DESTAQUE EM CONGONHAS

Orgulho Congonhense: Jaqueline Otavira é a primeira mulher maratonista e ultramaratonista residente em Congonhas

14 de outubro de 2025

O que começou como um simples passatempo se transformou em um propósito de vida. A corredora congonhense Jaqueline Otavira descobriu na corrida de rua uma verdadeira paixão e, com disciplina e foco, escreveu seu nome na história do esporte local ao se tornar a primeira mulher de Congonhas a concluir uma maratona (42,195 km) e uma ultramaratona (50 km). “Faço questão de ressaltar que nasci, moro e treino em Congonhas”.

A trajetória teve início de forma inesperada. “Minha história com a corrida começou quase como um pontapé do destino. Eu já corria por conta própria, mas sem direção. Tudo mudou quando, em uma corrida noturna, conheci a mãe do meu futuro treinador, Frankylin Machado (@frank_machado_running). Ela me sugeriu procurá-lo, e aquele encontro transformou minha relação com o esporte”, relembra.
Com o acompanhamento de Frankylin, que a orientou no início, quando ainda aprendia as técnicas básicas, Jaqueline passou a encarar os treinos com seriedade e planejamento.

O resultado veio em abril de 2024, quando completou sua primeira maratona, em Brasília, sob a orientação do treinador Giles Dias (@corregiles). “A maratona merece respeito. Mesmo com preparo, nem sempre o resultado é como desejamos, mas a experiência ensina muito sobre resiliência e entrega”, afirma.

O desafio seguinte foi ainda maior: a Ultramaratona Caminhos de Rosa, com 50 km, realizada em Paraopeba (MG), uma das provas mais duras do país. O percurso, inspirado nas paisagens que marcaram a obra Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, colocou à prova o corpo e a mente da atleta.
“Essa preparação foi com o apoio e incentivo do meu amigo Eustáquio Machado (@cutiaeustaquio), que me ajudou muito nesse novo desafio”, conta.

“Senti um alívio imenso ao cruzar a linha de chegada. Foram quilômetros sob o calor intenso, poeira e solidão, carregando toda a água e alimentação. Cada passo era um teste de resistência física e mental. Mas foi também uma experiência cultural e transformadora”, relata.

A superação veio acompanhada de conquistas expressivas: 2º lugar geral e 1º lugar na faixa etária. “Foi uma felicidade gigante. Esse resultado confirma que estou no caminho certo. Caminhos de Rosa exige muito, e conquistar essa colocação foi a prova de que todo o esforço valeu a pena”, comemora.

Atualmente, Jaqueline mantém uma rotina de treinos disciplinada, com corrida, fortalecimento muscular, alimentação equilibrada e descanso rigoroso. “É um equilíbrio constante entre corpo, mente, trabalho e dedicação”, explica.

Mais do que resultados, ela carrega o orgulho de abrir caminhos para outras mulheres. “Ser a primeira mulher de Congonhas a completar uma maratona e uma ultramaratona é uma alegria e uma responsabilidade. Quero que outras mulheres vejam que limites são apenas pontos de partida. Eu sou a prova de que é possível”, destaca.

A motivação para correr longas distâncias surgiu de um desafio lançado por uma amiga. “Ela disse que não havia mulheres maratonistas em Congonhas. Aquilo ficou na minha cabeça e se transformou em meta. A ultramaratona, por sua vez, foi um desafio interno: vencer o medo e provar para mim mesma que eu podia”, diz.

Entre os maiores obstáculos, a atleta aponta o medo de treinar sozinha nas ruas ainda escuras. “Como mulher, sair para correr às 4h da manhã me deixava insegura. Essa era a parte mais difícil, mas aprendi a lidar com isso e segui em frente.”

Hoje, com orgulho e serenidade, ela celebra cada conquista e deixa uma mensagem às congonhenses. “Quero que minha história inspire outras mulheres. Que, em breve, eu não seja mais a primeira, mas apenas uma entre muitas de Congonhas que se desafiaram e venceram. A vitória real será quando isso se tornar comum e acessível a todas nós.”

Por Secretaria de Comunicação/Prefeitura de Congonhas