Fórum de Negócios mostrou como o novo e o tradicional podem se complementar e criarem nova perspectiva para os negócios
28 de novembro de 2018O 2º Fórum de Negócios, realizado nessa terça-feira, 27, pela Prefeitura e sua Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, apresentou os avanços alcançados pelo Município e todo o ecossistema de inovação formado ainda por mineradoras, empreendedores, instituições de ensino, desde o início da implementação da Política Municipal de Inovação e Tecnologia pelo Governo Municipal, em parceria com a FIEMG e o SEBRAE. Durante o evento, realizado no Museu de Congonhas, três painéis expuseram o impacto da inovação, da tecnologia e das startups no mundo dos negócio e sobre os negócios tradicionais, em que se encaixam a mineração e a siderurgia. IFMG, UFSJ e CET apresentarão projetos inovadores desenvolvidos por eles inclusive a empresas como VALE, Ferrous, CSN e Gerdau. O evento também criou condições para o estreitamento de relações entre fornecedores e as grandes empresas. Em breve, Congonhas abrirá as portas de seu QG da Inovação, que abrigará todos estes atores com o propósito de, juntos, fazerem surgir novos negócios que proporcionem a Congonhas a diversificação econômica.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, Christian Souza Costa, afirma que Congonhas possui as condições necessárias para se transformar em um grande polo tecnológico. “Temos grandes empresas que demandam inovação tecnológica no ramo da mineração e siderurgia, instituições de ensino como UFSJ, com a qual fizemos uma parceria definitiva para desenvolvimento de vários projetos, além do IFMG, CET e a rede municipal de ensino. Temos um ecossistema oficialmente instalado com representantes das grandes empresas, estabelecimentos de ensino e do poder público que se reúne uma vez por mês para traçar estratégia de desenvolvimento pela inovação e tecnologia na cidade. Sempre se falou em diversificar a economia, mas é preciso partir do que nossa economia, que é a mineração e a siderurgia”.
Christian Souza Costa lembra ainda que estão sendo implementadas iniciativas decisivas para que, em breve, a política de fomento a inovação e a tecnologia já apresente resultados práticos na economia da cidade. “Estamos criando o programa Empreenda Já para abertura de uma empresa em 40 minutos; com o apoio do SEBRAE, estamos criando a cultura empreendedora entre os alunos, para que desejem ser donos do próprio negócio, e não só empregados nas grandes empresas; através da FIEMG, o Lab Truck está presente em Congonhas uma semana por mês durante próximos seis meses inclusive no aniversário da cidade, na praça JK; estamos realizando meetups nas instituições de ensino, no QG da Inovação sobre temas específicos. Com este movimento, criaremos a cultura da inovação no Município e, com isso, poderemos inspirar toda a região a seguir nossos passos. A programação do Congonhas Tec para 2019 está pronta. Além dos meetpus, faremos um circuito de Hackatoons, em que empreendedores e estudantes apontam soluções para problemas de empresas; realizaremos startups weekends, para incentivar o surgimento de mais delas. As mineradoras, outros empresários, empreendedores, startups e universidades habitarão o hub digital e, das conexões diárias entre elas novos negócios surgirão, a partir dos editais que lançaremos. Como cidade, Congonhas fornece mão de obra qualificada para as mineradoras, mas o desejo do Governo é fornecer também inovação e tecnologia para as grandes empresas. Assim alcancemos um novo patamar de desenvolvimento, acompanhando as transformações do mercado”, completa.
Presente ao 2º Fórum de Negócios, o prefeito Zelinho afirmou desconhecer a existência de cidade abaixo de 500 mil habitantes que possua as condições que Congonhas oferece para o desenvolvimento da inovação e tecnologia. E foi além garantindo que o apoio que faltar de órgãos externos o Município proverá. “Infelizmente não vi nenhum ministro ou secretário de Estado já escolhidos para os próximos quatro anos anunciarem ações de impulso a tecnologia e inovação. Só vai se desenvolver país que, como a China, investe nesta área. Lá existem 156 startups que valem mais de US$ 1 bilhão, sendo que uma possui valor aproximado de US$ 156 bilhões. Conseguimos o compromisso do Governo do Estado de investir R$ 1 milhão no nosso Hub Digital e acreditamos nos propósitos dos novos administradores do Estado. Se este recurso não nos for enviado, faremos com recursos próprios. Esta é uma revolução que não tem mais volta”, assegurou Zelinho.
