Projeto de revitalização de ‘Velho Chico’ avaliará na próxima semana áreas banhadas pelo Macaquinhos
25 de abril de 2018A EMATER, em parceria com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), o Ministério da Integração Nacional, a Secretaria de Estado de Agricultura, a Prefeitura de Congonhas, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Tecnologia e sua Diretoria de Desenvolvimento Rural, e acompanhamento da Secretaria de Meio Ambiente, além do Legislativo Municipal, a Copasa e de proprietários rurais iniciam a implementação em Congonhas do projeto de revitalização da sub-bacia do rio São Francisco. O projeto da Agência Nacional de Águas (ANA) na cidade começará pelo córrego Macaquinhos com a implantação de 50 barraginhas e terraços por uma extensão de 5 km. O primeiro passo foi dado nessa terça-feira, 24, com a realização de uma Audiência Pública no Salão Nobre da Câmara Municipal de Congonhas.
O objetivo da EMATER com essa iniciativa é atuar junto aos produtores rurais com procedimentos técnicos eficazes para a produção de alimentos, melhoria da oferta de água e conservação dos demais recursos naturais, para o alcance da sustentabilidade das atividades produtivas, da propriedade rural e das sub-bacias hidrográficas.
Segundo Fabíola Silva, diretora de Infraestrutura da EMATER, “esta é uma ação importante, em um momento de grande insegurança hídrica, da necessidade de se garantir a sustentabilidade, quando vemos municípios que possuíam abundância de água e veem ela cada vez mais escassa. Pretendemos contribuir para oferecer mais conforto, não só para a nossa geração, como para as futuras. Quem tem essa consciência, principalmente quem lida com a Agricultura Familiar, quer tirar o sustento da terra, mas quer deixar recursos naturais para quem vem adiante. Essas práticas, no caso do córrego Macaquinhos, que será o primeiro onde atuaremos, têm como objetivo manter a perenidade do curso d’água, o que terá efeito também sobre o rio São Francisco, que é o maior rio do País, sendo que 70% de seus afluentes estão em Minas Gerais, o que tem reflexo no Estado, no Centro-Oeste e no Nordeste brasileiros. Este trabalho tem de ser incorporado pelos municípios”, diz em tom de conclamação.
Por isso, Vitório Freitas, gerente regional da EMATER, declarou que o projeto pretende inserir Congonhas em uma agenda ambiental, chamando a responsabilidade para o problema que está ligado a origem do mineiro. “Somos extrativistas por natureza. Da mineração, fica uma herança maldita. Como explicar para os filhos e netos que o minério vai para a China, a compensação financeira e o imposto para o Estado [a União e o Município] e para a natureza fica a degradação? Está no nosso DNA a mineração, mas temos de encontrar uma forma harmônica de convivência. Que as mineradoras nos ajudem nisso. Iremos visitá-las. A água do Macaquinhos é limpa, mas poderia ser mais ainda. Temos de cuidar de nossas montanhas, rios e os espaços onde as pessoas vivem. Temos de disseminar este projeto e precisamos do apoio das mineradoras também. A cidade de Congonhas é linda, com acervo reconhecido pelo Mundo, e precisa buscar um desenvolvimento mais saudável”, contextualizou.
Já o coordenador do Programa de Revitalização do São Francisco, Carlos Alberto Xavier, pela EMATER, Carlos Alberto Xavier, fez uma comparação interessante: “Devemos considerar a terra como o corpo humano e a água, como o sangue. Se a veia for cortada, o sangue vai embora e com ele a vida. Assim também é a natureza, que é frequentemente prejudicada por nós, seres humanos. Por isso precisamos de muito diálogo. Ao produtor rural é preciso sugerir que produza alimentos, e água também é alimento e é essencial para o cultivo. Precisamos construir essa parceria juntos, para que cada um se sinta integrante deste processo”, disse acompanhado do engenheiro agropecuário da EMATER, José Meireles.
Há 15 anos como extensionista da EMATER em Congonhas, o engenheiro agrônomo Paulo Rosa lembra que, há 14 anos, ele participou da criação de um projeto similar a este em parceria com a Prefeitura, Câmara Municipal e COPASA na área da CSN, do que se lembrou também o diretor de Desenvolvimento Rural da Prefeitura, Wedson Guerra, destacando o empenho de Paulo Rosa naquela oportunidade. “Mas muitos parceiros e nascentes já se foram desde então, porém Congonhas ainda possui um grande potencial hídrico, que segue se perdendo, e preciso resgatar o que for possível”, completou.
Paulo Rosa afirmou que, sem o apoio dos agricultores, este projeto não sai do papel. “Agora voltaremos nestas áreas na próxima semana juntos com os coordenadores do projeto, 14 anos depois, na propriedade de todos, para avaliar a qualidade dos terrenos, porque naquela área a composição da terra tem como base a caulinita, que, quando removida, forma erosões em forma de voçoroca. Por isso é necessário ver onde poderemos mexer. Com um levantamento positivo em mãos, as máquinas já começam a trabalhar”, explicou.
O encarregado de Sistemas da Copasa em Congonhas, Joel Jose de Souza, lembrou que este projeto irá complementar um outro que a concessionária desenvolveu em parceria com proprietários de terras, utilizando o cadastro da EMATER, e 2015, no córrego Macaquinhos, que é um dos mananciais de abastecimento de Congonhas.
Projeto paralelo
A coordenadora de Áreas Protegidas da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura, Marília Henriques Barbosa, lembrou que a Prefeitura está envolvida também no Projeto “Semeando Florestas, Colhendo Águas”, desenvolvido em parceria com o Instituto Espinhaço. “A partir de outubro, começará o plantio de árvores nas áreas já selecionadas. Na oportunidade, será aberta, mais uma vez, oportunidade a fim de que proprietários tenham suas áreas reflorestadas, sejam elas Áreas de Proteção Permanente (APP), as degradadas ou topos de morro, bastando a estes produtores rurais cercarem o terreno”, esclareceu.


