Prefeitura amplia apoio iniciado em 2016 a criadores de peixe que já produzem 40 toneladas de tilápia/ano
25 de janeiro de 2019A iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia da Prefeitura de Congonhas de incentivar a atividade da piscicultura, por meio de sua Diretoria de Desenvolvimento Rural, já contribuiu para elevar a produção local, que antes do início da implementação da lei Lei Municipal N.° 3.596, de 5 de Abril de 2016, era de praticamente zero, para as atuais cerca de 40 toneladas de tilápia. O Município destina recursos para promover ações de apoio, como assistência técnica e incentivo a produção de peixes. Agora a equipe da Prefeitura visita novamente os criadores, propondo novos cursos, a compra consorciada de alevinos e ração e, para o futuro próximo, a criação de uma cooperativa. O objetivo do Governo Municipal é elevar a renda do homem do campo e contribuir para o desenvolvimento do turismo rural.
Quando a lei municipal de apoio e incentivo à piscicultura, que dispõe sobre a criação do Programa Municipal de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Aquicultura Familiar, foi sancionada pelo prefeito Zelinho em 2016, a Secretaria lançou o Programa Produtores de Água e Criadores de Peixes, para incentivar a preservação das nascentes, porque sem água de qualidade não há peixe, e abrir uma nova frente de negócios na Zona Rural de Congonhas, que é repleta de pequenas propriedades e dotada de recursos hídricos.
A Prefeitura iniciou um trabalho de incentivo e convencimento junto a pequenos produtores para que aderissem a esta atividade. Ainda em 2015, a Prefeitura trouxe ao Município especialistas, como o médico veterinário e então funcionário da EMATER, como o especialista e reconhecido internacionalmente, José Eduardo A. Rasguido, que ministrou curso para criadores. A partir de 2016, com a devida autorização da Lei 3.596, a Diretoria de Desenvolvimento Rural passou a escavar poços nas propriedades engajadas ao programa.
Esta lei permite à Prefeitura construir e limpar tanques, facilitar o acesso a insumos e criar outras formas de fomento da cadeia produtiva, visando a aumentar a produção e a agregar renda às famílias rurais, mediante projetos específicos de inclusão do peixe na alimentação escolar.
Primeiros resultados
Passados dois anos, em um breve giro pela Zona Rural de Congonhas, já é possível perceber que a piscicultura começa a se desenvolver no Município. Existem cinco criadores utilizando tanques-rede e quatro, poços escavados, que já totalizam esta produção anual de mais de 40 toneladas de tilápia, gerando renda e abrindo novas possibilidades.
“Estamos agora fazendo um levantamento de produtores já estabelecidos no mercado e os que também possuem potencial para aderirem à piscicultura. Em seguida, iremos promover um seminário com especialistas para oferecer mais informação a eles e proporcionar que troquem experiências. A Administração Municipal quer, com isso, ampliar ainda mais seu apoio ao homem do campo e contribuir para o incremento do turismo rural”, afirma Wedson José Guerra, diretor de Desenvolvimento Rural da Prefeitura de Congonhas.
Criadores e proprietários de pesque-pague abraçam a causa
Há dois anos à frente do pesque-pague e restaurante “Ilha dos Peixes”, no Esmeril, Antônio Mauri Pedro possui nove gaiolas de criação e um de triagem em que cria tilápia, matrinchan, trairão do amazonas e carpa capim. Toninho, como é conhecido, adquire somente alevinos, o que resolveu o problema da mortalidade de adultos no transporte. Ele coloca um bolsão com 5 mil alevinos em cada tanque-rede. Com o tempo, deixa 500 peixes entre juvenis e os mais adiantados no processo de engorda em cada gaiola. No total, a produção anual daquele pesque-pague é de 10 mil quilos, que são consumidos no próprio negócio, comercializados vivos para outros estabelecimentos do gênero ou já entregues beneficiados para restaurantes.
“Nós, que estamos neste ramo, temos de unir forças para que um criador contribua com o outro, trocando experiências e aproveitando este apoio da Prefeitura. Juntos, conseguimos adquirir ração a um valor inferior a R$ 40,00, pagos hoje por um saco de 25 quilos com 32% de proteína; comprar o alevino em melhores condições ainda; beneficiar o peixe, separando o filé dos subprodutos, acondicionar tudo e depois dar a destinação certa a cada um”, diz Antônio Mauri, ratificando a proposta do Governo Municipal.
