DESTAQUE EM CONGONHAS

Orgulho Congonhense: estudante une futebol e literatura em movimento com mais de 120 mil seguidores

30 de outubro de 2026

A paixão pelo Atlético Mineiro e o amor pela literatura se encontraram em uma ideia que nasceu despretensiosamente e ganhou proporções que Carolina Marques, de 22 anos, nunca imaginou. Nascida e criada em Congonhas, a estudante de Letras da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) é a idealizadora do Galeitura, movimento cultural criado em setembro de 2026 que ultrapassou 120 mil seguidores nas redes sociais em aproximadamente um mês. Além de reunir torcedores em torno dos livros, o projeto tem mostrado que uma paixão pode abrir caminhos para a descoberta de outras.

Tudo começou quando Carolina acompanhava, no antigo Twitter, atual X, a repercussão das indicações literárias do jogador Gustavo Scarpa do time alvinegro. Entre comentários, brincadeiras e a curiosidade dos torcedores, ela enxergou a possibilidade de transformar aquele interesse em algo maior. Publicou a sugestão de criar um clube do livro para que atleticanos pudessem ler e conversar sobre as obras recomendadas. Foi dormir sem imaginar o que encontraria no dia seguinte: várias pessoas dispostas a participar.

O que parecia ser um pequeno grupo de dez ou vinte leitores começou a crescer rapidamente. Pelo WhatsApp, os participantes organizaram a primeira leitura coletiva, A Morte de Ivan Ilitch, do escritor russo Liev Tolstói. Vieram os cronogramas, os debates e os encontros virtuais e presenciais. Hoje, a comunidade está lendo A Cabeça do Santo, da escritora brasileira Socorro Acioli, e continua ampliando suas experiências literárias.

Para a estudante, o resultado mais significativo não está apenas nos números, mas nas histórias que chegam até ela. São pessoas que voltaram a ler depois de anos, que compraram um livro pela primeira vez em muito tempo ou que encontraram no grupo companhia para compartilhar uma nova experiência.

“Muitas vezes, o problema não é que as pessoas não gostam de ler. É que elas nunca tiveram um incentivo, uma oportunidade ou alguém com quem compartilhar essa experiência”, explica.

A iniciativa também ultrapassou as fronteiras da torcida atleticana e inspirou torcedores de outros clubes a criarem seus próprios grupos de leitura. Em um universo conhecido pelas rivalidades, os livros passaram a oferecer um espaço de encontro, mostrando que o futebol e a cultura podem caminhar juntos, mesmo entre pessoas que vestem camisas diferentes.

O desejo de ampliar esse alcance também levou o Galeitura para além das redes sociais. Em parceria com o Instituto Galo, o movimento promoveu uma campanha de arrecadação de livros infanto juvenis, com pontos de coleta em Belo Horizonte. A mobilização reuniu mais de 2 mil exemplares, que representam oportunidades para que outras crianças e jovens tenham contato com a literatura. Novas ações culturais, educativas e sociais estão nos planos do grupo.

As primeiras páginas de uma história em Congonhas

Muito antes de criar uma comunidade com milhares de leitores, Carolina era uma menina do bairro Jardim Profeta que esperava ansiosamente pela sua vez de levar um livro para casa. Foi na escola pública, durante o Ensino Fundamental I, que uma professora despertou seu interesse pela literatura com uma atividade simples: a cada semana, um aluno levava uma obra para ler e depois compartilhava um pequeno resumo com a turma.

A expectativa pela chegada da própria vez, o contato com as histórias e o prazer de escrever sobre o que havia lido fizeram parte dessa descoberta. Entre as lembranças que guarda daquele período está Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque, livro que marcou sua formação como leitora.

O incentivo recebido na escola teve reflexos duradouros. A literatura deixou de ser apenas uma atividade escolar e passou a fazer parte de sua vida, contribuindo para a escolha da graduação em Letras. A educação pública também abriu outras portas em sua trajetória: foi por meio dela que conquistou uma bolsa de estudos em uma escola particular e, posteriormente, chegou ao Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG).

Por isso, acompanhar o alcance nacional do Galeitura tem um significado que vai além do sucesso de um projeto. A ideia que começou com uma publicação nas redes sociais nasceu de uma jovem que construiu sua relação com os livros em Congonhas, com o incentivo de uma professora e as oportunidades encontradas ao longo da vida escolar.

“Ser de Congonhas torna tudo ainda mais especial. Às vezes, quem cresce em uma cidade do interior pode sentir que as grandes oportunidades e os grandes projetos estão sempre acontecendo em outros lugares. Mas essa experiência me mostrou que boas ideias podem nascer em qualquer lugar”, afirma.

Ao olhar para o caminho percorrido, Carolina espera que sua história também incentive outros jovens da cidade a acreditarem no que são capazes de construir. Com o Galeitura, ela quer contribuir para a formação de novos leitores, aproximar pessoas da literatura e ampliar o acesso aos livros.

Afinal, o movimento que nasceu da união entre o futebol e a leitura já mostrou que uma ideia não precisa começar grande para alcançar muita gente. Às vezes, basta uma paixão compartilhada, alguém disposto a dar o primeiro passo e a vontade de convidar outras pessoas para fazer parte da história.

Por Secretaria de Comunicação/Prefeitura de Congonhas