O cuidado compartilhado é a melhor forma de prevenção do suicídio
16 de setembro de 2019Durante as reuniões da Unidade Regional de Saúde Mental em torno da organização do Setembro Amarelo, chegou-se a conclusão de que, no momento do sofrimento, é junto de suas igrejas que as pessoas buscam apoio. Então a organização do evento mobilizou entidades religiosas (espíritas, católicas, evangélicas) para se integrarem às ações de conscientização sobre valorização da vida e prevenção do suicídio.
Ao longo do período de celebrações do Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos (7 a 14 de setembro), os padres fizeram menção ao tema, inclusive na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, e na missa realizada na manhã deste domingo, 15, e do dia 8 de setembro, na Escola Municipal Rosália Andrade da Glória, no Alvorada.
Na próxima terça feira, 17, será ministrada a palestra “Valorização da vida”, com o palestrante Marcos Roman, a partir das 20h, no Centro Espírita Casa do Caminho.




“Pensamos em descentralizar as ações da campanha este ano, utilizando espaços frequentados pelas comunidades para falar sobre o tema. Lançamos mão desta estratégia para chegar até as pessoas, já que, em 2018, a adesão não foi a esperada. Priorizamos as regiões da cidade e locais que mais nos encaminharam pacientes com risco de suicídio no ano passado, como os bairros Alvorada e o Centro, por exemplo. No Presídio de Congonhas, que também encaminha pacientes para tratamento conosco, foi feita palestra para os detentos na última quarta-feira. O Hospital Bom Jesus, que é porta de entrada do Samu e que, portanto, recebe muitos casos de tentativa de suicídio, realizou ações também, direcionadas a familiares, pacientes e funcionários. É importante frisar que muitos casos de toda a cidade não chegam até nós, profissionais da Saúde Mental e toda essa mobilização se dá no sentido de formar uma rede de cuidados, para que as pessoas possam ser acolhidas onde se apresentem e que entendam onde podem pedir ajuda profissional quando necessária. Para tanto, é importante também que as pessoas entendam sobre a questão e saibam lidar com quem pede ajuda, sem julgá-las ou criticá-las. Enfim, são várias frentes de ação desenvolvendo atividades de conscientização contra o suicídio”, explica a terapeuta ocupacional e coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) II, Jamile Alves Pereira.
Aproveitando o gancho da campanha do Setembro Amarelo, Pe. Rosemberg afirmou, em entrevista ao programa Nas Ondas do Rádio, da Rádio Congonhas 91.3 Mhz), que a falta desta alegria é que deixa as pessoas expostas à depressão. “Como diz um poema ‘… quando eu fui à escola, a primeira tarefa que me deram foi essa: – O que você vai ser quando crescer? Eu respondi: – Vou ser feliz. Aí me disseram que eu não havia entendido a tarefa. E respondi: – Vocês é que não entenderam a vida’. Pessoas deprimidas talvez possam gerar mais pessoas deprimidas. Esta superficialidade com que o ser humano está vivendo pode ser a causa. O ser humano está imerso em um mundo de individualismo e de consumismo. As relações estão automatizadas, o que cria pra cada ser um mundo pequeno, tudo é resolvido da tela do celular. Distante das relações humanas, a pessoa perde a condição de superar os reveses que a vida oferece e oferece mesmo. Nossa geração obedecia ao pai, à mãe e ao professor, brincávamos na rua e isso era algo positivo, propiciava o contato humano, o olho no olho, agora trocamos estes olhos pela tela do celular. Isso tudo cria uma ferida na alma. Estamos perdendo as pessoas por causa de coisas. Estas foram feitas para serem usadas e as primeiras para serem amadas. Estamos fazendo uma inversão e perdemos quem na verdade interessa. O suicida não quer morrer, ele quer retirar aquilo que provoca a dor humana”, analisou.
Confira a programação completa.
