DESTAQUE EM CONGONHAS

Realizado com apoio de parceiros, Festival de Inverno levou cultura e lazer a toda a família

29 de julho de 2018

Repleta de memórias e de grandes histórias, a Ladeira Bom Jesus respirou arte e cultura durante o encerramento do 23° Festival de Inverno de Congonhas, realizado na noite deste sábado, 28. O público subiu a ladeira, e as fachadas das casas coloniais, iluminadas pelos tradicionais lampiões, foram palco para a poesia, a música, a dança e o teatro. Participaram diversos grupos e artistas locais, entre eles o Grupo Coral Orfeônico Ary Barroso, a Banda Bom Jesus e o capitão do grupo de congado Beija-flor do Campinho, Guilherme Balbino. Este ano o evento contou shows, interferências e espetáculos teatrais, além das tradicionais oficinas.

O 23° Festival de Inverno de Congonhas teve patrocínio da Vale e da CSN, realização da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, e apoio da Secretaria Municipal de Educação, da Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo (FUMCULT), Caixa Seguradora e Gerdau.

A Praça JK atraiu milhares de crianças, com espetáculos e shows. Segundo a secretária municipal de Cultura, Miriam Palhares, o objetivo era levar lazer ao público infantil, aproveitando o período de férias escolares. “Focamos muito no infantil. O que queríamos mesmo era levar as crianças para participarem do Festival e terem lazer. Primeiro, com os filmes, com o projeto ‘Cinema para você, sim’, da Caixa Seguradora. Depois, com as apresentações na Praça JK e com as oficinas”, pontuou, destacando que, para os adultos, as grandes atrações foram as apresentações da Orquestra Ouro Preto e do espetáculo “Mineiramente”, do grupo Ponto de Partida.

As parcerias também foram importantes para a realização do Festival de Inverno. “Com patrocínio e apoio das empresas e de diversos parceiros, conseguimos fazer um Festival de Inverno muito bom. O balanço foi muito positivo. O Festival não deixou de acontecer. Aconteceu em menor escala, mas levou lazer à população. Também deu oportunidade aos artistas locais”, completou a secretária da pasta.

Moradora do Centro, Patrícia Freitas reconhece a importância de se fomentar a atividade cultural na cidade e resgatar as raízes. “Eu gosto disso em Congonhas. Já morei em outros lugares e sentia falta disso. O Festival de Inverno atende todos os públicos, acho bem interessante”, completa, destacando, ainda, que sua filha se divertiu muito com a programação infantil.

A programação também agradou Lucineia Coimbra, do Boa Vista, que prestigiou o encerramento do tradicional evento: “O festival foi bom, foi bem proveitoso. Gostei muito da Orquestra Ouro Preto. Minhas filhas também participaram das oficinas. Hoje participaram muitos artistas locais. Meu filho, Emanuel, e meu irmão, Luciomar, se apresentaram. Foi legal”.

Oficinas agradaram jovens e adultos

Uma tradição do Festival de Inverno de Congonhas é a realização de oficinas, que atingem diversos públicos e gostos. Este ano, foram oferecidas para as crianças oficinas de Jiu-Jitsu; Confecção de Fantoches; Biscuit em Potes; Brincando na Natureza; Trilha Ecológica; Teatro; Bonecas de Pano; Pintura em Tela; Pintura em Tecido; e Arte em Reciclagem. Já os adultos participaram da Oficina O Salto; Comidinhas para ser Feliz III; Culinária Artística; e Arte em Garrafas.

A Escola Muncipal Oscar Weinschenck acolheu três oficinas. A de pintura em tela, ministrada por Maria Elza Ramos Azevedo, artista plástica que já desenvolve este trabalho com crianças no Nova Cidade, deu asas à imaginação dos alunos. “A pintura é livre, cada um faz o desenho que quiser. O tempo das oficinas é curto, mas percebo o gosto e o dom deles. Alguns alunos das oficinas eu já encaminhei para o projeto do Nova Cidade. Em breve faremos uma grande exposição dos quadros no ginásio do bairro”, diz.

