós consegamos ter um alcance maior, levar ao conhecimento de todos aqueles que estão em alguma situação de vulnerabilidade, principalmente nossos adolescentes”.

A secretária de Educação, Maria Aparecida Resende, também pontuou que a 1ª Semana de Orientação e Prevenção da Gravidez Precoce é uma junção de esforços de uma política pública com profissionais de instituições públicas e privadas que querem o melhor para a sociedade. “É para que uma jovem e um jovem não tenham seu sonho encerrado. Porque quando eles estão no auge da sua formação, de idealização de vida, de busca de uma identidade, eles as perdem por conta de uma gravidez não planejada”, observou.

O secretário de Desenvolvimento e Assistência Social, Ronaldo Assunção, destacou os trabalhos desenvolvidos com os adolescentes nos CRAS e no CREAS, além do funcionamento das escolas municipais em tempo integral. “É importante ocupar o tempo dos nossos jovens com cultura, arte, esporte e educação, para que eles aprendam cada dia mais”, disse.

Já o secretário de Esporte e Lazer, José Lúcio de Castro, ressaltou que parte do orçamento da pasta será destinado ao PESC.