Impactos do trabalho irregular na vida de crianças e adolescentes foi tema de debate
25 de outubro de 2019
O trabalho infantil priva crianças e adolescentes de se desenvolverem de forma plena, impactando, negativamente, diversas áreas de suas vidas, como educação e saúde física e mental. Para combater esse problema, é preciso não só fortalecer a rede de proteção, mas também conscientizar e mobilizar toda a sociedade. Pensando nisso, foi realizada, nesta sexta-feira, 25, na Câmara Legislativa, o 1º Seminário Municipal de Combate ao Trabalho Infantil, reunindo sociedade civil e servidores públicos em um debate sobre o assunto.
O evento, promovido pelas secretarias de Educação e de Assistência e Desenvolvimento Social, teve, como tema, “Estratégias de conscientização e enfrentamento: fortalecendo a rede de proteção”. Alunos da Escola Municipal Augusto Silva, acompanhados do professor Márcio Cipriano, apresentaram uma paródia da música “Ouvi Dizer”. Já estudantes da E.M. Amyntha Jacques de Moraes, cantaram e tocaram a canção de autoria própria “Sou Criança”.
A coordenadora do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Alvorada e integrante da Comissão Especial para Erradicação do Trabalho Infantil, Laila Ferreira, apresentou dados do Diagnóstico do Trabalho Infantil em Congonhas. Observou-se que, 70% dos que se encontram em situação de trabalho irregular estão realizando alguma atividade doméstica ou cuidando de crianças menores.
“Precisamos fazer essa articulação para potencializar os resultados da erradicação do trabalho infantil porque sem essa conscientização de todos, principalmente dos agentes públicos, nós não vamos conseguir erradicar o trabalho infantil. E quando falamos de trabalho doméstico, falamos de algo muito velado, é algo que tá dentro das casas das famílias. Nós, do poder público, estamos aqui para oferecer ações, alternativas à situação do trabalho infantil, mas precisamos que todos tenham as mesmas estratégias. Aí a importância da escola, do serviço de saúde”, destacou Laila.
O documento foi elaborado com base em indicadores sociais construídos e formatados a partir de pesquisas de percepção realizadas com 1.081 crianças e adolescentes, na faixa etária entre 10 e 17 anos. A compilação dos dados coletados identificou o número e o perfil das crianças e dos adolescentes sujeitos às situações de trabalho infantil e os principais tipos de atividade de trabalho.
A assistente social da Secretaria de Educação, Andréa Guedes, apresentou as ações realizadas no município que contribuem para o combate do trabalho infantil. Entre elas está o horário integral com atividades complementares em 30 das 32 escolas da rede municipal e nas creches. São desenvolvidas diversas atividades com os alunos sobre o tema, como debates, estudo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), exposição de filmes e reconto de histórias.
“A criança que trabalha fora tem um desgaste muito maior que um adulto. O físico, cognitivo, emocional ainda não estão preparados para o mercado de trabalho. Quando ela chega na escola, está cansada e nunca vai ter o mesmo parâmetro de alunos que só estudam”, pontuou.
Segundo a médica da Secretaria de Saúde, Silvania Gomes de Souza, na região sudeste, Minas Gerais registra a segunda maior taxa de trabalho infantil, sendo que São Paulo ocupa o primeiro lugar. Por estarem expostos ao sol forte, a doenças, locais com poucas ou nenhuma higiene, sem a proteção necessária, ou ainda por executarem atividades incompatíveis com sua idade e que possam comprometer sua formação física, o trabalho infantil traz prejuízos à saúde das crianças e dos adolescentes. Além disso, os impedem de dedicar-se a atividades extracurriculares, como atividades lúdicas e sociais próprias da idade.
“O grande desafio que temos é a conscientização das pessoas em relação ao que oferecemos às crianças e qual será o futuro da nossa sociedade. Ainda há a naturalização do trabalho infantil, como se fosse algo positivo para crianças e adolescentes. É interessante observar que essa naturalização são para crianças e adolescentes de baixa renda, que são vítimas de exclusão social. Não é bom para crianças e adolescentes. É bom para um segmento social desprivilegiado, desprotegido e excluído”, observou.