Matheus Felipe Pereira Rezende, do 5º ano da Escola M. Oscar Weinchenck, participa do Projeto Arte na Escola e gosta tanto das atividades que se inscreveu também na oficina. “Fiz um desenho em homenagem a minha irmã. Escrevi ‘Eu te amo’ e desenhei um coração. Prefiro vir à oficina porque eu me divirto pintando. Consigo me distrair um pouco, até porque aqui estou ao lado de vários colegas”, conta.

Mas quem ainda está aprendendo a falar e dando os primeiros passos já pode despertar interesse e talento para as artes, como é o caso da filha de 3 anos de Thiago Vinícius Toledo, do Jardim Vila Andreza. “Olhamos no site da Prefeitura. Achamos interessante. Minha filhinha gosta muito de trabalho com tinta, telas, pincéis, para desenhar e colorir. Apesar de muito séria e tímida, ela acaba fazendo o papel direitinho e, como viu, topou até posar para a foto”.

Outro grupo de crianças optou por invadir o mundo da imaginação pela porta das encenações. Luiza Fialho Pinheiro, de 10 anos, aluna da E. M. Jair Elias, no Santa Mônica, ficou sabendo pela avó da oficina Teatro Infantil. “Ela apontou as opções e eu escolhi logo a de teatro. Se eu estivesse em casa, estaria mexendo na internet somente. Aqui eu me divirto e me preparo pra fazer mais bonito no teatrinho da escola, na volta às aulas”.

Estudante do curso de teatro do Grupo Boca de Cena, Izabela Faria, teve um certo trabalho para manter a criançada atenta, mas depois cada uma incorporou seu personagem da peça “O ladrão da alegria” e o espetaculozinho aconteceu. “Começamos fazendo o aquecimento e o alongamento, para que as crianças se soltassem. Não pedimos para elas decorarem o texto, e sim para que entendam a mensagem da peça. Aí a fala sairia de uma forma mais leve”, explica.

Na sexta-feira, 27, os alunos se apresentaram para a plateia formada por pessoas da família dos alunos no auditório da E. M. Oscar Weinschenck com a peça “O ladrão da alegria”.

Doze adultas e jovens formaram a turma da terceira oficina daquela escola, que as ensinou a confeccionar boneca de pano. Além de fazer parte do Projeto Arte na Escola, da Secretaria de Educação da Prefeitura, como as demais instrutoras de oficina do Festival de Inverno de Congonhas, Viviam Carla Mendes atua como artesã da Uniarte, do Pata da Loba e também como independente, enumera as serventias da boneca de pano: “A boneca de pano pode ser utilizada como brinquedo. Se recheada de areia, por exemplo, se transforma em peso de escorar porta. Pode segurar cortina também. Há quem faça para a casa, para presentear ou mesmo para vender”.

Márcia Teixeira Mendes se inscreveu para aprender e depois ensinar senhoras do Grupo de Convivência da Azapec a produzi-las. “As associadas vão ter uma ocupação prazerosa e poderão doar as bonecas para crianças ou mesmo para outras senhoras necessitadas, para quem uma boneca é uma boa companhia”, diz.

Já na Escola Estadual Barão de Congonhas, a instrutora e artesã Júnia Nicole de Souza mostrou a 15 alunas como fazer um pote decorado com bisqui.”O pote serve para decorar a casa, ser utilizado como utensílio e, claro, ser comercializado. Mas fazê-lo é antes de tudo uma terapia”, garante.

Existe mesmo quem veja nas oficinas uma forma de aprimorar técnicas e descobrir novos produtos e, com isso, melhorar a renda familiar. Cozinheira aposentada, Márcia Antônia Alves Ciqueira participa das atividades do CRAS Região Dom Oscar e agora oferecer mais um produto a seus clientes. “Lá no CRAS produzimos artesanato e cada uma vende a sua parte. O dinheiro complementa a minha renda. Eu pinto toalha, pano de prato, faço bordados. Um treinamento como este que a gente recebe no Festival de Inverno é muito importante para nós”, comemora.

As oficinas de gastronomia têm sido um grande sucesso do Festival de Inverno. Realizadas na Loja Maçônica Cidade dos Profetas, elas atraem, a cada ano, mais e mais amantes da culinária. Todo ano, Maria Aparecida Costa Cabido participa e aprova: “Eu já participei várias vezes. Adorei. Traz muito conhecimento culinário e muita informação. Vou continuar gostando e vou continuar fazendo. Gostei demais da experiência”.