Mariana Yasbeck, gerente do FIEMG LAB (Programa de Inovação Aberta para Indústrias e Aceleração de Startups) participou do Painel “Impato da Inovação, da Tecnologia e das Startups no Mundo dos Negócios”. Durante sua apresentação, citou que as grandes descobertas da humanidade surgiram a partir da serendipidade (descoberta de algo por acaso quando se procurava resposta para outra questão). “Para inovar é preciso ter o olhar atendo ao acaso. Na inovação aberta, isso é ainda mais necessário. Em resumo, esta acontece quando ideias e projetos encontram ambientes mais propícios para se desenvolverem fora da organização, até que o produto deles atinja o mercado. Neste processo, as respostas obtidas podem não ser as que você procura, mas podem ser muito melhores. As indústrias fazem inovação aberta para redução de custo, absorção de cultura da inovação e colaboração, viabilização de novos produtos e modelos de negócios, para reduzir o engavetamento de invenções e ideias com potencial de alto risco, para obterem acesso a novos mercados e posicionamentos, para ter acesso a novas ideias e projetos, porque a colaboração torna o processo contínuo. As possibilidades de se trabalhar com inovação aberta são: entre empresas; entre estas e startups; com consumidores; e com instituições de ciência e tecnologia. O grande desafio é quando o novo encontra o tradicional, o que a indústria e a startup se relacionam: elas possuem linguagens, perspectivas e propósitos diferentes. Mas juntas podem criar negócios e projetos inovadores de alto valor. É o caso de a indústria absorver parte da agilidade e poder de experimentação da startup. Importante afirmar que ambas vivem em ambiente de risco. Mas a segunda tem melhores condições de arriscar e pode contribuir com isso. O tradicional que não muda está estagnando e fadado ao sucumbir. A primeira coisa que uma empresa deve fazer quando parte para a estratégia de inovação aberta é saber por que?, depois com quem?, se for com uma startup por que com ela? Experiências bem-sucedidas em Minas conduzidas pelo Sistema FIEMG são o Mining Lab em que a Votorantin optou por encontrar startups em áreas de negócios que a interessava; a Gerdau Challenge at FIEMG Lab em que a empresa lançou dois desafios tecnológicos: um florestal e outro para aumentar o rendimento do coque. O FIEMG LAB, programa de aceleração da primeira rodada, acelerou 98 startups, sendo que grande parte fez conexão com a indústria. Vem aí a segunda rodada do FIEM LAB, o 4.0, em que as 50 startups serão aceleradas 100% com foco na indústria. O Edital será aberto no início de 2019”.
Participante do mesmo painel, Gustavo Roque, idealizador e coordenador do Mining Hub, que é um Hub que reúne 12 mineradoras até agora, citou o prefeito Zelinho e o secretário Christian como líderes que desencadeiam uma iniciativa mais do que essencial e visionária. Ele lembrou que a cidade de Niquelândia, em Goiás, sempre dependeu da mineração e, há um ano, quando as operações se encerraram, por não ter se preparado, vive situação difícil. Com a criação desse ecossistema de inovação, Congonhas pode ser conhecida com a Cidade dos Profetas, da mineração e também das startups e empreendimentos.
Gustavo Roque diz como surgiu a iniciativa que conta com 12 mineradoras e que deve chegar a 15 até o final do ano, tornando-se o primeiro movimento setorial no Planeta em quem concorrentes se unem para encontrarem soluções. Criamos nosso WeWork (maior rede de coworking do mundo). “Os fornecedores também estão lá dentro para colaborar na descoberta dessas soluções. A ideia é levar a mineração para uma nova etapa, pensando diferente. O IBRAM levou seu escritório para a sede do WeWork, em Belo Horizonte, para que o espaço se torne a nova casa da mineração. Então criamos cinco desafios: segurança de saúde ocupacional e operacional, gestão da água, gestão de resíduos e rejeitos, fontes de energias alternativas e eficiência operacional. As startups e empreendedores se relacionarão com as mineradoras e fornecedores. Interessados em participar devem acessar o site www.mininghub.com.br. As inscrições vão até 11 de janeiro. De 12 a 21, haverá a seleção de 15 inscritos que irão operar até 4 meses com a disponibilização de recursos e conhecimento técnico. Em seguida acontecerá o Bootcamp (acampamento de partida), em que são apontados os desafios de trabalhar com a mineração, etapa que se estenderá até o dia 28 de Fevereiro”, explica.
Mercado mais doce
Do Sul de Minas vem um exemplo de empreendimento de sucesso ligado à gastronomia e ao setor agrícola. Gláucio Peron, proprietário da empresa Doces da Roça, de Poços de Caldas, compôs o painel “Inovação em Negócios Tradicionais”. No início dos anos 2000, ele levou biscoitos para vender em uma feira nos Estados Unidos, mas não conseguiu comercializá-los, porque não faziam parte da cultura local. “Porém, lá mesmo vi um grande queijo que me inspirou a produzir doces do tamanho da roda de um caminhão, e iniciamos em 2007. Inovamos na apresentação. A menor peça nossa pesa 100 quilos, mas temos a goiabada de 500 quilos, o de abóbora com coco que nos garantiu o prêmio de melhor doce de fruta do Brasil com somente 18% de açúcar, doce pingo de leite com amendoim, entre outros sabores. Entendemos que o mercado havia se tornado mais fitnees e, tornando nosso produto menos adocicado, pessoas podem comer mais”, observou anos atrás.