No Pequeri, há outros diversos pesque-pagues, complementados com restaurante e até de pousada e que já estão produzindo sua matéria-prima. No Pesque-Pague Castanheira, de propriedade de Valdir Pereira Pinto, existem 18 tanques-rede com cerca de 700 tilápias em cada um, que entram com 10 centímetros e 100 gramas e saem com peso entre 800 gramas e 1 quilo, após 7 meses. São necessários ainda 200 quilos de alevinos de tilápia por mês para abastecer aquele criadouro. A produção anual da propriedade é de 17 toneladas. Daqui a 3 meses, a produção própria já será capaz de abastecer o restaurante do empreendimento. “A ideia da Prefeitura de dar mais um passo nesse apoio a nós e, como consequência, nos levar a criação de uma cooperativa regional, vai nos ajudar a reduzir a mortalidade de peixe adulto no transporte. Precisamos muito disso”, diz o proprietário de uma das glebas da Fazenda Castanheira e que já conta com a prestação de serviços de maquinário, entre outros, da Prefeitura na sua propriedade.
No sítio de Edir Afonso Pereira, a Administração Municipal abriu dois tanques e limpou outros dois, que são utilizados para engorda de 4.400 peixes juvenis em 8 meses. Lá são produzidos 6 mil quilos de peixe por ano, mas há potencial para praticamente duplicar esta quantidade, já que a capacidade é para 10 mil quilos. “Gosto da ideia de criarmos uma cooperativa regional, chamando os produtores de Lafaiete e outras cidades. Concordo que uma das vantagens é reduzir o custo da ração, que hoje ta saindo a R$ 62,00 o saco de 25 quilos com 36% de proteína. A Prefeitura seguindo com a gente, transmite ainda mais credibilidade, porque ela já nos ajuda abrindo tanques e dando a manutenção neles. Até a estrada de acesso a eles foi aberta pela Diretoria de Desenvolvimento Rural”, comenta.
Já na margem direita da MG-383, também no Pequeri, fica a propriedade de Antônio Pereira de Souza. Ele e o sobrinho iniciam a produção própria. Proprietário do Pesque-Pague Parada da Família, Sr. Antônio compra mais de 1.500 quilos de tilápia, 800 quilos de surubuim, 600 quilos de catfish por mês. “Com essa nova ajuda que a Prefeitura promete nos oferecer, a tendência é a gente produzir o peixe aqui. Se eu compro a tilápia por R$ 10,00 o quilo, eu vou fazer ela por R$ 6,00. Temos de criar nossa cooperativa, resolvendo os problemas que são de todos, depois sim cada um tenta oferecer um serviço melhor ao cliente do seu pesque-pague.”, diz entusiasmado, Sr. Antônio.
O sobrinho de Sr. Antônio é José Luiz Pereira, da Fazenda Barra do Flamengo, onde ficam quatro tanques-rede com tilápias. A expectativa dele e do tio é de produzirem, inicialmente, em torno de 5 mil quilos por ano. “O que produzirmos vai para o pesque-pague do meu tio. Começamos com quatro gaiolas, onde colocamos os bolsões de alevinos. No final da etapa de engorda, aí vamos avaliar o negócio. Fora das gaiolas criamos traíra também. Já estamos pedindo o apoio da Diretoria de Desenvolvimento Rural para abrir um novo poço. Nós estamos tendo perda de alevinos, que, em grande parte, morrem durante o transporte. Essa ideia da Prefeitura de realizar a compra consorciada e monitorada vai nos ajudar nisso também. Na área da agricultura, a Prefeitura ajuda a gente demais, com máquinas para cortar a terra para o plantio, melhora do acesso à sede do sítio e limpeza da represa, por exemplo”, completa satisfeito.
Além de trabalhar para que surjam novos criadores e para aperfeiçoar as técnicas utilizadas por eles, a Prefeitura vai desenvolver um calendário de atividades durante o ano de 2019 para o setor. Estão previstos cursos com especialistas da Emater, reuniões de piscicultores na busca de organizar a compra consorciada de ração e alevinos e, para um futuro próximo, a criação de uma cooperativa. Outros dois desafios para que o ciclo da piscicultura se complete na cidade também vão ser tratados. O primeiro é buscar alternativas para o beneficiamento dos peixes; o outro é relativo ao desenvolvimento e produção de alevinos localmente.
“Nosso potencial na piscicultura é muito grande. Acredito que continuando com esse trabalho de incentivo aos empreendedores rurais, em pouco tempo poderemos dar passos maiores ainda. O consumo de peixe cresce a cada dia no Brasil e no mundo. Existem grandes mercados consumidores ao nosso redor. Espero que em breve aumente o número de criadores e que exista uma organização muito interessante entre eles. O trabalho só está começando”, considera Christian Souza Costa, secretário da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia da Prefeitura de Congonhas. Ele finaliza afirmando que a intenção do Município é levar a carne saudável do peixe para a alimentação escolar.




