Vida religiosa, intelectual e social de Dom Silvério foi relembrada durante tributo
23 de novembro de 2017
Primeiro bispo negro da Igreja Católica, Dom Silvério foi homenageado durante o 5° Tributo dedicado a manter viva a sua história. O evento, promovido pela Paróquia N. Sra. da Conceição, em parceria com a FUMCULT e as secretarias municipais de Educação e de Cultura, relembrou a trajetória desse congonhense, que nasceu em 1840, época em que ainda imperava a escravidão. Sua vida foi marcada não só pelo aspecto religioso, mas também pelo aspecto intelectual, e tem uma grande importância cultural e histórica para Congonhas.
Na terça-feira, 21, foi realizada uma missa festiva na Igreja da Matriz de N. Sra. da Conceição. A celebração contou com participação musical do Movimento Negro, apresentação do grupo de congado Marujos de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia e presença dos alunos da E.M. Fortunata de Freitas Junqueira. O padre Paulo Barbosa destacou não só a trajetória religiosa de Dom Silvério, mas também sua importância para a cultura e a história de Congonhas. “Para mim, o tributo que acontece nos ajuda a relembrar a história de Dom Silvério. É uma grande oportunidade para as escolas de Congonhas, para a Igreja, para as comunidades, para cada um de nós dar um sentido histórico à memória dele, e também dar prosseguimento à busca da igualdade social, da alegria de conviver um com o outro e de saber fazer o bem, não importando a raça, a cultura e até mesmo a religião”, destacou.
Já na quarta-feira, 22, uma mesa-redonda, realizada no Museu de Congonhas, debateu os aspectos da vida de Silvério. A secretária municipal de Educação, Maria Aparecida Resende, destacou a parceria da Paróquia e do Governo Municipal, por meio da FUMCULT e das secretarias municipais de Educação e Cultura, para a realização dessa homenagem. Também reforçou que as escolas da rede municipal abraçaram o projeto, que já está em seu quinto ano, para refletir a vida do congonhense.
A educadora Maria do Carmo Dias Camelo falou sobre os fatos pouco abordados da história do bispo, repassados pela história oral. Entre eles, estão o local onde vivia que, acreditam, poderia ser na região de Mafalda, e o fato de ele estudar sob a luz da lamparina, já que na época não existia energia elétrica.
O graduando em História, Paulo Henrique de Lima Pereira, autor do livro “Venenos Adocicados”, apresentou o Silvério como intelectual, já que o bispo atuou como jornalista e fundou, entre outros, o periódico “O Bom Ladrão”. O pesquisador André Candreva abordou outro aspecto: Dom Silvério teve participação na implantação do antigo ramal ferroviário entre Lobo Leite e Congonhas, que só foi inaugurado em 1892, fortalecendo o comércio local e o Jubileu de Congonhas.
Já o professor Cláudio Riomar abordou a necessidade de não só relembrar a história de Dom Silvério, mas resgatar sua memória e questionar como a vida do religioso pode contribuir para a construção de uma sociedade melhor. Para ele, é importante refletir sobre a trajetória de Dom Silvério para debater questões sérias do cotidiano, como o racismo.
A noite contou, ainda, com apresentações dos alunos da E.M. Fortunata de Freitas Junqueira e de Nandhú Carvalho e banda. Os participantes também visitaram a exposição “Silvério das Gerais: o bispo, o negro, o sábio”.
