DESTAQUE EM CONGONHAS

Orgulho congonhense: Marília Elias supera desafios e conquista primeira maratona internacional aos 64 anos

4 de junho de 2026

O frio cortante vindo do Rio da Prata, os ventos fortes e os mais de 42 quilômetros de percurso não foram suficientes para parar a determinação da congonhense Marília Aparecida Elias. Aos 64 anos, a aposentada transformou o hábito diário de caminhar e correr pelas ruas de Congonhas em uma trajetória marcada por superação, disciplina e conquistas internacionais.

Recentemente, ela venceu sua primeira maratona em Montevidéu, no Uruguai, levando o nome da cidade para além das fronteiras brasileiras. A paixão pela corrida começou de forma simples, durante as caminhadas e corridas realizadas diariamente na Praça JK, após as atividades de trabalho e a rotina do dia a dia. O incentivo para competir veio através de um convite para participar da Corrida da Ressaca, em Congonhas, promovida pela A.C.C. A partir dali os resultados começaram a aparecer e Marília passou a conquistar pódios em provas realizadas em cidades vizinhas, capitais, outros estados e até em outros países.

A maratona em Montevidéu, no entanto, representou um dos maiores desafios de sua trajetória esportiva. O percurso urbano atravessou mais de vinte bairros icônicos da capital uruguaia, incluindo a região costeira do Rio da Prata. As baixas temperaturas (entre 10 e 12 graus), com sensação térmica chegando a 4 graus e o vento intenso exigiram preparo físico e mental durante toda a prova. Segundo ela, um dos momentos mais marcantes foi a subida da Rambla, acompanhada pela vista da região costeira e pela arquitetura local. “As pessoas nos encorajando durante o percurso fizeram toda a diferença”, relembra.

Mesmo experiente em competições, ela admite que não imaginava conquistar a vitória. “Tudo estava em contraponto ao que costumo enfrentar nos treinos. Foi algo totalmente atípico”, conta. A preparação para as provas é baseada em musculação, fortalecimento muscular, treinos específicos de corrida de rua e atividades voltadas para resistência física. Para ela, a constância nos treinamentos é o que desenvolve determinação, resiliência e equilíbrio psicológico. Participar de competições em diferentes cidades, estados e países também mudou sua relação com o esporte. “Passei a enxergar a corrida com mais foco e determinação. Hoje tenho mais disciplina, planejamento e dedicação à rotina de treinos”, afirma.

Representar Congonhas em eventos esportivos é motivo de orgulho para a atleta. “Levar o nome de Congonhas é uma satisfação e uma honra enorme”, destaca. Inspirando principalmente mulheres e pessoas da terceira idade, Marília acredita no poder transformador do esporte. Ela deixa ainda um conselho para todas as idades. “Se você tem boas condições físicas e acompanhamento médico, pratique uma atividade física regularmente. O corpo agradece e a mente também. O esporte transforma e salva vidas”.

Ao final da competição, Marília traduziu em palavras a emoção vivida durante a maratona em uma crônica emocionante. “Na maratona, assim como na vida, fui testada em todos os aspectos físicos e mentais. A superar cada obstáculo, não só no dia da prova, mas durante todo o processo de preparação, que foi desafiador e de completa abnegação.

No percurso, fui lembrando de muitos motivos pelos quais estava ali. Lembrei da minha história, do gosto pela corrida e das pessoas que me incentivaram de todas as formas para que eu estivesse naquele momento. Dos encontros, dos olhares na largada, das palavras que às vezes eu nem entendia. Éramos muitos e, nessa engrenagem de sonhos e passos, formávamos um elo de união.

“Entre o divino e o humano, a sintonia era forte. Partilhei um pouco das minhas forças com alguém que estava desistindo e, assim, também me fortalecia para continuar no percurso. Em cada passo, pude perceber o milagre da vida, vencendo o frio, o vento, o cansaço, a distância e também os medos que ficaram para trás. Deus é maravilhoso!”

Por Secretaria de Comunicação/Prefeitura de Congonhas