Iphan visita Congonhas para estreitar relações com o novo Governo Municipal e inspecionar equipamentos culturais
31 de janeiro de 2025
Destaque na conservação de seus bens tombados e espaços públicos localizados nas ambiências históricas, Congonhas intensifica novamente o relacionamento com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que já trouxe diversos benefícios para a cidade, como para a cultura e a história brasileiras. A cidade acaba de receber a visita da superintendente do órgão federal em Minas Gerais, Luciana Rocha Feres, que se reuniu com o prefeito Anderson Cabido e equipes das secretarias de Planejamento, Gestão Urbana, Obras, Cultura, Turismo e da Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo (FUMCULT). Em pauta, ações como aquelas necessárias em equipamentos construídos por meio do PAC Cidades Históricas. Dois destes são o Parque Natural da Romaria, que deverá ficar ser concluído este ano, e o Teatro Municipal Dom Silvério Gomes Pimenta, ambos localizados do lado da Romaria.
Na passagem por Congonhas, a representante do órgão federal conversou com nossa reportagem.
– Qual foi a impressão que o Iphan leva de Congonhas após o primeiro contato com o novo Governo Municipal e quais são as perspectivas para o início de uma nova etapa desta parceria?
Luciana Rocha Feres, superintendente do IPHAN em Minas Gerais – Nós, da Superintendência do Iphan em Minas Gerais, gostamos muito de conhecer o prefeito Anderson Cabido e sua equipe muito animada e competente, que inicia esta nova gestão em parceria com o IPHAN, para darmos continuidade às ações e também pensar em projetos futuros. Congonhas é uma cidade tão importante para o Brasil e para o Mundo, porque seu patrimônio é também da humanidade. Então é muito importante este olhar cuidadoso para Congonhas e nós temos de lançar luz sobre essas riquezas. A municipalidade, o Governo de Minas Gerais e o Governo Federal precisamos caminhar de mãos dadas em prol da preservação do patrimônio cultural. Precisamos lembrar a importância que este lugar tem para o turismo cultural e religioso e que o desenvolvimento da cidade de Congonhas precisa estar atrelado à preservação do patrimônio cultural, que é também caminho para a sustentabilidade.

Teatro Municipal Dom Silvério Gomes Pimenta
– O trabalho começa por onde?
Luciana Rocha Feres, superintendente do IPHAN em Minas Gerais – Viemos aqui para verificar como estão estas belíssimas ações do PAC Cidades Histórias [linha de investimento, criada em 2013, pelo Governo Federal, direcionada exclusivamente aos sítios históricos urbanos protegidos pelo Iphan], como o Teatro Municipal Dom Silvério Gomes Pimenta, que carece de alguma adequação, e o Parque Natural da Romaria, que ficará pronto provavelmente este ano. Ambos são frutos de uma parceria contínua do IPHAN. Buscamos sempre preservar e qualificar esses equipamentos, que são patrimônio de todos nós.
ENTENDA: Congonhas se destacou entre as cidades brasileiras por ter aprovadas dez ações do PAC Cidades Históricas, das quais a parceria com o Iphan concluiu, entre 2015 e 2019, a requalificação da Alameda das Palmeiras, a restauração dos elementos artísticos da Igreja de N. Sra. do Rosário Igreja, da Matriz de N. Sra. da Conceição e da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, a restauração do Centro Cultural da Romaria e, em 2024, a construção do Teatro Municipal, sendo este último equipamento oferecido ao Município pelo órgão federal no Governo Zelinho, em reconhecimento à competência demonstrada pelo Município em desenvolver as demais ações.

Parque Natural da Romaria (em obras)
– O público pode esperar novidades para um futuro próximo?
Luciana Rocha Feres, superintendente do IPHAN em Minas Gerais – Temos grandes ações culturais sendo pensadas junto à Fumcult [que é a responsável pela gestão dos equipamentos culturais do Município]. Tudo isso é fruto de um trabalho que vem sendo desenvolvido por Congonhas há muito tempo em parceria com o Iphan. E o PAC Cidades Históricas é este grande instrumento, esse grande programa que vai proporcionar que todas essas ações sejam concretizadas.
– Como o Iphan analisa os esforços de Congonhas durante as últimas décadas, principalmente nos governos Anderson e Zelinho (2005 -2020), para requalificar a área central da cidade? O que mais precisa ser feito além disso?
Luciana Rocha Feres, superintendente do IPHAN em Minas Gerais – A qualificação desse espaço urbano é muito importante. Conversamos com o prefeito [Anderson Cabido] sobre “detalhes” que fazem a grande diferença da qualidade desse espaço urbano para que ele seja, de fato, apropriado pela população. Bom exemplo é tornar subterrâneas as fiações da iluminação pública e das telecomunicações. Outro aspecto importante que está ocorrendo atualmente em Congonhas é a revisão do Plano Diretor Municipal. Este é o grande norte para a ocupação urbana do município. A cidade tem de se reinventar e se ressignificar o tempo todo, já que é um local vivo, onde as pessoas vivem, trabalham, estudam, precisam de lazer e ações culturais.
– Como deve ser compreendido o Museu de Congonhas neste contexto, criado para facilitar compreender a grandiosidade religiosa e cultural do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos?
Luciana Rocha Feres, superintendente do IPHAN em Minas Gerais – O Museu de Congonhas é emblemático e exemplar, uma vez que ele atua como museu de território, deste sítio que é patrimônio mundial e promove essa compreensão. Então o visitante ao visitar Congonhas conta com este espaço de acolhimento para ser recebido e compreender a história. O patrimônio mundial precisa deste centro de interpretação do patrimônio e o museu tem esse papel fundamental para ocupação desse território.
– Como deve ser a relação do congonhense e do visitante com esses espaços públicos?
Luciana Rocha Feres, superintendente do IPHAN em Minas Gerais – Temos de democratizar o acesso aos espaços públicos, como será o caso do Parque Natural da Romaria, e fazer com que sejam apropriados pela população. Lembrando uma frase célebre de Aloísio Magalhães [importante artista plástico, designer e ativista cultural brasileiro – 1927-1982], “A comunidade é a melhor guardiã do seu patrimônio”. Na verdade, o patrimônio é das pessoas e para as pessoas. Elas que fazem o patrimônio. É o que desejamos para Congonhas, que a população realmente se aproprie desse espaço, que pertence a todos nós”.
– Congonhas pode transformar suas riquezas culturais, religiosas e naturais em matriz econômica alternativa à atividade minerária?
Luciana Rocha Feres, superintendente do IPHAN em Minas Gerais – Congonhas tem a felicidade de ter, neste momento, um prefeito que valoriza e reconhece a importância da preservação do patrimônio cultural, que é a grande riqueza da cidade. Turismo e Cultura têm de trabalhar juntas neste processo. O turismo cultural e religioso é uma fonte para o desenvolvimento econômico da cidade e sua diversificação econômica, para além da atividade mineraria. Congonhas, então, está avançando rumo à sustentabilidade, que é uma grande questão na contemporaneidade, ao lidar inclusive com as questões climáticas com as quais lidamos hoje.
Por Secretaria de Comunicação/Prefeitura de Congonhas
Fotos: Prefeitura de Congonhas/Daniel Silva.
