Este jardim reúne espécies que aprenderam a viver onde a água é rara. São plantas xéricas, adaptadas a ambientes secos e ensolarados, capazes de transformar escassez em estratégia de sobrevivência. No Brasil, elas encontram seus refúgios naturais principalmente na Caatinga, nos Campos Rupestres e no Cerrado, paisagens ricas em formas, texturas e histórias de resistência. Aqui, o visitante encontra desde os cactos colunares do gênero Cereus, que armazenam água em seus caules robustos, até os delicados Melocactus, com seus capítulos floridos que aparecem como coroas no topo das plantas adultas. Entre bromélias terrestres, destacam-se Dyckias e Encholirium, espécies típicas de afloramentos rochosos, que formam rosetas rígidas, espinhosas e altamente eficientes na captação de luz e no aproveitamento de cada gota de umidade. E no meio desse cenário árido, uma surpresa: um cacto que guarda folhas verdadeiras. A Pereskia grandiflora, uma das espécies mais primitivas da família Cactaceae, lembra que a evolução da vida no continente passou por muitos caminhos antes de chegar às formas espessas e suculentas que costumamos associar aos cactos. Suas folhas demonstram uma etapa antiga dessa transformação, enquanto a planta já revela outras adaptações importantes ao clima seco. Cada espécie deste jardim conta uma história de adaptação. Caules que armazenam água, espinhos que protegem e reduzem a perda hídrica, raízes profundas que exploram o subsolo, superfícies cerosas que diminuem a transpiração, rosetas que direcionam a água da chuva para o centro da planta. Em conjunto, elas mostram como a biodiversidade brasileira é criativa na arte de sobreviver. O Jardim de Plantas Xéricas do Parque da Romaria foi pensado para despertar curiosidade e respeito por ecossistemas muitas vezes vistos como áridos, mas que sustentam uma riqueza impressionante de espécies. Que este espaço inspire novos olhares sobre as plantas que enfrentam o sol forte, o vento seco e o solo pedregoso, lembrando que a natureza sempre encontra caminhos possíveis, mesmo onde parece difícil viver. *O acervo de plantas foi doado por Pedro Nahoum (Botânica POP), João Lobo e Isabela Cioni