Os sócios são produtores familiares que acordam cedo e arregaçam as mangas, às vezes para fazer doce dessa mesma fruta, produzida na própria roça da família. O empresário sul mineiro diz que a perseverança é essencial principalmente no empreendedorismo que parte da inovação. “Possuímos um showroom em Poços de Caldas, estamos correndo atrás da certificação de produto orgânico e pra isso já estamos ampliando o pomar de frutas orgânicas na nossa propriedade: em se tratando de uma empresa que produz doces, o selo que estamos buscando é inédito, temos também um projeto de franquia e de um centro de agricultura familiar. Produzir atersanalmente como nossos avós, em um período de produção industrializada, torna-se uma inovação. Mas inovar não é certeza de perpetuação do negócio. O doce foi o primeiro passo. Precisamos agora buscar mais novidades”, alerta.
Novos criadores e suas criaturas
Projetos em desenvolvimento na UFSJ Campos Alto Paraopeba foram apresentados em estandes durante o 2º Fórum de Negócios. Estes experimentos visam a gerar inovação na região na pesquisa e ensino.
Os alunos Lucas Bueno, Karina Takai e Morgana Aguiar apresentaram o estante “Nóis Avua”, desenvolvido pela equipe de AeroDesign multidisciplinar do curso de Engenharia Química do 7º período da UFSJ Campus Alto Paraopeba. “Participamos da competição para SAE de toda a América Latina, em São José dos Campos, patrocinado pela Embraer e outras empresas de aeronaves. Nossa missão era construir o aeromodelo com tamanho de caixa restrito e motor elétrico que pudesse carregar uma carga e alijá-la em pleno voo. Ficamos em 15º lugar. A inovação deste ano foi apresentar material mais leve como ligas e compósitos. Esse projeto contribui para que aprendamos sobre gestão de pessoas e busca de material mais leve para aplicação na aeronáutica e em outras áreas”, explicou o aluno Lucas Bueno.
Reginaldo Costa, professor de Robótica e Programação do CET, acompanhou alunos no estande que apresentou o Lego Mindstorm, que é um conjunto de peças Lego associadas a uma base programável com sensor de presença, de obstáculo e outros que possibilitam a criação de protótipos, como veículos de brinquedo. “A LEGO criou o conceito de robótica para as escolas, para ser trabalhado principalmente com matemática. Os alunos definem o brinquedo e programam suas ações. O CET é pioneiro neste experimento. Utilizamos a robótica e a programação de forma educativa e para a aprendizagem criativa, colocando em prática os conceitos de matemática. Por ora, eles são alunos do Ensino Fundamental II. Faltam profissionais de tecnologia no mercado porque falta este contato com a tecnologia na base. Geralmente os estudantes são usuários e não desenvolvedores. No CET, els são as duas coisas. Vislumbrando mais a frente o mercado, esses estudantes estão, durante o Fórum de Negócios, entrando em contato com profissionais já estabelecidos. Um grande encontro como este durante o ano é até pouco, os mettups também cumprem parte deste papel de aproximar o jovem com a tecnologia de base. Com mais eventos as pessoas passarão a viver esta cultura da inovação e da tecnologia, o que contribuirá para o ecossistema de inovação se estabelecer com raízes profundas, dando origem à cultura da inovação em nossa cidade”.
Ana Clara Mendes da Cruz, do 7º ano do Ensino Fundamental 2 do CET, considerou o experimento importante para sua aprendizagem da matemática e dos conceitos de robótica. “Eu que ainda sou nova, consigo fazer esse protótipo, então todas as pessoas podem. Penso em seguir para outra área profissional daqui alguns anos, mas depois pretendo fazer um segundo focado nesta área”, projetou.
Cláudio Fortes Baeta, do 5º período de Engenharia Mecânica do IFMG Campus Congonhas, apresentou com colegas um projeto de um veículo Baja, criado para participar da Competição da SAE Brasil, programa Baja SAE BRASIL é um desafio lançado aos estudantes de Engenharia que oferece a chance de aplicar na prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula, visando incrementar sua preparação para o mercado de trabalho. “Estamos desenvolvendo o veículo testando softwer especializados para torção em chaci, dimensionamento de eixo, etc. Como precisamos de patrocínio, este Fórum pode nos ajudar a conseguir parceiros interessados no desenvolvimento desta tecnologia. Nossa equipe já se reuniu com mineradoras e apresentou o projeto”, diz.
O Governo Municipal quer lançar as bases para o surgimento de uma nova economia em Congonhas. Por isso investe na inovação e na tecnologia, para tornar a cidade um polo deste setor. Durante o 1º Fórum de Negócios, realizado ano passado, o prefeito Zelinho sancionou um projeto de lei que deu origem à Lei Municipal de Apoio a Inovação e Tecnologia e a Criação de Startups em Congonhas, aprovada pela Câmara Municipal. Esta lei dá suporte para todas as mudanças que estão sendo implementadas, como a substituição da antiga Secretaria de Desenvolvimento Sustentável pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia, que conta com uma Diretoria de Inovação e Novos Negócios, responsável por cuidar de toda a política do setor. Em seguida, tiveram início as ações práticas: convênio com o Governo do Estado para receber o Hub Digital, que será instalado no QG da Inovação instalado em 900 m² que abrigará ainda o Co-Work, Makerspace, laboratório da rede FAB lab, a Diretoria e a Sala do Empreendedor. Neste espaço vão conviver o empreendedorismo e a inovação e tecnologia.



