No escurinho do cinema … Congonhas ganha, em breve, um moderno equipamento cultural

Um espaço multiuso mais confortável e funcional, com tecnologia atual, mas que terá preservadas suas características arquitetônicas, por ser um bem de grande valor para os congonhenses e se situar na área de ambiência histórica de Congonhas. Assim será o novo Cine Teatro Leon, importante patrimônio da “cidade dos Profetas”, que a Prefeitura, por meio da FUMCULT e Secretaria de Obras, e com patrocínio do BNDES, via Lei Rouanet, entrega à população, ainda este ano, totalmente restaurado e requalificado.

A obra do Cine Leon está dividida em fases. A nova cobertura já foi concluída, contempla treliças de perfis metálicos onde, sobre elas, foram instaladas telhas termoacústicas de poliuretano, que, como sugere o nome, tornam temperatura e audição mais agradáveis. Completará o sistema de absorção de som, para evitar reverberação, o revestimento das paredes internas com carpete, lã de vidro e madeira. Ainda para garantir o conforto no novo espaço cultural está prevista a instalação de um sistema de climatização com instalação de aparelhos de ar condicionado.

Na fase atual, já começaram a montagem da estrutura metálica que elevará em 1 metro a inclinação da platéia, em relação à antiga, para que as pessoas da fileira da frente não prejudiquem a visão de quem está nas de trás. Sobre esta plateia, será criado um novo mezanino, cujo projeto já está aprovado e começará a ser executado em breve.

Teve início também o preparo da fundação da área de entrada do Cine Teatro Leon, onde haverá um café, mesas, uma passarela elevada e um uma plataforma para seis pessoas, o que garantirá a quem se dirigir ao segundo pavimento, a devida acessibilidade, item, aliás, presente em toda a obra. Ainda na parte superior deste espaço multiuso, está previsto um memorial, uma sala de administração, outra de projeção e ainda uma varanda para a rua.

Mais uma etapa concluída é a fundação para instalação de outro elevador de acesso da coxia ao palco, para uso de profissionais e transporte de equipamentos. Dos lados do palco, haverá duas passarelas técnicas e uma sala de preparo para as apresentações. Ainda no palco será mantida a tela de cinema do Cine Teatro Leon, preservando, assim, o uso original do espaço.

 

A requalificação agregará outros benefícios aos cidadãos. Na área externa, foi construído um banheiro público, que já está na fase de acabamento.

O engenheiro civil da Marsou Engenharia, empresa responsável pela obra, o congonhense Rafael Alexandre Lobo e Silva compara a técnica utilizada para a edificação do prédio, inaugurado em 1961, e a atual. “O método executivo do prédio antigo era diferente do utilizado hoje, mas funcional. O aço daquela época tinha formato de barra lisa, sendo que utilizamos agora o nervurado, o que garante mais aderência ao concreto. Os vãos das áreas construídas eram grandes comparados aos de projetos recentes, ou seja, colocavam poucas colunas. Apesar disso, a engenharia antiga garantia muita resistência”, afirma.

Para Rafael é “um privilégio trabalhar em um local como este, onde o tio Sérgio Malena, já falecido, também trabalhou em uma reforma da década de 1990. Utilizo aqui todo o meu conhecimento adquirido durante a edificação de salas de exibição de arte pelo Brasil afora. Sempre ouvi pessoas dizendo que, quando da criação do Cine Teatro Leon, ele foi o primeiro grande espaço cultural da região. Após esta requalificação, oferecerá as condições adequadas para diversos tipos de manifestações do gênero, proporcionando lazer e entretenimento para todos”.

Arte da fachada

Atriz do Grupo de Teatro Boca de Cena e estudante de Direito, Carla Cruz acredita que, não só ela, mas toda a classe artística esteja muito ansiosa pela reabertura das portas do Cine Teatro Leon. “Afinal de contas, este será um espaço do teatro, da dança, da música e das interferências culturais da cidade, enfim, de todo tipo de manifestação da sensibilidade humanizada. O Cine Teatro Leon será palco para os artistas colocarem a cultura local a serviço do povo. Porque cultura é uma ação sobre a realidade social e, portanto, temos de tornar este equipamento ativo. Espero que ele e outros que estão sendo preparados ou já existentes possam nos dar possibilidades de valorizamos a identidade cultural raiz que carregamos como congonhenses, para que possamos interferir na realidade de forma consciente, que é a função do artista. Neste sentido, esta restauração é um grande presente para todos nós de Congonhas”, afirma.

História

O primeiro cinema de Congonhas funcionou à praça Mário Rodrigues Pereira. Em substituição a este, surgiu o Cine Teatro Leon, idealizado pelo Padre João Leonardo Pluymackers e construído por iniciativa das obras sociais da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, tendo sido inaugurado em 1961.

Em meados da década de 1990, aquele edifício passou por um processo de restauração, mas desde então recebeu somente pequenas reformas pontuais.

A arquitetura do prédio parece ser influenciada pelo art‐déco (que utiliza formas aerodinâmicas, retilíneas, simétricas e ziguezagueantes) na fachada principal. O estilo clássico está na decoração interna, seguindo o padrão de cinemas do período, com ornamentações estilizadas em gesso nas luminárias, no palco e nos forros. A alvenaria era de tijolos e concreto, e as esquadrias basculantes de metal e vidro. Os pisos eram de tacos de madeira. Os equipamentos foram adquiridos de segunda mão no Rio de Janeiro.

Parceria

O Cine Teatro Leon pertence à Arquidiocese de Mariana e vinha sendo alugado pela Prefeitura de Congonhas. Graças a esta parceria que envolve o Município, Arquidiocese de Mariana e BNDES, haverá uma carência no pagamento do aluguel, para amortizar o valor investido no imóvel.

A obra do Cine Leon está sendo executada com recursos captados pela Fundação Municipal de Cultura e Lazer de Congonhas (FUMCULT), com auxílio de setores da Prefeitura, na forma de patrocínio do BNDES (Bando Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) por meio da Lei Rouanet (Lei 8.313/91). O valor captado é de R$ 5.015.000. O município entra com contrapartida e supervisão. O projeto executivo foi elaborado pelo atual Governo Municipal, por meio das Secretarias de Planejamento e de Obras, e aprovado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). A empresa Marsou Engenharia Eireli, contratada por meio de licitação, é a responsável pelos serviços.