Orgulho congonhense: Guilherme Bitencourt supera condições extremas e faz história no Brasil Ride Bahia 2025
15 de novembro de 2025A lama era tanta que a bicicleta parecia dobrar de peso. Chovia sem trégua, e cada pedalada exigia força extra para vencer trilhas que mais pareciam um campo de batalha. Foi nesse cenário extremo que o congonhense Guilherme Augusto Bitencourt Nogueira, de 33 anos, escreveu mais um capítulo inesquecível da sua trajetória no Brasil Ride Bahia 2025, a maior ultramaratona de Mountain Bike da América Latina. Entre os dias 18 e 25 de outubro, ele encarou sete etapas brutais entre Arraial d’Ajuda e Guaratinga e cruzou a linha de chegada pela segunda vez na carreira, reforçando seu nome entre os grandes guerreiros do esporte.
Nesta edição, o percurso ficou ainda mais difícil e entrou para a história do evento. A chuva constante transformou trilhas em lama pesada e pegajosa, cenário que exigiu resiliência e capacidade de adaptação. “Foi um verdadeiro cenário de guerra. Chuva, barro, lama o tempo todo. Testou o físico, o equipamento e principalmente o mental”, descreveu. Cada trecho exigia estratégia para poupar a bike e enfrentar um terreno imprevisível. O congonhense precisou realizar manutenção diária e trocar as pastilhas de freio em todas as etapas, tamanha era a degradação causada pelo barro.
O ponto mais dramático da prova foi a Etapa Rainha, na Serra do Cariri. Foram 101 km com 2.400 metros de altimetria, trechos de empurra-bike e lama que chegava a acrescentar cerca de 15 kg ao peso da bicicleta. O desgaste foi tanto que 108 atletas foram desviados para outro trajeto por conta do tempo de prova. Guilherme, no entanto, concluiu a etapa na íntegra — um feito que ele celebra com orgulho.
Mesmo diante das dificuldades, ele garante que não pensou em desistir em momento algum. Sua preparação com a assessoria OCE Power House trabalhou não só o corpo, mas também o psicológico, algo decisivo para resistir mentalmente às condições extremas. “Aceitei a realidade: ou eu encarava a lama como parte da rotina ou perderia energia tentando lutar contra ela. O mental fez toda diferença.”
Ao cruzar a linha de chegada, o atleta destacou um sentimento indescritível: alívio, alegria, gratidão e aquela certeza de dever cumprido que só quem supera o impossível conhece. “Foi surreal, os dias mais desafiadores da minha vida em cima da bike. Cada pensamento positivo me mantinha firme. Ser finisher novamente fez tudo valer a pena”, celebrou.
A emoção ganha ainda mais força porque ele leva consigo o nome de Congonhas por meio da Associação Ciclística de Congonhas (ACICON). “Representar minha cidade é sempre uma honra. Carregar Congonhas no peito me impulsiona”, reforça.
A relação de Guilherme com o ciclismo começou de forma constante em 2012. De lá para cá, a evolução foi contínua e o esporte se tornou sua carreira. Hoje, atua como treinador de ciclismo e MTB, Coach master class na OCE Power hause, uma das assessorias mais conceituada do país, em Belo Horizonte, auxiliando atletas de todo o país a alcançarem alta performance.
Com pódios em competições como a Copa Internacional de MTB, além de títulos gerais no Enduro Mariana e Copa Vertentes, completar o Brasil Ride pela segunda vez é, segundo ele, “algo desigual” em significado. “O MTB trouxe muitas mudanças para a minha vida. Hoje, além de atleta, sou profissional da área e vivo para a bike.” Ele também destaca a inspiração que recebe do ídolo Henrique Avancini, que transformou o MTB brasileiro no cenário mundial. “Ele nos faz acreditar que tudo é possível.”
Por Secretaria de Comunicação/Prefeitura de Congonhas
