Jardim Ananás

Este jardim celebra uma das famílias de plantas mais emblemáticas das Américas: as bromélias. Originárias quase que exclusivamente do Novo Mundo, elas se diversificaram desde as florestas úmidas até os campos rupestres, ocupando ambientes que vão do nível do mar aos topos das serras. Cada espécie conta uma história da própria formação do nosso continente e da relação dos povos com a paisagem. O nome do jardim, Ananás, vem do tupi nanas ou nãnã, que significa “fruta excelente”. Foi assim que os povos indígenas brasileiros nomearam a planta que o mundo inteiro hoje conhece como abacaxi. Muito antes de qualquer exploração colonial, o abacaxi já era cultivado, selecionado e transportado por diferentes povos originários. É uma criação indígena, um presente do Brasil para o planeta. Onde quer que exista um abacaxi, ali está um pedaço da nossa história. A diversidade de bromélias no Brasil é imensa. Nas montanhas, surgem as majestosas Alcantarea, bromélias gigantes que podem acumular litros de água e servir de abrigo para inúmeros organismos. Recebem esse nome em homenagem à Casa de Alcântara, a antiga família imperial, mas pertencem, de fato, à grande coleção de tesouros naturais das nossas serras. Ao mesmo tempo, o país abriga joias quase invisíveis. Entre elas está Hoplocryptanthus serrapiresensis, espécie recém-descrita na Serra do Pires, em Congonhas, e que mede menos do que uma moeda. Vive em frestas de itabiritos, adaptada a um ambiente extremo e único. É a prova de que a grandeza das bromélias também se revela nos detalhes mais discretos. Terrestres, epífitas, rupícolas, de tanque ou de roseta rígida, gigantes ou minúsculas, as bromélias deste jardim ajudam a sustentar a vida ao seu redor. Acumulam água, atraem polinizadores, oferecem abrigo e fazem parte de complexas redes ecológicas que mantêm a biodiversidade brasileira. O Jardim Ananás é um convite para olhar de perto essas plantas que nasceram nas Américas e conquistaram o mundo. Aqui, você encontra história, cultura, ciência e beleza reunidas. Do abacaxi que alimenta ao pequeno Hoplocryptanthus que resiste entre pedras, cada espécie reflete a riqueza do nosso território e a força da natureza que nos cerca.