Momento de Reflexão
25 de março de 2018
O pároco da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Padre Paulo Barbosa, é um dos principais responsáveis pela mensagem de fé e devoção, simbolizada na Semana Santa de Congonhas. Na entrevista a seguir, ele revela detalhes dos preparativos, do tema da Campanha da Fraternidade, e ainda do espírito de fé que marca esta época do ano em Congonhas:
Os temas da Campanha da Fraternidade, inicialmente, contemplaram mais aspectos ligados à religiosidade. Ultimamente eles abordam questões como a injustiça, exclusão e este ano a violência. Como a Semana Santa de Congonhas tratará este tema?
Padre Paulinho – A Igreja escolheu o tema “Fraternidade e Superação da Violência”, porque o Brasil sofre com a violência racial, em família, na escola, contra a mulher, genocídio, ameaças como aborto, desemprego e situação econômica. A superação da violência virá pelos caminhos da fraternidade: a cultura da paz, do perdão, da reconciliação, do ponto de vista social e político com a produção de políticas públicas para melhoria das escolas, da cultura, do meio ambiente. Todos os temas que constam do programa, desde o Domingo de Ramos até o Domingo da Páscoa, estão relacionados à superação da violência. Pedimos aos responsáveis pelas encenações que eles sejam abordados. Na Igreja, a liturgia e os sermões também tratarão da Campanha da Fraternidade. É preciso que durante a Semana Santa tratemos do aspecto tradicional como da realidade atual, trabalhando a cultura da paz. O Jesus Cristo que morreu no passado continua vivo hoje na luta, na batalha do dia a dia de todos que acreditam no ideal deste Reino, que tem como prioridade a justiça, a paz, a fraternidade e a solidariedade.
Por que este ano as procissões do Cristo Fragelado na Segunda-feira Santa e a que conduzirá a imagem de Nosssa Senhora das Dores, na quarta-feira, terminarão na Igreja de São José Operário, situada na Ladeira Bom Jesus?
Padre Paulinho – A nossa programação é conjunta entre a Paróquia de N. Sra. da Conceição e a de São José Operário e percebemos que, nos últimos anos, esta última ficava em segundo plano, então é importante conjugarmos esta comunhão entre as paróquias que realizam a Semana Santa. Não se perde o cenário do Bom Jesus, porque lá acontecerão vários momentos como o início do Domingo de Ramos, o início da Procissão do Encontro, o Lava Pés, a encenação da Condenação, Paixão e Morte de Cristo e a Bênção do Santíssimo Sacramento. Na segunda-feira, após a procissão, haverá o Sermão do Pretório na Igreja de São José Operário e as pessoas poderão se sentar e refletir sobre todo o processo que levou Jesus a Cruz. Na quarta-feira, Dia de N. Sra. das Dores, novamente valorizaremos à Igreja de São José, que há pouco completou 200 anos.
As especificidades do acervo arquitetônico, cultural e religioso de Congonhas, com a Igreja do Rosário, construída por escravos; a Matriz de N. Sra. da Conceição, que possui a maior nave barroca sem coluna do Brasil; a Igreja de São José Operário, que está entre os últimos templos católicos edificados em estilo Rococó; e a Basílica do Bom Jesus, que atrai milhares de romeiros a Congonhas e é considerada Patrimônio Mundial, representando juntas a Sagrada Família, torna esta Semana Santa diferente das realizadas em outras cidades?
Padre Paulinho – O cenário de Congonhas já é por si só religiosamente preparado, não apenas para uma encenação, mas para a religiosidade, para que os fiéis rezem e possam se dedicar a Deus. Por isso milhares de fieis das diversas comunidades de Congonhas e até de outras cidades participam de nossa Semana Santa.
Que mensagem o senhor quer passar para o católico, dias antes de começar a Semana Santa?
Padre Paulinho – Fazemos uma convocação cristã para a maior semana do ano, não cronologicamente, mas com relação ao tempo da qualidade da fé, do Kairós, que é o tempo de Deus, para refletir, rezar, buscar a conversão, pensar na própria vida, em amar o outro, superar as violências como os preconceitos. Que a Semana Santa sirva para a gente se encontrar consigo mesmo, com o outro na comunhão, no encontro com o Pai, tendo Maria Santíssima nos ajudando tanto a carregar a cruz, mas também a viver a ressurreição da vida nova. Convidamos todos para essa belíssima Semana Santa de Congonhas.
Enquanto Padre Paulinho encerrava a última resposta da entrevista, os sinos da Igreja Matriz de N. Sra. da Conceição cumpriam propósito parecido com o das palavras do vigário: chamar o povo, mas para o período do Setenário das Dores, que antecede à Semana Santa.
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